Países produtores ampliam em 44% as compras de café brasileiro em 2026
Colômbia e Índia lideram avanço das compras, enquanto exportações brasileiras aceleram no terceiro trimestre

As vendas de café brasileiro para outros países produtores, como Colômbia e México, ganharam força nos primeiros nove meses de 2026 e ajudam a revelar uma mudança no mapa dos destinos das exportações do país.
Entre janeiro e setembro, esses mercados compraram 2,282 milhões de sacas de 60 kg de café verde, avanço de 44,1% sobre as 1,583 milhão de sacas registradas no mesmo período de 2025, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgados nesta sexta-feira, 9.
O aumento das compras por países produtores ocorre em um contexto de necessidade de abastecimento de seus mercados internos, diante de uma produção local que não consegue atender simultaneamente à demanda doméstica e aos compromissos de exportação, diz a entidade.
Colômbia e Índia estão entre os destaques desse movimento. A Colômbia importou 849 mil sacas de café verde brasileiro nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 75% em relação ao mesmo período de 2025. Já a Índia elevou as compras em 336%, para 174 mil sacas.
México, Equador e Costa Rica também ampliaram significativamente suas aquisições. O México comprou 749 mil sacas, alta de 29,9%, enquanto o Equador avançou 91,5%, para 150 mil sacas. A Costa Rica saiu de 1.333 sacas entre janeiro e setembro de 2025 para 15.389 sacas neste ano, aumento de 1.054,5%.
O avanço das compras por países produtores coincide com uma recuperação mais ampla dos embarques brasileiros no primeiro trimestre da safra 2026/27.
Entre julho e setembro, o Brasil exportou 11,210 milhões de sacas de café, alta de 15,5% em relação ao mesmo intervalo da temporada 2025/26.
O avanço em quantidade, porém, não se repetiu na mesma intensidade na receita. Os embarques renderam US$ 3,561 bilhões no trimestre, apenas 0,8% acima do ano anterior, em razão da queda de 12,7% no preço médio por saca, para US$ 317,63.
A recuperação ganhou força especialmente nos dois últimos meses do trimestre. Em julho, o país exportou 3,050 milhões de sacas. Em agosto, o volume saltou para 4,266 milhões de sacas e, em setembro, ficou em 3,894 milhões.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a disponibilidade dos cafés da nova safra começou a aumentar justamente nesse período, após atrasos na colheita provocados pelas chuvas.
“Observamos, desde agosto, o aparecimento dos novos cafés para exportação e o ritmo dos negócios internacionais vem se normalizando, com tendência a crescer e superar o que registramos no ano passado até o fim de 2026”, afirmou.
Liderança dos EUA
No total, o Brasil exportou 29,095 milhões de sacas entre janeiro e setembro, volume 0,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita caiu 8,6%, de US$ 11,065 bilhões para US$ 10,113 bilhões.
Apesar do crescimento observado entre países produtores, os mercados tradicionais continuam concentrando a maior parte das vendas brasileiras.
OsEstados Unidos retomaram a liderança entre os destinos, com 3,805 milhões de sacas e participação de 13,1% no total exportado pelo país. O volume ainda ficou 12,8% abaixo do registrado entre janeiro e setembro de 2025.
A Alemanha aparece em segundo lugar, com 3,307 milhões de sacas, seguida por Itália, com 2,597 milhões; Bélgica, com 2,463 milhões; e Japão, com 1,451 milhão. Entre esses mercados, a Bélgica apresentou o maior crescimento, de 44,5%, enquanto a Itália avançou 11,6%.
A retomada americana ganhou força no terceiro trimestre, especialmente em setembro. No mês, os EUA compraram 625 mil sacas de café brasileiro, alta de 86,4% ante as 335.339 sacas importadas no mesmo período de 2025.
Para Ferreira, do Cecafé, a recuperação das vendas ao mercado americano está relacionada à redução das incertezas comerciais envolvendo as tarifas impostas aos cafés brasileiros.
“Em novembro de 2025, os EUA retiraram a taxação sobre a maior parte do produto brasileiro, mas, até julho deste ano, o café solúvel seguia tarifado. Com a continuidade do trabalho realizado pelo Cecafé e demais entidades do setor, conseguimos reafirmar a isenção dos cafés verdes nas novas investigações ocorridas, obtendo, ainda, a inclusão do café solúvel nas listas de exceção”, afirmou.
