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InvestMercadosCMDT
07/08/2026
4 min

Ouro dispara e caminha para melhor semana desde janeiro

Metal acumula alta de mais de 6% na semana com foco no Fed e no payroll dos Estados Unidos

Ouro dispara e caminha para melhor semana desde janeiro

O ouro avança pelo quinto pregão consecutivo nesta sexta-feira, 7, e caminha para registrar a melhor semana desde janeiro, movimento puxado pela redução das apostas de alta de juros nos Estados Unidos e pelo alívio nas preocupações com inflação ligadas ao acordo de paz no Irã.

O metal ganha força mesmo às vésperas da divulgação do payroll de julho, um dos indicadores mais aguardados pelo mercado.

O ouro à vista subia 2%, a US$ 4.383,87 a onça-troy, por volta das 8h05 (horário de Brasília) hoje, após ter tocado uma máxima de sete semanas na quinta-feira, 6. No acumulado da semana, o metal já avança mais de 6,6%. Os contratos futuros negociados nos EUA seguem o mesmo movimento e sobem 1,6%, para US$ 4.367,90.

À Reuters, o analista sênior de mercados financeiros da Capital.com, Kyle Rodda, diz que o comportamento do ouro está diretamente atrelado às expectativas em torno da política monetária americana.

Para ele, a leve queda nas "probabilidades implícitas" de aumentos das taxas de juros pelo Fed, somada à crença de que Warsh possa adotar uma postura menos agressiva na política monetária, impulsionou a alta do metal.

O CME FedWatch Tool vê que os investidores atribuem hoje 55% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, percentual que era de 67% na semana passada. A redução dessa probabilidade tem sustentado a procura por ouro como proteção, ao mesmo tempo em que reduz o custo de oportunidade de manter o ativo que não paga rendimento.

Guerra no Irã e queda do petróleo

O apetite por ativos considerados mais seguros também recebeu impulso das declarações do presidente americano, Donald Trump, que disse a jornalistas acreditar que a guerra com o Irã deve terminar em breve. A fala ocorre em meio ao mesmo pano de fundo geopolítico que tem movimentado o petróleo, cujos preços caminham para fechar a semana com perdas.

A queda dos custos de energia tende a aliviar as pressões inflacionárias e reforça a percepção de que o Fed terá menos motivos para elevar os juros no curto prazo, ainda que o apelo do ouro como proteção contra a inflação tenda a diminuir justamente em ambientes de juros mais altos, já que o metal não oferece rendimento.

Payroll de julho é o próximo teste

O mercado agora volta as atenções para o relatório de emprego não agrícola dos EUA referente a julho, que o Departamento do Trabalho americano divulga às 9h30, no horário de Brasília. O indicador deve funcionar como termômetro da resiliência do mercado de trabalho e, por consequência, das próximas decisões do Fed.

Ainda à Reuters, a estrategista-chefe de mercado da Bybit Han Tan pondera que parte dos ganhos recentes do ouro pode ser revertida caso os dados de emprego surpreendam para cima.

Apesar do risco de correção no curto prazo, a projeção para o metal segue otimista entre grandes instituições. O UBS estima que o ouro pode alcançar US$ 5.000 por onça-troy no primeiro semestre de 2027, patamar bem acima dos níveis negociados atualmente.

Enquanto os preços sobem nos mercados internacionais, o comportamento da demanda física segue misto. Na Índia, os descontos oferecidos por varejistas de ouro se ampliaram ao longo da semana, com compradores retraídos diante dos preços em máxima de mais de um mês.

Na China, maior consumidora global do metal, a atividade também perdeu força.

Prata, platina e paládio também sobem

O movimento de alta não se restringe ao ouro. A prata à vista salta 4,5%, para US$ 64,26 a onça-troy, enquanto a platina avança 2,4%, a US$ 1.770,20, e o paládio ganha 2,3%, cotado a US$ 1.401,71.

Os três metais também caminham para encerrar a semana com valorização, na esteira da mesma combinação de fatores que impulsiona o ouro.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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