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02/06/2026
4 min

Os setores do agronegócio que foram poupados da taxação americana: entenda por que alguns produtos escaparam

Os setores do agronegócio que foram poupados da taxação americana: entenda por que alguns produtos escaparam

O governo americano anunciou a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros nesta segunda-feira (1º). A lista, divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), vem quase um mês após a reunião entre Lula e Trump em Washington onde a relação entre os dois países na frente de terras raras foi discutida, mas a desaprovação dos EUA ao PIX ficou de fora, de acordo com o próprio presidente brasileiro.

Para além do anúncio dos produtos taxados, o documento contém um anexo de 73 páginas listando mercadorias brasileiras que seriam poupadas das novas tarifas.

Segundo o texto, as exceções incluem “matérias-primas que, se sujeitas às tarifas adicionais propostas, poderiam levar à indisponibilidade do suprimento doméstico. Elas também incluem produtos que poderiam causar perturbações em toda a economia se sujeitos às tarifas adicionais propostas; e certos produtos que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos ou obtidos de outras fontes”.

O destaque ficou com o café, sucos de laranja, outras frutas cítricas e carnes, produtos que estão no centro das exportações do Brasil para os Estados Unidos.

Em 2025 os EUA importaram cerca de 5,4 milhões de sacas de café brasileiro, uma queda de quase 34% em comparação ao total de 2024, de acordo com levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O declínio foi associado ao “tarifaço” de 50% para produtos brasileiros, iniciado em agosto do ano passado.

Em encontro com o presidente Lula em outubro do mesmo ano, Trump comentou sobre estar “sentindo falta” do café brasileiro. Já em novembro, o presidente americano decretou a retirada das tarifas sobre alguns produtos brasileiros, incluindo o café e as carnes bovinas.

No acumulado entre janeiro e abril, os EUA estiveram entre a segunda posição dos principais destinos do café do Brasil.

Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, a exclusão do grão entre as novas taxas já era aguardada pelo setor “devido às questões de inflação dos Estados Unidos, ainda fortes. No caso do café, os EUA chegaram a receber a inflação oito vezes acima da média”.

Ele explica que, apesar disso, as exportações entre janeiro e abril de 2026 estão 41,5% abaixo do mesmo período no ano passado, pois o tarifaço entre agosto e novembro de 2025 acarretou o cancelamento e adiamento de muitos contratos. “O mercado ainda espera a nova safra brasileira entrar de forma mais representativa. Com mais disponibilidade de café, o Brasil passa a ser mais competitivo”, completou.

Entre os tipos de café poupados no documento americano, o café solúvel não consta. O produto representa 10% das vendas para os Estados Unidos.

O próximo passo da Cecafé para questionar a decisão é submeter os documentos para participar ativamente da audiência pública prevista para acontecer em julho deste ano, que acontece antes da decisão definitiva.

Outro produto deixado de fora da lista foi o suco de laranja, que também foi isento da taxação no ano passado.

Ibiapaba Netto, diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), explica: “o Brasil é o principal fornecedor do mercado americano, responsável por cerca de 55% do consumo do suco de laranja no país”. Para ele, a relação de parceria entre empresas brasileiras e americanas do setor vai de encontro à política “America First”, do governo Trump.

Neste ano, os EUA se tornaram o principal importador do suco de laranja do Brasil, correspondendo a 49,6% das exportações brasileiras da bebida. Nos últimos anos, os americanos se tornaram mais dependentes das importações do suco brasileiro após enfrentar desafios climáticos que prejudicaram a produção doméstica.

As carnes bovinas, incluindo línguas e fígados, também não entraram na taxação. No início de 2026, o produto bateu a cota de exportação in natura em tempo recorde, enviando 52 mil toneladas logo na primeira semana de janeiro.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes optou por não se manifestar sobre o documento. Em abril deste ano, os EUA foram o segundo maior importador da carne brasileira no mundo, perdendo apenas para a China.

A nova tarifa ainda não está em vigor. O cronograma é o seguinte:

  • 22 de junho de 2026: prazo final para solicitar participação na audiência pública;
  • 1º de julho de 2026: data limite para envio de manifestações escritas ao USTR;
  • 6 de julho de 2026: realização da audiência pública em Washington;
  • 15 de julho de 2026: prazo legal para que o governo dos EUA anuncie sua decisão final.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

AutorCecília de O. Freitas
FonteMoney Times
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