Os piores dias do Ibovespa: crises internacionais provocaram os maiores tombos do índice, mostra estudo
No dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais um mandato no Palácio do Planalto, a bolsa brasileira vive uma sangria. No pano de fundo, está a frustrada expectativa de que Flávio Bolsonaro sairia vitorioso do segundo turno. Trata-se de uma das poucas ocasiões em que uma derrocada esteve associada […]

No dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais um mandato no Palácio do Planalto, a bolsa brasileira vive uma sangria. No pano de fundo, está a frustrada expectativa de que Flávio Bolsonaro sairia vitorioso do segundo turno.
Trata-se de uma das poucas ocasiões em que uma derrocada esteve associada a um acontecimento político doméstico.
Levantamento conduzido pela Elos Ayta mostra que crises internacionais foram os contextos por trás de nove das dez maiores quedas diárias do Ibovespa (IBOV), em episódios ocorridos entre 1994 e 2020.
A maior perda da amostra ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando o principal índice da bolsa brasileira registrou queda de 15,83%, com a crise financeira russa e a fuga de capitais dos mercados emergentes como contexto.
Cerca de um ano antes, em 27 de outubro de 1997, houve a segunda maior queda, de 14,98%, durante a crise asiática.
Pandemia e crises financeiras
O estudo mostra a pandemia de coronavírus concentrando quatro das dez maiores perdas, todas registradas em março de 2020, em um intervalo de oito pregões.
O Ibovespa recuou 14,78% em 12 de março, 13,92% no dia 16, 12,17% no dia 9 e 10,35% em 18 de março.
A combinação do avanço da pandemia, restrições de circulação, o temor de uma recessão mundial e a guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia provocaram uma onda de aversão ao risco nos mercados internacionais.
Outros quatro episódios estão associados às crises financeiras de 1997 e 2008. Durante a crise asiática, além da queda de 14,98% em 27 de outubro de 1997, o Ibovespa perdeu 10,20% em 12 de novembro daquele ano.
Já em 2008, a crise financeira internacional, agravada pela quebra do banco Lehman Brothers, contribuiu para as perdas de 11,39% em 15 de outubro e 10,18% em 22 de outubro, conforme o estudo.
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Peso político no Ibovespa
Entre os casos analisados, apenas um esteve diretamente associado a um acontecimento político brasileiro, de acordo com o levantamento.
É o caso da queda de 10,50% do Ibovespa em 5 de setembro de 1994, após a repercussão das declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, em um episódio conhecido como escândalo da parabólica, que gerou incertezas sobre a continuidade do Plano Real.
“Embora acontecimentos políticos nacionais possam provocar oscilações expressivas, os episódios mais extremos de desvalorização da Bolsa brasileira estiveram predominantemente associados a crises internacionais. O resultado também demonstra que grandes quedas podem ocorrer de maneira concentrada, em períodos de elevada incerteza econômica e financeira”, diz o estudo.
