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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
19/06/2026
4 min

OpenAI contrata lenda do Google e ex-assessor de IA de Trump antes de IPO

OpenAI contrata lenda do Google e ex-assessor de IA de Trump antes de IPO

A OpenAI está reforçando dois flancos ao mesmo tempo, em meio à preparação para sua oferta pública inicial de ações: o técnico e o político.

A empresa contratou Noam Shazeer, uma das mentes fundamentais da IA generativa moderna, vindo do Google DeepMind, e Dean Ball, ex-assessor de política de IA da Casa Branca de Donald Trump — movimentos que acontecem na mesma semana em que a rival Anthropic sofreu uma restrição direta de exportação imposta pelo próprio governo americano.

Shazeer: o coautor do paper que criou a IA moderna

Shazeer, copresidente do projeto Gemini no Google e fundador da startup de IA conversacional Character AI, anunciou sua saída do Google na quarta-feira, 17.

Ele estava na empresa desde 2000, com uma interrupção de três anos quando saiu para cofundar a Character AI. Há dois anos, o Google o recontratou em um acordo de US$ 2,7 bilhões que deu à gigante de tecnologia acesso à tecnologia da startup.

Shazeer é considerado uma das mentes fundamentais por trás da IA generativa moderna: ele é coautor do paper seminal de 2017 "Attention Is All You Need", que introduziu a arquitetura Transformer — base técnica da maioria dos modelos de linguagem usados hoje, incluindo o próprio ChatGPT.

Antes de deixar o Google, Shazeer também havia se envolvido em controvérsias internas. Segundo o The Information, ele expressou opiniões em fóruns internos da empresa sobre identidade transgênero e a guerra de Israel em Gaza que levaram a gestão a deletar suas publicações.

Dean Ball: o arquiteto do plano de ação de IA de Trump

Paralelamente, a OpenAI também está reforçando suas credenciais políticas com a contratação de Dean Ball, que teve uma passagem breve na Casa Branca no ano passado, onde ajudou a publicar o "America's AI Action Plan", antes de deixar o cargo para retornar ao think tank techno-libertário Foundation for American Innovation como pesquisador sênior.

"Tenho o prazer e a honra de anunciar que, em 6 de julho, vou ingressar na OpenAI como líder de uma nova equipe chamada Strategic Futures", escreveu Ball no X. "Nosso mandato será ajudar a liderança da empresa a moldar a política de IA de fronteira." Ball vai se reportar diretamente ao diretor de estratégia da OpenAI, Jason Kwon.

Segundo ele, a equipe — descrita como "pequena e de alta autonomia" — vai se concentrar em "questões relacionadas a: risco catastrófico, autoaperfeiçoamento recursivo, impacto no mercado de trabalho, e a relação entre os laboratórios de fronteira, governos (particularmente o governo federal americano) e a sociedade".

Segundo Ball, a equipe Strategic Futures vai cobrir tanto política voltada ao público, quanto governança interna, um ponto que ele considera especialmente relevante.

"Quase por necessidade", os laboratórios de IA terão que liderar decisões de governança de IA. "Em outras palavras, a governança interna será mais central para o futuro da IA do que a maioria das pessoas percebe", escreveu, em um post no blog pessoal dele.

O pano de fundo: a crise entre Anthropic e o governo Trump

A decisão de Ball de se juntar à OpenAI — uma empresa vista por muitos como favorita do governo Trump no setor de IA — acontece num momento de tensão crescente entre a Anthropic e Washington.

No fim de semana anterior, o presidente Donald Trump ordenou um controle de exportação sobre os modelos mais avançados da Anthropic, o Fable 5 e o Mythos 5, levando a empresa a desativar completamente o acesso a ambos para evitar descumprimento da diretriz.

Segundo o Wall Street Journal, a decisão da Casa Branca teria sido influenciada por informações repassadas pela Amazon, uma das principais investidoras da Anthropic, sobre supostas vulnerabilidades de segurança nos modelos.

A Anthropic considera a avaliação exagerada, mas optou por desativar os sistemas imediatamente para garantir conformidade com a ordem do governo. A empresa chegou a enviar técnicos a Washington na tentativa de reverter o bloqueio.

Para quem já apostava que "interferência governamental" apareceria como fator de risco no S-1 (documento de abertura de capital) de uma das duas empresas, a contratação de Ball é a versão prática desse temor se concretizando, uma companhia consolidando seu status de "interna" ao governo justamente no momento em que a rival está sendo pressionada.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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