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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
09/07/2026
4 min

Os preços do café devem cair no segundo semestre — se o El Niño deixar

Os preços do café devem cair no segundo semestre — se o El Niño deixar

A produção brasileira de café deve atingir 75,3 milhões de sacas na safra 2026/27, alta de 20,8% em relação ao ciclo anterior. Com isso, o mercado global deve voltar a registrar um superávit próximo de 10 milhões de sacas, aliviando parte da escassez que sustentou preços recordes da commodity nos últimos dois anos.

Apesar da perspectiva de maior oferta, a StoneX avalia que o mercado ainda está longe de uma normalização completa.

A consultoria afirma que a recuperação dependerá do ritmo da comercialização da safra brasileira, da reposição dos estoques globais e, principalmente, das condições climáticas, com o avanço do El Niño permanecendo como um dos principais fatores de risco.

"Uma vez que esse superávit tende a ser efetivamente sentido a partir do segundo semestre, os próximos meses devem se desenhar sob um balanço estruturalmente mais confortável", afirmam os analistas Leonardo Rossetti, Lucca Bezzon e Alexis Rubinstein, autores do relatório.

Segundo a consultoria, a safra brasileira será composta por 50,2 milhões de sacas de arábica, crescimento de 37,5%, e 25,1 milhões de sacas de robusta.

Depois de dois anos marcados por preços recordes e forte retenção de estoques, a expectativa é que o aumento da produção no Brasil, somado à recuperação da safra do Vietnã, amplie a oferta global de café ao longo do segundo semestre.

Ainda assim, a StoneX diz que a transição para um mercado mais equilibrado deve ser gradual.

"Após a forte queda observada entre o final de janeiro e fevereiro de 2026, período em que se consolidaram consensos para revisões para cima das estimativas de safra recorde no Brasil em 2026/27, o mercado internacional de café atravessou um segundo trimestre marcado por nova rodada de desvalorização", escrevem os analistas.

Mesmo com esse movimento, a consultoria afirma que os repiques registrados em junho mostram que qualquer ameaça à oferta continua provocando fortes reações nas cotações.

"Repiques relevantes de alta evidenciaram um mercado ainda sensível a fatores capazes de comprometer o fluxo físico do café", diz o relatório.

Embora o cenário-base seja de maior oferta e preços mais acomodados, a StoneX afirma que o clima continuará ditando o comportamento do mercado nos próximos meses.

A consultoria vê probabilidade superior a 80% de manutenção do El Niño durante o segundo semestre, com risco crescente de intensificação do fenômeno no fim do ano.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estima 63% de probabilidade de um evento muito forte nesse período, segundo análise divulgada em junho, e há projeções que apontam para um fenômeno “superforte”.

Na avaliação dos analistas, se as condições climáticas permanecerem moderadas durante a florada entre setembro e outubro, o Brasil poderá caminhar para mais uma boa safra em 2027/28. Mas um fortalecimento do fenômeno pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e devolver volatilidade às cotações.

No Brasil, os impactos variam de acordo com a região. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. Essa combinação afeta o calendário agrícola e deve afetar as empresas, avalia o banco.

O último evento forte, entre 2023 e 2024, provocou secas severas na Amazônia e enchentes históricas no Sul, com reflexos sobre a agricultura e o abastecimento.

Demanda segue firme

Se a oferta tende a aumentar, a demanda continua sendo um importante fator de sustentação para os preços.

A StoneX projeta que o consumo mundial alcance 172,7 milhões de sacas em 2026/27, um novo recorde, impulsionado pelo crescimento econômico, pela expansão do consumo nos países produtores e pelo avanço das cafeterias em mercados emergentes.

"Não há evidências de deterioração significativa do consumo global, apesar do ambiente de preços elevados observado nos últimos dois anos", afirmam os analistas.

Segundo a consultoria, redes como a chinesa Luckin Coffee e a vietnamita Highlands Coffee seguem ampliando suas operações, enquanto países como Uganda ganham espaço nas exportações mundiais da commodity.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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