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Sacre Investimentos
EmpresasACS
22/10/2026
3 min

Outra reestruturação no radar? Credores pedem Chapter 11 involuntário de subsidiária da Braskem (BRKM5) nos EUA

Um grupo de credores apresentou ao Tribunal de Falências dos Estados Unidos protocolo de Involuntary Chapter 11 contra a Braskem America Finance Company

Outra reestruturação no radar? Credores pedem Chapter 11 involuntário de subsidiária da Braskem (BRKM5) nos EUA

A Braskem (BRKM5) já enfrenta uma recuperação extrajudicial no Brasil, mas a lista de reestruturações a lidar pode aumentar se depender de alguns dos credores da subsidiária focada em captação de recursos em mercados internacionais, a Braskem America Finance Company.

Um grupo de credores composto pelos fundos FFI Fund Ltd., FYI Ltd. e Olifant Fund Ltd protocolou no Tribunal de Falências dos Estados Unidos o chamado "Involuntary Chapter 11", conforme anunciou a petroquímica na última quarta-feira (21).

Na prática, os fundos buscam levar a subsidiária a um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, ainda que sem a iniciativa da própria empresa.

O Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA é um mecanismo que pode ser acionado tanto pela empresa, de maneira voluntária, quanto por seus credores. Assim como em uma recuperação judicial, o intuito é suspender a execução de dívidas e estruturar um plano de reestruturação financeira.

Os credores da Braskem America Fianance afirmam deter participação beneficiária nas Notas de 7.125% com vencimento em 2041 emitidas pela America Finance e garantidas pela companhia, no valor principal de cerca de US$ 272 milhões, equivalente a aproximadamente 47% do valor nominal agregado em circulação das Notas de 2041.

O Tribunal ainda precisa decidir se aceitará a petição e quais os próximos passos.

Vale destacar que o pedido não envolve a Braskem e outras subsidiárias. Apenas a America Finance e seu endividamento, composto exclusivamente pelas Notas 2041, no valor principal de aproximadamente US$ 589 milhões, são afetados.

Braskem enfrenta recuperação extrajudicial no Brasil

Em 24 de agosto deste ano, a Braskem confirmou ao mercado seu processo de recuperação extrajudicial. Cabe diferenciar que, diferente da judicial, esse modelo permite que empresas com problemas financeiros renegociem dívidas diretamente com credores.

O movimento da Braskem ocorreu para tentar resolver as dívidas que somavam US$ 10,8 bilhões — cerca de R$ 54 bilhões. Com o pedido de RE, passou a valer a suspensão das cobranças por essas dívidas enquanto corre o processo.

A petroquímica vinha de um forte período de deterioração financeira. A Braskem Idesa, operação da companhia no México, já havia recorrido ao Chapter 11 nos Estados Unidos como parte de um processo de reestruturação financeira.

Paralelamente, a matriz brasileira deixou pagar juros de suas dívidas no prazo previsto e chegou a ser considerada oficialmente inadimplente pela agência de classificação de risco Fitch Rating.

Além da pressão financeira, a Braskem estava diante de um cenário difícil para o setor petroquímico global, ainda impactado pelo excesso de oferta internacional, margens comprimidas e pelos desdobramentos judiciais relacionados ao caso de Alagoas.

Os últimos acontecimentos

Na última semana, após concluir a Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA) relacionada à compra da petroquímica pelo FIP Shine, a Braskem anunciou que alguns acionistas terão mais uma chance de vender seus papéis nas mesmas condições oferecidas na operação.

Vale pontuar, no entanto, que o novo prazo foi aberto apenas para os detentores de ações ordinárias (BRKM3) que não participaram do leilão da OPA da Braskem.

Quem possui ações preferenciais, como BRKM5 e BRKM6, ficou de fora. Além disso, aqueles que optarem pela venda não receberão dinheiro pelas ações. A contraprestação será feita por meio de debêntures da NSP Investimentos, empresa ligada à operação de transferência de controle da petroquímica.

A Braskem informou também na quarta-feira (21), a redução da participação da NSP Investimentos para menos de 5% das ações preferenciais classe A da Braskem.

AutorLorena Matos
FonteSeu Dinheiro
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