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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
11/10/2026
2 min

Operador entrega 88 atestados e é descoberto atuando como pastor

Fotos em eventos religiosos durante afastamento por dores no pescoço levaram à demissão por justa causa

Operador entrega 88 atestados e é descoberto atuando como pastor
RESUMO +

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de um operador de produção do ABC Paulista que apresentou 88 atestados médicos em um ano, mas apareceu nas redes sociais como pastor durante as licenças. A juíza Isabela Parelli Haddad Flaitt considerou que a conduta quebrou a confiança entre trabalhador e empresa; o caso aguarda julgamento de recurso.

De operador de produção a líder religioso em tempo integral nos dias de folga médica, a trajetória de um funcionário do ABC Paulista tomou um rumo incomum e acabou na Justiça do Trabalho. Em apenas um ano, ele entregou 88 atestados médicos à empresa para justificar ausências.

Enquanto a fábrica registrava a sucessão de licenças de saúde, a rotina real do trabalhador seguia outro ritmo nas redes sociais: em vez de repousar, ele atuava ativamente como pastor no comando de cultos, palestrando e participando de encontros comunitários na igreja.

A contradição entre o prontuário médico e a vida comunitária veio à tona quando a empresa passou a acompanhar as publicações da igreja. Em um dos episódios marcantes do caso, o operador apresentou um atestado médico por cervicalgia — condição que provoca dores intensas no pescoço e ombros —, mas, na mesma data, apareceu em vídeos e fotos ministrando de pé durante um evento religioso.

A decisão da Justiça

Diante do acúmulo de ausências e das imagens que comprovavam as atividades públicas no período de repouso, a companhia aplicou a demissão por justa causae alegou quebra de confiança.

Inconformado com a dispensa, o trabalhador acionou a 2ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul para tentar reverter a demissão e retornar ao emprego. Em sua defesa, alegou que a empresa tentou criar uma justificativa para cancelar a estabilidade dele, prevista em acordo coletivo, além de afirmar que sofreu violação à sua liberdade religiosa e que os problemas de saúde surgiram após uma mudança de função na fábrica.

Ao analisar a história e as provas anexadas ao processo, a juíza Isabela Parelli Haddad Flaitt concluiu que a conduta abalou a confiança entre as partes.

A magistrada ressaltou que o operador recebia salários pelos dias de licença enquanto exercia a liderança pastoral — atividade que pode render suporte financeiro, como a prebenda. A justa causa foi mantida, e o caso aguarda julgamento de recurso.

AutorDa Redação
FonteExame
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