Para além da maquiagem, ela mira escalar a beleza natural e investe R$ 8 mi
A Alva Personal Care, de Joinville (SC), anunciou a compra da feito brasil por R$ 6 milhões e prevê outros R$ 2 milhões em investimentos para expandir a marca de cosméticos premium

Duas histórias de empreendedoras se conectaram em um negócio que soma R$ 8 milhões entre aquisição e investimentos previstos na indústria de cosméticos naturais e produtos de beleza premium.
Sob a liderança de Ananda Boschilia, a Alva Personal Care, de Joinville (SC), incorporou ao seu portfólio, por R$ 6 milhões, a feito brasil, fundada no Paraná pela gaúcha Lena Peron. Outros R$ 2 milhões serão aplicados nos próximos meses. Com faturamento projetado de R$ 56 milhões em 2026, a Alva espera crescer 20% em 2027 e prepara a expansão internacional da marca adquirida.
A negociação ocorre em um setor no qual o Brasil ocupa posição de destaque. Segundo dados da Euromonitor International, o país é o terceiro maior mercado consumidor de beleza e cuidados pessoais do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Em 2025, esse mercado movimentou cerca de R$ 200 bilhões, conforme informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).
Para Ananda, no entanto, a compra representa mais do que uma oportunidade em um mercado bilionário. É também uma inversão de sua trajetória empreendedora. Aos 18 anos, começou a importar cosméticos naturais, quando esses produtos ainda tinham presença limitada nas prateleiras brasileiras. Durante quase uma década, trabalhou com marcas estrangeiras até decidir, em 2018, desenvolver uma linha própria e consolidar a Alva Personal Care.
A aposta ganhou escala. Especializada em produtos formulados com ingredientes de origem natural, a companhia conquistou espaço em categorias como higiene pessoal, cuidados com a pele e maquiagem. Seu principal sucesso comercial é o desodorante cristal, que ajudou a popularizar o negócio e abriu caminho para novos lançamentos. Atualmente, a Alva informa ter comercializado mais de 1,8 milhão de produtos, reunir 320 mil clientes ativos e estar presente em aproximadamente 15 mil pontos de venda no país.
Se a trajetória catarinense começou com uma oportunidade identificada por uma jovem empreendedora, a feito brasil tem raízes em Mandaguaçu, no interior do Paraná, onde nasceu em 2004. Foi ali que Lena Peron desenvolveu uma proposta que combinava ingredientes naturais, biodiversidade, arte e referências à cultura brasileira, transformando cosméticos em produtos com identidade própria.
A fórmula conquistou espaço no segmento premium e, em 2013, levou a feito brasil ao comércio eletrônico da Sephora, tornando-se a primeira marca brasileira vendida pela rede francesa. No ano seguinte, seus produtos também chegaram às lojas físicas.
A brasilidade como passaporte
A aquisição não inclui a estrutura fabril da feito brasil. O acordo contempla a marca e seus ativos de propriedade intelectual, entre eles formulações, conceitos de produtos e designs de embalagens. A estratégia prevê manter as duas marcas com identidades e portfólios independentes, aproveitando a experiência comercial e de gestão da companhia catarinense.
"A feito brasil tem uma identidade muito própria e uma trajetória construída a partir da criatividade e da cultura brasileira. Nossa intenção é preservar esses atributos e ampliar o potencial comercial da marca, com investimentos em produtos, gestão e distribuição", afirma Ananda Boschilia, fundadora e CEO da Alva Personal Care.
O principal desafio será conciliar o cuidado com as formulações e a identidade artística que ajudaram a construir o prestígio da feito brasil com uma estrutura comercial capaz de ganhar escala. A parceria de exclusividade com a Sephora no varejo brasileiro será preservada, assim como o posicionamento premium.
Mas o próximo destino está fora do país. Com histórico de exportações, a feito brasil iniciou registros de propriedade intelectual nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, México e Paraguai. A intenção é ampliar sua presença internacional em 2027, aproveitando a experiência acumulada pela Alva.
O movimento acompanha a expansão da própria indústria brasileira de cosméticos. Segundo a ABIHPEC, as exportações do setor alcançaram US$ 1,06 bilhão em 2025, com crescimento de 20,1% em relação ao ano anterior. Os produtos nacionais chegaram a 189 países, reforçando o potencial de internacionalização de negócios que exploram ingredientes e características da biodiversidade brasileira.
