'Papai e mamãe fizeram as pazes': como a IA reaproximou a Apple da Meta
Muse Spark Open roda em computadores com M5 Ultra; colaboração aproxima rivais que passaram anos em disputas sobre privacidade, disse Alexandr Wang ao Axios

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Apple e Meta colaboraram para executar o Muse Spark Open localmente em Macs Studio com M5 Ultra. O modelo tem pesos disponíveis para download e uso comercial sujeito às condições da licença. A aproximação amplia as opções para desenvolver aplicações de IA nos próprios computadores, mas não anuncia uma integração à Siri ou à Apple Intelligence.
Um divórcio de anos entre Apple e Meta parece ter chegado ao fim nesta quinta-feira, 15. Segundo Alexandr Wang, diretor de inteligência artificial da Meta, as companhias trabalham juntas há meses para levar um modelo da dona do Facebook e do Instagram aos computadores da fabricante do iPhone. “Onde faz sentido colaborar e formar parcerias, queremos poder fazer isso”, afirmou ao Axios. "Estamos animados para que a mamãe e o papai voltem a se dar bem", disse ele.
A aproximação ganhou forma com o lançamento do Muse Spark Open, uma IA com pesos disponíveis para download que pode rodar localmente em dois Macs Studio equipados com chips M5 Ultra. O processamento utiliza os próprios computadores, sem depender da nuvem para gerar respostas.
A colaboração abre uma trégua numa relação marcada por disputas sobre privacidade e publicidade digital. Também atende aos interesses das duas empresas: a Meta amplia as possibilidades de uso de seu modelo, enquanto a Apple demonstra a capacidade de seus Macs para executar aplicações avançadas de IA.
Uma IA de 816 bilhões de parâmetros na mesa
O Muse Spark Open tem 816 bilhões de parâmetros no total, dos quais 42 bilhões ficam ativos no processamento. Foi desenvolvido para programação, uso de ferramentas e tarefas que exigem várias etapas, segundo a documentação da Meta.
Os parâmetros são valores ajustados durante o treinamento. A diferença entre o total e a parcela ativa decorre da arquitetura de mistura de especialistas, que seleciona partes do sistema para trabalhar a cada etapa.
Na configuração apresentada, cada Mac Studio oferece até 512 GB de memória unificada. Segundo a Meta, a capacidade combinada permite manter o modelo nas duas máquinas. Trata-se de uma estrutura específica, com computadores de alto desempenho.
A execução utiliza o MLX, conjunto de ferramentas da Apple para trabalhar com modelos de IA em seus chips. A tecnologia permite dividir um modelo entre vários Macs, distribuir o processamento e coordenar a comunicação entre eles. Assim, é possível executar sistemas que excedem a memória de um único computador.
O que muda quando o modelo roda localmente
Em um serviço de IA hospedado, a solicitação é processada na infraestrutura de um fornecedor. Na execução local, o modelo utiliza os equipamentos de quem o instalou. Isso amplia o controle sobre onde as informações são processadas e permite usar aplicações sem depender de uma chamada remota ao modelo.
A mudança também altera a conta. O download dos pesos pode ser gratuito, mas manter o sistema em funcionamento exige máquinas, energia e configuração. A comparação com a nuvem depende da intensidade de uso e da estrutura necessária para atender cada tarefa.
A execução local do modelo tampouco torna toda a aplicação desconectada. Um agente que pesquisa sites ou consulta serviços externos continua precisando acessar essas fontes, mesmo que o raciocínio seja processado no Mac.
Na documentação do lançamento, a Meta relata testes com alterações em um aplicativo para iOS e edição de vídeo no DaVinci Resolve. São demonstrações divulgadas pela própria companhia.
A privacidade já colocou as empresas em lados opostos
Uma das principais disputas entre as companhias ganhou força em 2021, quando a Apple passou a exigir que aplicativos pedissem autorização para rastrear a atividade dos usuários em serviços de outras empresas.
A mudança atingiu o negócio de publicidade direcionada, que utiliza informações sobre o comportamento das pessoas para selecionar e medir anúncios. A Meta apontou as restrições como um obstáculo para sua operação.
O trabalho atual envolve outra forma de distribuir tecnologia: disponibilizar os arquivos de um modelo para execução na infraestrutura escolhida pelo desenvolvedor. A aproximação nessa atividade não encerra a competição entre as empresas em outras frentes.
Pesos abertos têm condições de uso
A novidade amplia as formas de acesso à família Muse Spark, que também tem versões oferecidas por serviços hospedados. Os pesos são os arquivos com os parâmetros treinados que permitem executar o modelo em outra infraestrutura.
O Muse Spark Open foi publicado sob a Muse Model License. Ela permite diversos usos comerciais gratuitos, com condições. Empresas que oferecem acesso a modelos como serviço e ultrapassam o limite de receita definido na licença precisam firmar um acordo separado com a Meta.
Por isso, pesos disponíveis para download não significam uso irrestrito. Desenvolvedores precisam observar as exigências de atribuição, a política de uso e as regras aplicáveis ao negócio que pretendem construir.
A abertura também dá continuidade a uma promessa anterior. O Muse Spark original, apresentado em abril, chegou como sistema fechado, enquanto a companhia sinalizava futuras versões abertas.
Rodar o Muse Spark Open em um Mac é diferente de incorporá-lo à Siri ou à Apple Intelligence. A colaboração divulgada até aqui trata da execução local do modelo nos computadores, sem anunciar sua adoção nos recursos próprios de IA da Apple.
