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Sacre Investimentos
InvestMercados
25/06/2026
3 min

Ouro mira US$ 4 mil por onça, mas é pressionado por juros e cessar-fogo

Ouro mira US$ 4 mil por onça, mas é pressionado por juros e cessar-fogo

O ouro testa os US$ 4.000 a onça nesta quinta-feira, 25. O metal chegou a voltar brevemente acima do nível pela manhã, mas recuou logo em seguida. Neste ano, o metal cai 7,5% e recua 24% da máxima histórica.

Em 2025, o ouro disparou 66% e a prata, 135%, sustentados pela busca por proteção. A guerra entre Estados Unidos e Irã, deflagrada no dia 28 de fevereiro de 2026, deu mais um impulso inicial aos metais.

Mas o mesmo conflito que empurrou os preços para cima acabou se tornando o pivô da queda. Com o cessar-fogo e as negociações em curso, o apelo de refúgio do ouro foi se esvaindo, segundo informações da CNBC.

O Federal Reserve (Fed) também entrou na conta, com o mercado já precificando uma alta de juros em setembro. Por outro lado, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão já subiram as taxas neste mês.

Resistência na valorização

Boa parte do capital que estava nos metais migrou para a renda variável, aproveitando a recuperação das bolsas no pós-guerra. A prata sentiu ainda mais, acumulando queda de quase 20% desde janeiro e chegando a registrar o maior tombo em um único dia desde os anos 1980.

Nesta quinta, os futuros da prata para julho recuavam 1,2%, a US$ 57,41 a onça.

Estrategistas da Macquarie destacaram que "o aparente fim do conflito no Oriente Médio, combinado a um Fed mais 'hawkish' (agressivo no combate à inflação), fez os preços recuarem à medida que o apelo de proteção do ouro se dissolve junto com a perspectiva de juros mais altos e dólar mais forte", em nota divulgada pela CNBC.

O banco reduziu sua estimativa para o fim do ano de US$ 4.400 para US$ 4.300 e projeta queda adicional de 9,5% em 2027, com recuos anuais até 2030. Para a prata, a expectativa é de US$ 70 por onça no quarto trimestre, caindo a US$ 65 até o fim do ano que vem.

Analistas do OCBC afirmaram ao canal estadunidense que, enquanto os yields reais não recuarem e o discurso do Fed não amolecer, as tentativas de alta do ouro tendem a encontrar resistência. "Altas podem continuar perdendo força rapidamente", na tradução livre do inglês.

Por que ainda tem gente comprada

O trader e cofundador da RiskReversal Media, Guy Adami, segue acreditando no metal. "Continuo acreditando que a inflação é um problema. Acho que as taxas de juros vão subir. Compreendo os ventos contrários gerados pelo dólar, mas, em algum momento, acredito que o cenário vai mudar e o ouro voltará a ganhar destaque."

Ele mantém a posição de que os bancos centrais continuarão aumentando suas posições, e o ouro continuará sendo um ativo relevante pelo restante do ano, conforme a CNBC.

Um levantamento do World Gold Council divulgado na semana passada mostrou que quase 90% dos bancos centrais ouvidos esperam que as reservas globais de ouro aumentem nos próximos 12 meses. Para eles, o metal segue sendo o principal escudo contra inflação e turbulências geopolíticas.

A Macquarie reconhece que "isso abre espaço para que os investidores retornem ao mercado de metais preciosos, impulsionando novamente os preços, mas provavelmente seria necessário um grande evento macroeconômico para reacender o interesse."

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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