Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
A expectativa dos mercados é que, após as eleições, o Copom reduza a taxa de juros. Mas ainda tem riscos no radar, e esses são os fundos que podem defender sua carteira

Os resultados das urnas no primeiro turno das eleições mudaram as expectativas do mercado. Agora, as apostas para uma mudança de governo e de queda dos juros estão maiores — e quem sai ganhando com isso são os ativos de renda variável.
Os fundos imobiliários também não estão imunes: o Ifix, índice de referência da classe, fechou os dois últimos pregões em alta de mais de 1%.
Apesar da reação positiva da bolsa brasileira, os riscos eleitorais seguem no radar. Segundo Caio Araujo, analista da Empiricus Research, até que haja mais clareza sobre o cenário político e econômico para os próximos anos, os investidores podem exigir um prêmio maior para os ativos locais.
Por outro lado, a expectativa dos mercados é que, após o período de eleições, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa básica de juros por aqui, que está em 13,75%. E a redução da Selic também tende a impulsionar os fundos imobiliários.
Com tantas variáveis na conta, os investidores ainda precisam manter uma posição mais defensiva na carteira.
Para isso, o Santander avalia que os FIIs com operacionais sólidos e portfólios robustos são a melhor aposta, já que devem seguir pagando rendimentos mensais sem variações relevantes.
E é justamente essas características — qualidade do portfólio e pagamento recorrente — que os dois fundos imobiliários favoritos para investir em outubro apresentam.
Com três indicações dos oito bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro, o Vinci Logística (VILG11) e o JS Real Estate Multigestão (JSRE11) dividem o pódio deste mês.
Confira o ranking completo:
*Entendendo o FII do Mês: Todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até dez fundos imobiliários, os analistas indicam os seus três prediletos. Com o ranking nas mãos, selecionamos os que contaram com mais indicações.
VILG11 é bicampeão na guerra dos FIIs
Segundo Flávio Pires, analista do Santander, o VILG11 é o FII de preferência do banco para o segmento logístico.
Atualmente, o fundo possui um portfólio de 12 galpões distribuídos por sete estados, totalizando uma área bruta locável (ABL) própria de aproximadamente 436 mil metros quadrados.
Com um patrimônio líquido de R$ 1,63 bilhão e 149 mil cotistas, o VILG11 também se destaca por ter alta taxa de ocupação, de aproximadamente 93%. Os ativos são ocupados por 60 locatários diversos, segundo o último relatório gerencial.
Além disso, os contratos de locação são de longo prazo, com 87% dos vencimentos programados para depois de 2028. Essas características garantem grande previsibilidade de receita.
Segundo Pires, o encerramento de carências e descontos concedidos em novas locações reforçam a geração de valor do fundo.
As recentes movimentações de reciclagem de ativos — como a aquisição de um galpão em Campinas com cap rate de 9,7% —, também impulsionam a tese do VILG11.
O Santander estima um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) de cerca de 10,60% para os próximos 12 meses.
Mas não são só a carteira e os dividendos que chamam atenção. O preço de tela também está atrativo. O FII negocia com 15% de desconto em relação ao valor patrimonial.
JSRE11 no topo também
O JSRE11, fundo de regime híbrido — ou seja, investe em diversas classes ao mesmo tempo —, registra um dos maiores descontos do mercado, de cerca de 40% em relação ao valor patrimonial. Apesar de os investidores estarem esnobando o FII, ele não é de se ignorar.
A XP Investimentos, que recomenda o fundo para outubro, classifica o portfólio como "de elevada qualidade". Atualmente, o JSRE11 possui R$ 2,10 bilhões de valor patrimonial, mais de 82 mil cotistas e carteira de inquilinos diversificada, com mais de 64 locatários.
Os analistas da casa ressaltam também que o nível de ocupação do portfólio é de 99,5% e que os contratos de aluguéis possuem potencial de reajuste por meio de renovações e revisões.
Além disso, destacam a gestão qualificada e o histórico consistente de geração de valor.
A XP estima um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) de cerca de 10,40% para os próximos 12 meses, com manutenção do atual patamar de distribuição de proventos nos próximos meses.
