Otimismo doméstico dribla aversão a risco e dólar recua a R$ 5,08

O dólar à vista perdeu força no primeiro pregão da semana diante do otimismo do cenário doméstico prevalecendo ante a cautela no exterior com o conflito no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (20), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,0896, com queda de 0,42%.
O dólar destoou da divisa no exterior ao longo da sessão, apesar da alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em alta de 0,17%, aos 100,937 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio seguiu otimista com a bateria de dados domésticos da última semana, enquanto a aversão a risco prevaleceu no cenário internacional.
A estimativa dos economistas consultados pelo Banco Central (BC) no Boletim Focus para a inflação deste ano foi reduzida pela terceira vez consecutiva.
Para 2026, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 5,16% para 5,15%. Para 2027, a estimativa se manteve em 4,20%. Já para 2028 a estimativa subiu de 3,70% para 3,78%.
Na avaliação da analista de investimentos da Nomad Rebecca Nossig, o mercado reagiu positivamente ao recuo da projeção de curto praz do IPCA no Focus. “Apesar de o número ainda estar acima do teto da meta, essa sinalização de alívio favorece os ativos locais e puxa a cotação da moeda americana para baixo”, afirma.
Por outro lado, Nossig considera que o cenário externo limitou a queda do dólar devido ao aumento da tensão geopolítica.
Pela manhã, os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram um embargo marítimo contra a Arábia Saudita, com início efetivo. Em comunicado, o movimento chamou o país de “criminoso”.
Segundo o site Axios, o presidente dos EUA, Donald Trump, quer que o Irã pague pela morte recente de soldados norte-americanos. No entanto, a conversa entre os países continua, afirmou um oficial norte-americano.
Mais cedo, Trump já havia publicado na rede Truth Social que “sempre que o Irã matar um soldado norte-americano, pagará por essa morte muitas vezes mais”. “Essa diretriz foi transmitida ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, e ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine.”
“Esse clima de tensão internacional refletiu diretamente na pressão sobre os preços do petróleo, já que a região é rota de passagem para cerca de 20% do fornecimento mundial. Com os riscos de bloqueio e os ataques recentes, os contratos do barril tipo Brent operaram com forte volatilidade, rondando a casa dos US$ 87 a US$ 90”, explica a analista de investimentos da Nomad.
Assim, segundo Nossig, o cenário reforça temores de uma nova onda de inflação global, o que acaba fortalecendo o dólar no exterior e equilibrando a balança cambial frente ao otimismo do mercado interno brasileiro.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para setembro avançou 1,27%, a US$ 89,22 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
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*Com informações de Reuters
