Ouro sobe após mercado reduzir apostas em alta de juros nos EUA

A forte queda dos preços do petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã está produzindo um efeito inesperado no ouro. Mesmo com o fim da guerra parecendo próximo, o que normalmente diminuiria a procura por ativos de proteção, o metal precioso avançava nesta terça-feira, 16.
O ouro à vista subia 0,70%, para US$ 4.339,74 por onça-troy, enquanto os contratos futuros negociados em Nova York avançavam 0,18%, para US$ 4.358,90. A recuperação ganha força depois que as cotações tocaram uma mínima de quase seis meses na semana passada.
O movimento pode estar relacionado à inflação e aos juros, segundo especialistas ouvidos pela Reuters. Dados do CME FedWatch mostram que a probabilidade de uma elevação de juros em dezembro caiu para 56%, ante cerca de 70% antes do anúncio do entendimento entre os dois países.
Além disso, o acordo anunciado entre Washington e Teerã reduziu os receios de interrupções no fornecimento global de petróleo e provocou uma forte correção nas cotações da commodity.
Com a energia mais barata, investidores passaram a enxergar menor pressão inflacionária à frente, revisando para baixo as apostas de novas altas de juros pelo Federal Reserve, o que favorece o ouro.
O que o mercado espera do Fed
Agora, as atenções dos investidores se concentram na reunião do Fed, cuja decisão será divulgada nesta quarta-feira, 17. O encontro ganhou ainda mais relevância por ser o primeiro sob a liderança de Kevin Warsh.
O mercado tentará identificar sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária, e qualquer indicação de uma postura menos agressiva tende a reforçar o movimento recente do ouro. Isso porque juros mais baixos reduzem o custo de oportunidade de manter posições que não oferecem rendimento.
Para o analista da ActivTrades, Ricardo Evangelista, ouvido pela agência, a combinação entre a queda do petróleo e o recuo das expectativas de aperto monetário explica boa parte da recuperação recente do metal.
"As notícias sobre um acordo de paz pressionaram os preços do petróleo para baixo e os piores temores inflacionários parecem estar se dissipando neste momento. Os investidores também estão reagindo reduzindo as expectativas de aumentos nas taxas de juros por parte dos bancos centrais, e isso é positivo para o ouro", disse.
Bancos centrais continuam comprando
Em meio às incertezas econômicas globais e às discussões sobre diversificação de reservas, bancos centrais continuam aumentando a exposição ao ouro, mesmo com as cotações próximas de níveis historicamente elevados.
Além do cenário de curto prazo, a demanda estrutural pelo ouro segue forte. Levantamento divulgado pelo Conselho Mundial do Ouro mostrou que 45% dos gestores de reservas internacionais consultados pretendem aumentar as compras do metal nos próximos 12 meses.
Outros metais preciosos também operavam em alta. A prata, por exemplo, avançava 0,5%, a platina ganhava 1,5% e o paládio registrava valorização de 0,5%.
