Oracle reduz quadro de funcionários em 21 mil pessoas em meio à adoção de IA

A força de trabalho total da Oracle encolheu 13%, cerca de 21 mil funcionários, no ano fiscal de 2026, à medida que a gigante de computação em nuvem continua a reestruturar o negócio — em parte impulsionada pela adoção de inteligência artificial (IA) em suas operações.
A empresa tinha 141 mil funcionários em 31 de maio, ante cerca de 162 mil no mesmo período do ano anterior, segundo relatório anual divulgado na segunda-feira, 22.
A Oracle gastou US$ 1,84 bilhão em pagamentos de rescisão e outros custos de saída relacionados à reestruturação no ano fiscal de 2026 — valor significativamente maior que os US$ 374 milhões gastos no ano fiscal anterior, segundo o documento.
Em comunicado regulatório, a empresa atribuiu os ajustes no quadro de funcionários a fatores como mudanças de gestão e de produtos, problemas de desempenho, mudanças estratégicas e aquisições.
Parte de uma onda maior de cortes no setor
A redução no quadro da Oracle segue múltiplos relatos, ao longo deste ano, sobre cortes de milhares de vagas na empresa — incluindo uma rodada em 31 de março que, segundo a CNBC, girou em torno de 20 mil a 30 mil funcionários, com analistas do banco TD Cowen estimando que a medida poderia liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre adicional.
A preocupação com a perda de empregos provocada pela disrupção da IA tem crescido rapidamente, e 196 empresas de tecnologia já demitiram mais de 119,8 mil funcionários neste ano, segundo o site Layoffs.fyi, que monitora cortes no setor.
A aposta bilionária em data centers de IA
Historicamente uma jogadora menor no setor de computação em nuvem, a Oracle assinou nos últimos meses acordos bilionários de data center com a OpenAI e a Meta, na tentativa de competir de forma mais agressiva com rivais como Amazon e Microsoft.
Em setembro de 2025, a empresa revelou que suas obrigações de desempenho remanescentes — uma métrica de receita contratada ainda não reconhecida — saltaram 359%, para US$ 455 bilhões, após um acordo com a OpenAI avaliado em mais de US$ 300 bilhões.
Diferente desses gigantes tecnológicos, que financiam seus gastos bilionários com grande geração de caixa própria, a Oracle tem recorrido à queima de caixa e à emissão de dívida para sustentar os investimentos. As ações da empresa acumulam queda de cerca de 10% neste ano.
Mais dívida para sustentar o plano
A Oracle informou no início deste mês que espera investimentos líquidos em capital (capex) de cerca de US$ 70 bilhões no atual ano fiscal. Para financiar esse valor, a empresa vai levantar outros US$ 40 bilhões em dívida e capital próprio, incluindo uma emissão de ações de US$ 20 bilhões já anunciada anteriormente.
O movimento ocorre em paralelo a uma troca recente na liderança da companhia: a Oracle escolheu os executivos Mike Sicilia e Clay Magouyrk para substituir Safra Catz no comando, justamente no momento em que a empresa intensifica a corrida por capacidade computacional para atender a demanda crescente por infraestrutura de IA.
