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InvestMercados
19/06/2026
3 min

Ouro cai e caminha para terceira semana seguida de perdas

Ouro cai e caminha para terceira semana seguida de perdas

O ouro caminha para registrar sua terceira semana consecutiva de perdas, pressionado por uma combinação de dólar forte, juros elevados nos Estados Unidos e redução das preocupações geopolíticas no Oriente Médio.

Às 9h15 (horário de Brasília), o metal recuava 1,67% nesta sexta-feira, 19, negociado a US$ 4.175,60 por onça-troy no mercado futuro. Mais cedo, o ouro chegou a tocar US$ 4.121,86, o menor nível intradiário desde 11 de junho.

A queda ganhou força após o Federal Reserve sinalizar uma postura mais dura em relação aos juros. Na quarta-feira, 17, o banco central dos EUA manteve sua taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75%.

Só que as projeções divulgadas após a reunião mostraram uma divisão maior entre os dirigentes da instituição. Nove dos 19 membros do Fed agora acreditam que será necessário elevar os juros ainda este ano, informou a Reuters.

A mudança levou investidores a reverem suas apostas para a política monetária. Dados do CME FedWatch mostram que o mercado passou a atribuir cerca de 70% de probabilidade a uma alta de juros até setembro.

"O ouro enfrenta um risco considerável de cair ainda mais em território de mercado de baixa e abaixo da marca de US$ 4.000 por onça, enquanto o metal precioso continua a navegar por um ambiente desafiador", disse o analista sênior da plataforma Tradu.com, Nikos Tzabouras.

"Expectativas de taxas de juros elevadas por um período prolongado, por parte do Fed, são prejudiciais para ativos que não geram rendimento, ao mesmo tempo que beneficiam o dólar", acrescentou à Reuters.

Dólar forte amplia pressão sobre o metal

O fortalecimento da moeda americana adicionou um novo obstáculo aos preços. O índice do dólar (DXY) caminha para fechar a semana em alta, tornando o ouro mais caro para compradores que operam em outras moedas.

Relatório publicado pelo Investing.com destaca que a revisão das expectativas para os juros dos EUA impulsionou os rendimentos reais dos títulos do Tesouro dos EUA, denominados Treasuries, e levou o dólar ao maior nível em mais de um ano.

Geopolítica deixa de sustentar os preços

Outro fator que contribuiu para a queda foi a diminuição do prêmio de risco associado à guerra no Irã, já que as negociações entre Washington e Teerã enfrentaram novos obstáculos após a Suíça anunciar o adiamento de uma rodada de conversas prevista para hoje.

O mercado, ainda assim, segue avaliando que a probabilidade de uma escalada militar diminuiu em relação às semanas anteriores. E a assinatura de um acordo provisório e a reabertura do Estreito de Ormuz reduziram parte da demanda por ativos de proteção, como o ouro.

Goldman reduz projeção para o ouro

O cenário também levou o Goldman Sachs a revisar suas estimativas para o metal. O banco reduziu sua projeção para o ouro no fim de 2026 para US$ 4.900 por onça, abaixo da estimativa anterior de US$ 5.400.

Apesar do corte, a instituição afirmou que continua construtiva em relação ao ativo no longo prazo, embora veja riscos de queda no curto prazo, informou a Reuters.

Mas a trajetória do ouro dependerá dos "desdobramentos nas negociações entre EUA e Irã, da atualização da inflação nos EUA na próxima semana e de como os mercados precificarão as ações do Fed daqui para frente", na avaliação de Tzabouras.

Além do ouro, outros metais preciosos também operavam em queda na sexta-feira. A prata recuava 0,8%, para US$ 65,30 por onça, enquanto a platina perdia 0,3%, para US$ 1.690,23. O paládio registrava baixa de 0,2%, cotado a US$ 1.275,29. Os três metais também caminhavam para encerrar a semana no vermelho.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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