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Mundo
25/06/2026
6 min

Os maiores terremotos da história da América Latina

Os maiores terremotos da história da América Latina

A América Latina, situada em uma das regiões tectonicamente mais ativas do planeta, concentra alguns dos abalos sísmicos mais poderosos já registrados pela ciência. Os tremores resultam dos choques constantes entre placas tectônicas ao longo de grandes falhas geológicas, que atuam como centros de atividade.

Desde o começo do milênio, a região foi palco de terremotos que entraram para a história mundial pela intensidade e pelo rastro de destruição que deixaram. Mas a magnitude, por si só, não conta toda a história. Em diversos casos, terremotos menos intensos provocaram consequências humanas ainda mais devastadoras.

Assim,os grandes terremotos latino-americanos revelam uma combinação complexa de forças naturais efatores humanos. A qualidade das construções, a densidade populacional, a capacidade de resposta dos Estados e o nível de preparação da sociedade frequentemente determinam se um tremor se tornará apenas um episódio geológico ou uma catástrofe nacional. Por isso, eventos de magnitudes semelhantes podem produzir impactos radicalmente diferentes.

Acompanhe, em ordem cronológica, os principais terremotos registrados na América Latina ao longo da história e o impacto que tiveram nas sociedades e nos governos afetados.

Esmeraldas, Equador, 1906 — magnitude 8,8

No dia 31 de janeiro de 1906, às 10:36 da manhã, um terremoto de magnitude 8,8 na escala Richter — cujas maiores medições variam entre 9 e 9,5 — atingiu a costa do Equador, a cerca de 500 km da cidade costeira de Esmeraldas.

O abalo desencadeou um tsunami de grandes proporções que atravessou todo o Oceano Pacífico, atingindo as costas da América Central, do Havaí e até do Japão horas após o terremoto. O alcance excepcional das ondas evidenciou que um evento sísmico ocorrido na costa sul-americana era capaz de provocar impactos muito além de suas fronteiras imediatas.

As consequências humanas e materiais foram severas. Estima-se que entre 500 e 1.500 pessoas tenham morrido, enquanto inúmeras comunidades litorâneas no Equador e na Colômbia sofreram destruição em larga escala, agravada pela força das inundações provocadas pelo tsunami.

Mais de um século depois, o terremoto de 1906 continua figurando entre os maiores já registrados na América Latina. Seu legado, porém, vai além da magnitude: o desastre representou um marco na compreensão científica dos riscos sísmicos no Pacífico, ao demonstrar de forma inequívoca o potencial dos terremotos da região para gerar tsunamis capazes de cruzar o mundo.

Até hoje, o evento serve como referência para pesquisadores que estudam os chamados terremotos de megathrust — os mais poderosos do planeta — ao longo da margem tectônica da costa oeste da América do Sul.

Chillán, Chile, 1939 — magnitude 8,3

Uma das catástrofes naturais mais devastadoras da história do Chile atingiu a cidade de Chillán e as regiões vizinhas às 23h do dia 24 de janeiro de 1939. O terremoto matou cerca de 28 mil pessoas e deixou dezenas de milhares de feridos, tornando-se um dos episódios mais trágicos já registrados no país.

A destruição foi generalizada. Grande parte de Chillán foi reduzida a escombros após o colapso de residências, escolas, igrejas e edifícios públicos. Mais de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas, já que o tremor reduziu cerca de 3.500 residências a escombros. A dimensão dos danos expôs, de forma dramática, a vulnerabilidade da infraestrutura chilena diante de grandes eventos sísmicos — o impacto do desastre ultrapassou a dimensão humana e provocou mudanças duradouras na organização do Estado.

O terremoto impulsionou uma ampla revisão das políticas de urbanização e levou à adoção de normas de construção antissísmica ainda mais rigorosas, que mais tarde se tornariam referência internacional; a catástrofe também acelerou a criação e o fortalecimento de instituições dedicadas à gestão de emergências e à reconstrução, marcando um ponto de inflexão na forma como o Chile passou a se preparar para desastres naturais.

Valdivia, Chile, 1960 - magnitude 9,5

Esse foi o terremoto mais forte já registrado até hoje: os abalos sísmicos atingiram a província de Malleco, no Chile, a cerca de 570 km ao sul da capital, Santiago. Às 15h do horário local, os intensos tremores começaram, com a cidade de Valdivia sendo a mais afetada.

O terremoto durou 10 minutos, mas os danos foram incalculáveis; até hoje, as cifras exatas de mortos, feridos e custos não são precisas. Estima-se que entre mil e 6 mil pessoas tenham morrido, e que os custos monetários tenham variado de US$ 400 a 800 milhões na época, que, ajustados para a inflação, seriam cifras de entre 4,5 e 90 bilhões de dólares atualmente.

Os tremores geraram ondas de até 25 metros de altura e um tsunami devastador que viajou pelo Pacífico e destruiu a cidade de Hilo, no Havaí, que registrou ondas de até 10 metros, a 10 mil km do epicentro. As ondas destruíram comunidades costeiras também no Japão e nas Filipinas.

Além disso, deslizamentos de terra, inundações e atividade vulcânica decorrentes dos tremores agravaram a destruição no sul do Chile nos dias seguintes. O Grande Terremoto do Chile, como passou a ser conhecido, permanece até hoje como a principal referência pela qual todos os terremotos modernos são medidos.

Haiti, 2010 — magnitude 7,0

No que talvez se tornou o mais famoso terremoto da América Latina, o Haiti foi abalado em 2010 por tremores relativamente fracos na escala Richter, mas seus custos humanos foram catastróficos, gerando uma das maiores crises humanitárias da história.

No dia 12 de janeiro, às 16h, o terremoto atingiu o sul do Haiti, causando devastação em massa, e uma série de tremores subsequentes, cada um com pelo menos 4,5 de magnitude, por dias. Estima-se que um total de 3 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelo desastre, e as estimativas de mortes variam de 100 mil a 160 mil. O governo haitiano estima a perda de 250 mil casas de 30 mil prédios comerciais, que colapsaram totalmente ou foram fortemente danificados.

Entre os prédios danificados estavam importantes estruturas, como o palácio presidencial, a assembleia nacional, a catedral de Porto Príncipe, capital haitiana, e a sede da ONU para a Missão de Estabilização no Haiti (MINUSTAH), que colapsou, o que resultou na morte de muitos agentes, incluindo o chefe da operação, Hédi Annabi.

Devido à crise humanitária que se desencadeou, o desastre é considerado o mais devastador a afetar um único país no século 21, superando inclusive o de Fukushima, no Japão, no ano seguinte, de magnitude 9. Mais de 270 mil haitianos migraram para o Brasil após a tragédia, e esforços humanitários continuam no país até hoje.

Venezuela, 2026 - tremores gêmeos de magnitudes 7,2 e 7,5

Por fim, dois fortes terremotos atingiram a Venezuela na noite dessa quarta-feira, 24, provocando mortes, centenas de feridos, desabamentos e danos em infraestrutura considerada estratégica para o país.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os abalos registraram magnitudes de 7,2 e 7,5. O Centro Nacional de Alerta de Tsunamis dos EUA informou que os tremores formaram um fenômeno conhecido como "evento sísmico duplo", em que dois terremotos de grande intensidade ocorrem quase simultaneamente na mesma área.

De acordo com o balanço oficial divulgado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ao menos 32 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas.

As autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar à medida que os trabalhos de busca avançam nas áreas atingidas.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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