Otimismo voltou? Santander recomenda compra para 2 ações do agronegócio — e uma delas pode disparar 151%
Apesar das preocupações com o El Niño, o excesso de oferta de biocombustíveis e o endividamento das companhias, o Santander ainda enxerga oportunidades entre as ações do agronegócio. Em relatório com os principais temas discutidos durante sua 27ª Conferência Anual no Brasil, o banco manteve recomendação outperform, equivalente à compra, para duas empresas do setor: […]

Apesar das preocupações com o El Niño, o excesso de oferta de biocombustíveis e o endividamento das companhias, o Santander ainda enxerga oportunidades entre as ações do agronegócio.
Em relatório com os principais temas discutidos durante sua 27ª Conferência Anual no Brasil, o banco manteve recomendação outperform, equivalente à compra, para duas empresas do setor: 3tentos (TTEN3) e MBRF (MBRF3).
Entre elas, a 3tentos apresenta o maior potencial de valorização. O preço-alvo de R$ 26,60 representa um avanço de aproximadamente 151% em relação à cotação considerada para o cálculo (R$ 10,60).
Já para a MBRF, o Santander trabalha com preço-alvo de R$ 28. Considerando o valor de R$ 17,25 indicado no relatório, o potencial de valorização é de cerca de 62%.
Apesar das recomendações, as conversas mantidas durante o evento indicam que os investidores continuam pouco posicionados em empresas de alimentos, bebidas e agronegócio.
Segundo o Santander, quatro assuntos dominaram as discussões: El Niño, excesso de oferta de biocombustíveis, baixa visibilidade sobre o capital de giro e alavancagem.
Por outro lado, a recente queda das ações de 3tentos e SLC Agrícola (SLCE3) começou a chamar mais atenção do mercado.
3tentos (TTEN3): curto prazo difícil, potencial de longo prazo intacto
No caso da 3tentos, a principal preocupação dos investidores é o excesso de oferta no mercado de biodiesel.
As margens da divisão de Indústria ficaram significativamente abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026, aumentando o ceticismo sobre a capacidade da companhia de recuperar sua rentabilidade.
Na avaliação do Santander, o desempenho foi afetado principalmente por uma produção de biodiesel superior à demanda das distribuidoras de combustíveis. A expectativa do banco é de que esse desequilíbrio seja corrigido gradualmente ao longo do terceiro trimestre, conforme as empresas ajustem suas operações à ausência de aumento no percentual de mistura obrigatória.
Mesmo diante das dificuldades imediatas, o Santander entende que a capacidade de execução da 3tentos no longo prazo permanece intacta.
A companhia já garantiu a matéria-prima necessária para sua unidade de etanol de milho, enquanto a produtividade do eucalipto segue dentro dos níveis previstos no orçamento.
O mercado, contudo, parece priorizar a desalavancagem da empresa, ainda que isso signifique adiar novos projetos de expansão no etanol de milho.
Canola pode abrir nova avenida para a 3tentos
A canola aparece como outra opcionalidade estratégica para a 3tentos. O Santander está otimista com o potencial da cultura, que pode gerar um lucro bruto por tonelada superior ao da soja depois do esmagamento.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citados pelo banco, a área plantada com canola no Brasil cresceu 75%.
A colheita, porém, pode decepcionar por causa das fortes chuvas na região Sul. O Santander estima uma produção de 661 mil toneladas, 12% abaixo da projeção inicial divulgada pela Abrascanola em julho.
Mesmo com a possibilidade de uma produção menor, o banco acredita que a canola pode provocar uma mudança estrutural no mercado de biodiesel.
A 3tentos estaria bem posicionada para essa transição. A companhia concluiu os investimentos em uma nova prensa de canola no primeiro semestre e prepara a conversão de parte da capacidade de esmagamento de soja para processar a oleaginosa no quarto trimestre de 2026.
MBRF (MBRF3): desalavancagem segue no centro da tese, vê Santander
Para a MBRF, a desalavancagem continua sendo o principal tema acompanhado pelos investidores.
As discussões estão concentradas no ritmo de redução da dívida em meio ao ciclo ainda desfavorável do gado nos Estados Unidos, na capacidade de atingir o equilíbrio da geração de caixa e na gestão dos passivos.
O Santander espera que o nível de investimentos da companhia diminua nos próximos anos, contribuindo para uma visão mais construtiva sobre as ações.
A expectativa também é de liberação de capital de giro no segundo semestre de 2026, principalmente nos últimos três meses do ano. A MBRF consumiu R$ 2,8 bilhões em capital de giro na primeira metade do ano, dos quais R$ 1,6 bilhão ficou concentrado em estoques.
As contas a pagar devem se normalizar no terceiro trimestre, enquanto os estoques de produtos acabados e o número de animais confinados tendem a recuar no quarto trimestre.
Recuperação nos Estados Unidos
O Santander também observa condições mais favoráveis para uma recuperação do negócio de carne bovina nos Estados Unidos.
Entre os potenciais catalisadores estão os recentes fechamentos de capacidade produtiva e a reabertura da fronteira com o México. A própria MBRF avalia que as condições necessárias para uma melhora das margens já estão presentes.
Outro ponto acompanhado pelo mercado é a sustentabilidade dos preços dos alimentos processados em meio às baixas cotações dos suínos no Brasil.
Embora os preços estejam pressionados, o Santander avalia que eles podem estar próximos do fundo do poço. O comportamento daqui em diante dependerá do ritmo de redução do plantel de matrizes na China, movimento que poderia abrir espaço para uma recuperação das cotações.
El Niño eleva a cautela
Os efeitos do El Niño completam a lista de riscos para a MBRF. Diante da possibilidade de quebra de safra e alta dos preços dos grãos, a empresa ampliou suas posições de hedge para proteger o abastecimento.
A proteção envolve estoques físicos, contratos a termo e outros instrumentos relacionados a milho, farelo de soja e óleo.
Assim, embora o Santander mantenha recomendação de compra para 3tentos e MBRF, o cenário ainda está longe de representar um otimismo generalizado com o agronegócio na Bolsa.
A leitura do banco é mais seletiva: os riscos continuam elevados, mas a queda recente das ações do agronegócio e as oportunidades de longo prazo começam a devolver atratividade a algumas teses.
Veja as recomendações do Santander para o agronegócio
| Empresa | Código | Recomendação | Preço-alvo | Cotação de referência | Potencial |
|---|---|---|---|---|---|
| 3tentos | TTEN3 | Outperform (compra) | R$ 26,60 | R$ 10,60 | 151% |
| MBRF | MBRF3 | Outperform (compra) | R$ 28,00 | R$ 17,25 | 62% |
| Boa Safra | SOJA3 | Neutra | R$ 10,00 | R$ 6,11 | 64% |
| Camil | CAML3 | Neutra | R$ 6,50 | R$ 4,64 | 40% |
| M. Dias Branco | MDIA3 | Neutra | R$ 27,00 | R$ 17,01 | 59% |
| Minerva | BEEF3 | Neutra | R$ 4,50 | R$ 3,47 | 30% |
| SLC Agrícola | SLCE3 | Neutra | R$ 16,00 | R$ 14,22 | 13% |
