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22/08/2026
4 min

Pakalolo: o que aconteceu com a marca que abria uma loja por semana e vendia 1 milhão de camisetas

Fenômeno da moda jovem dos anos 90, a marca de cores berrantes e mochilas coloridas cresceu em ritmo vertiginoso e vestiu uma geração inteira de adolescentes

Pakalolo: o que aconteceu com a marca que abria uma loja por semana e vendia 1 milhão de camisetas

Em meados dos anos 90, bastava entrar em qualquer escola ou shopping do Brasil para ver alguém vestindo Pakalolo.

Uma camiseta colorida, uma calça de cós alto, e principalmente aquela mochila de cores impossíveis pendurada nas costas. Por alguns anos, a marca foi o uniforme não oficial da adolescência brasileira.

E então, quase do mesmo jeito que apareceu, sumiu.

Qual é a história da Pakalolo

A origem, segundo reconstituição do Estado de Minas, começa longe do Havaí que a marca evocaria.

Em 1986, em São Paulo, um jovem chamado Humberto Nastari não passou no vestibular e resolveu mudar de rumo, entrando no varejo de roupas.

Em 1987, criou uma marca de surfwear alinhada ao clima de praia, esporte e ao imaginário jovem da época: a Ocean Tropical.

A primeira loja foi bem, puxou outras, e a Ocean Tropical acabou virando o nome da própria empresa — uma estrutura que passou a abrigar mais de uma marca.

Foi dentro dela que nasceu a Pakalolo, batizada durante uma viagem ao Havaí. O nome vinha de uma gíria havaiana e trazia embutida uma irreverência que combinava com a proposta: roupa para quem queria se diferenciar na forma de se vestir.

No começo, a marca ainda procurava sua cara, testando estilos. A identidade que ficaria famosa só veio com a virada da década.

A Pakalolo encontrou seu caminho quando apostou tudo no oposto da discrição. Cores fortes, estampas marcantes, referências à cultura pop, um visual que se enxergava do outro lado da rua.

Num Brasil de economia instável no início dos anos 90, a marca vendia leveza e alegria.

O passo decisivo foi conquistar licenças de personagens da Disney e da Warner: Mickey, Minnie e companhia estampados nas peças. Somaram-se comerciais de TV, presença nas revistas de adolescente e um slogan que resumia o espírito. "De bem com a vida".

Com isso, a Pakalolo deixou de ser roupa e virou estilo de vida: leve, divertido, coletivo. Camisetões, calças de cós alto, macacões, moletons, e as mochilas e estojos coloridíssimos que viraram objeto de desejo de qualquer estudante.

O sinal definitivo de que a marca tinha virado fenômeno cultural veio do avesso. O mercado informal começou a copiar o visual da Pakalolo em massa.

Quando foi o auge

Em 1993, a empresa atingiu o auge inaugurando loja atrás de loja — chegou a abrir quase uma unidade por semana e ultrapassou 130 pontos de venda no país, misturando lojas próprias, franquias e forte presença em shoppings e no interior.

A estrutura por trás disso incluía cerca de sete fábricas, mais de 2.000 funcionários e produção em larga escala, que ainda fabricava para outras marcas sob licença.

O volume de vendas explodiu em 1994: a marca colocou 1,2 milhão de camisetas e 300 mil peças de moda praia nas ruas em um único verão. Era, sem exagero, uma das roupas mais vestidas pela juventude brasileira.

Mas dentro desse crescimento vertiginoso já estava plantada a semente do problema. Sete fábricas, milhares de funcionários, dezenas de lojas abrindo em ritmo industrial.

Tudo isso era custo fixo altíssimo, apoiado numa aposta: a de que a febre duraria. Não durou.

Como começou o declínio

A virada de mercado foi quase simultânea em duas frentes, e a Pakalolo ficou exposta às duas.

A primeira foi estética. Lá pela metade dos anos 90, o gosto da juventude migrou. O grunge, o skate, o hip hop e a estética do basquete americano trouxeram uma moda mais urbana, mais escura, mais minimalista.

A segunda foi econômica. A abertura comercial do país trouxe uma enxurrada de produtos importados mais baratos, que pressionaram os preços. Uma empresa com sete fábricas e estrutura pesada não tinha como competir nesse jogo de custo.

A conta começou a não fechar.

Em 1995, as vendas caíram cerca de 20%, e a empresa passou a recorrer a empréstimos bancários para manter o caixa.

A falência foi decretada em 1997 e encerrada em 1999. A marca que vestira uma geração virou processo.

Mas o nome era forte demais para morrer de vez, e aí começa a segunda vida da Pakalolo — feita de tentativas.

Em 2005, foi comprada pelo Grupo Marisol, o conglomerado catarinense de moda infantil (o mesmo da Lilica Ripilica), que apostou na nostalgia.

Em 2009, a Marisol abriu uma loja piloto no Morumbi Shopping, em São Paulo, com uma proposta mais adulta e minimalista

Em 2023, a marca reapareceu ainda de outro jeito: como uma linha fitness digital, de leggings, tops e camisetas esportivas. Mesmo nome, história totalmente diferente.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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