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ESGESGACS
07/07/2026
10 min

Para a Dexco, incêndios florestais são o maior risco climático e financeiro

Para a Dexco, incêndios florestais são o maior risco climático e financeiro

Com 180 mil hectares de floresta espalhadas pelo Brasil, a Dexco tem na madeira o principal insumo de seus produtos: ela responde por cerca de70% do resultado do negócio.

Dona de marcas como Deca, Portinari e Duratex e uma das investidas da Itaúsa, a empresa de materiais de construção e casa tem no fogo seu maior risco financeiro e climático.

"Os incêndios florestais são nosso maior risco. Tem uma base de estatística muito grande", afirma Guilherme Setubal, diretor de Relações com Investidores, Institucionais e ESG da Dexco, em entrevista à EXAME.

Segundo o executivo, um fator agravado pelas mudanças climáticas alimenta esse cenário: a seca. "Um dos principais desafios é quantificar financeiramente esse evento extremo, quanto que é o impacto", diz.

Na prática, a decisão antecipa uma tendência do mercado de capitais: investidores têm pressionado por métricas cada vez mais comparáveis relacionadas ao clima e seus resultados financeiros.

Essa mensuração deve ganhar corpo com a publicação do relatório de riscos climáticos baseado no IFRS S1/S2. A obrigatoriedade da divulgação foi retirada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, mas a Dexco decidiu manter o compromisso e prevê a publicação em 2027, com dados referentes ao ano de 2026.

"Faz todo sentido conectar o resultado financeiro ao negócio e à sustentabilidade a curto e longo prazo", garante Setubal.

O risco climático na prática

O estresse hídrico entra nessa mesma conta, mas com uma definição específica. Para a Dexco, o termo não é sinônimo de operar em região com falta de água, mas sim depender de uma fonte externa para fornecer o insumo natural.

Das unidades da companhia, apenas a planta de Metal em São Paulo depende de concessionária. Para mitigar o risco, a empresa recorre a caminhões-pipa em situações emergenciais e também capta cerca de 30% do volume de água usado internamente, por meio de práticas de reúso.

A estimativa é que essas iniciativas evitem a captação de aproximadamente 13 milhões de litros de água por ano da rede pública, somando uma economia de R$ 300 mil.

A busca por ganhos ambientais também tem servido como fonte de eficiência operacional. Por meio do Open Dexco, ecossistema de inovação aberta da companhia, uma parceria com uma startup desenvolveu uma tecnologia de inspeção de painéis por luz, implantada na unidade de Taquari (RS).

Em apenas oito meses de operação, a solução gerou uma economia de R$ 5 milhões em resina, um dos principais insumos da fabricação de painéis.

Resultados aparecem na operação

Os dados fazem parte do Relatório Integrado de Sustentabilidade 2025, divulgado em primeira mão à EXAME, e que fecha o ciclo de cinco anos da estratégia.

A Dexco atingiu 16 das 21 metas estabelecidas para o período (75%).

Os resultados aparecem em diferentes frentes. A matriz energética é hoje composta por 64% de fontes renováveis, impulsionada pela biomassa das próprias florestas, um dos fatores que explicam a redução de 16% nas emissões absolutas de gases estufa nos escopos 1 e 2 em relação a 2020.

Segundo o executivo, o resultado já coloca a companhia em linha com a meta de reduzir 37% das emissões até 2030.

"Agora é sustentar o patamar já alcançado. Se houvesse um recuo, como a aquisição de um ativo com fonte energética mais suja, poderia reverter o indicador", explicou Guilherme.

Parte dessa redução da pegada de carbono também tem origem em uma decisão operacional: a troca de carvão por gás natural na planta de revestimento cerâmico, fruto de um [grifar]investimento de cerca de R$ 2 milhões.

Há também uma conjuntura que Setubal chama de "ressaca da pandemia": a retração do mercado de revestimentos, quando parte da demanda por reformas foi antecipada durante o período de isolamento social. 

Na frente de resíduos, os avanços também foram relevantes. A companhia atingiu o status de Aterro Zero em todas as unidades brasileiras de painéis, metais e revestimentos cerâmicos, reduzindo em 54% a destinação a aterros sanitários e acima da meta global de 50%.

Hoje, 80,4% dos resíduos industriais são reciclados, reaproveitados ou destinados à produção de energia.

Metas nascem do risco, não o contrário

Para o novo ciclo, a Dexco promete uma mudança de método. Até aqui, as metas eram praticamente iguais entre negócios distintos, tanto para a unidade de louças quanto para a de metais ou revestimentos.

Agora, a lógica será invertida. Em vez de definir informações padronizadas para toda a companhia, a estratégia passará a ser guiada pelos riscos materiais identificados em cada operação.

"O IFRS vai apontar a direção", destacou o diretor de sustentabilidade.

Na prática, isso também significa que nem todas as metas do ciclo anterior sobreviveram a essa jornada. Um exemplo são aquelas ligadas a chuveiros elétricos, que foram descontinuadas após a venda da unidade de negócio.

Já o compromisso de certificação ambiental da cadeia de valor de produtos da floresta foi revisitada de 80% para 50% depois que a equipe concluiu que o número original "era muito ousado e que não faria mais sentido", segundo o diretor.

Uma das próximas ambições é avançar na cadeia de valor e inspirar cada vez mais práticas socioambientais positivas.

Se, até aqui, a agenda de sustentabilidade era estruturada em torno de metas corporativas, o próximo ciclo será orientado pelos riscos que podem afetar diretamente seu desempenho financeiro.

“Com uma governança fortalecida, garantimos que o ESG permaneça como eixo fundamental para nossa competitividade e geração de valor para nossos stakeholders”, conclui Setubal. 

AutorSofia Schuck
FonteExame
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