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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialACS
29/09/2026
4 min

Para CEO da Positivo, Redata é primeiro passo para Brasil virar polo de data centers e IA

Hélio Bruck Rotenberg diz que incentivo melhora a competitividade do país, mas defende avanços em energia, conectividade e formação de profissionais

Para CEO da Positivo, Redata é primeiro passo para Brasil virar polo de data centers e IA
RESUMO +

O presidente da Positivo Tecnologia, Hélio Bruck Rotenberg, afirma que o Redata pode tornar o Brasil mais competitivo na disputa por investimentos em data centers e inteligência artificial. O regime tributário reduz custos de equipamentos para projetos habilitados e, segundo o executivo, pode estimular tanto a expansão da infraestrutura computacional quanto a fabricação nacional de servidores. Para ele, porém, o país ainda precisa avançar em energia, conectividade, segurança jurídica e formação de profissionais.

O Brasil deu o primeiro passo para disputar uma fatia maior do mercado global de data centers e inteligência artificial (IA), na visão de Hélio Bruck Rotenberg, presidente da Positivo Tecnologia. Para o executivo, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) melhora a equação econômica de novos investimentos e pode acelerar a expansão da infraestrutura computacional no país.

"Vemos o Redata como um avanço enorme e muito oportuno para o Brasil. Ele melhora a capacidade de disputar novos investimentos em data centers e, ao mesmo tempo, cria condições para que esse crescimento também fortaleça a indústria de tecnologia instalada no país", afirma Rotenberg em entrevista à EXAME.

A lei prevê benefícios tributários federais para equipamentos destinados a data centers habilitados ao regime. Segundo o presidente da Positivo, a mudança pode reduzir custos para projetos que dependem de servidores, ao mesmo tempo em que mantém espaço para fabricantes nacionais participarem dessa cadeia.

"Quando a indústria nacional tem capacidade de fornecer um determinado modelo, a produção local continuará sendo mais competitiva, e com menos impostos com o Redata", diz.

A corrida por capacidade computacional

O avanço da inteligência artificial aumentou a demanda por infraestrutura capaz de processar grandes volumes de dados. Nesse cenário, os data centers passaram a ser uma peça central para empresas que desenvolvem e utilizam modelos de IA.

A Positivo Tecnologia não opera data centers, mas fabrica servidores no Brasil. Segundo Rotenberg, havia uma demanda represada no mercado, com empresas avaliando expansões de capacidade e novos investimentos antes da mudança tributária.

"Muitos data centers estudavam a expansão de capacidade e novos investimentos. Claramente a questão tributária pesava nessa decisão. Com o Redata, essa equação ficou mais favorável e acredito que veremos movimentos no curtíssimo prazo", afirma.

Para o executivo, o regime também pode ampliar a produção nacional de servidores. A empresa pretende se habilitar ao programa, mas ainda depende da regulamentação e dos critérios de adesão.

O papel da indústria brasileira de servidores

A fabricação de servidores no Brasil não significa produzir todos os componentes localmente. Segundo Rotenberg, tecnologias como GPUs e processadores continuam concentradas em cadeias globais de fornecimento.

"Produzir servidor no Brasil não significa fabricar aqui cada componente que existe dentro dele. GPUs, processadores e outras tecnologias avançadas são produzidos por cadeias globais bastante concentradas", afirma.

O executivo destaca que a etapa nacional envolve engenharia, integração, montagem, configuração, testes, personalização e suporte. Na visão dele, o Redata reconhece essa dinâmica ao permitir acesso a tecnologias importadas e preservar a competitividade da fabricação local.

"O Redata foi muito feliz ao reconhecer essa realidade. Permite o acesso às tecnologias que ainda não são produzidas no Brasil e preserva a competitividade de quem fabrica servidores no país", diz.

O impacto esperado para empresas e pesquisa

Segundo Rotenberg, o efeito inicial do Redata deve aparecer principalmente entre empresas privadas que já têm demanda por capacidade computacional. A expectativa é que a expansão da infraestrutura também gere impactos em universidades, instituições científicas e projetos de inovação.

A legislação estabelece que data centers habilitados disponibilizem parte da capacidade beneficiada ao mercado brasileiro e prevê investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação vinculados aos equipamentos incentivados.

"O setor privado provavelmente sentirá o impacto primeiro, mas o ganho pode se espalhar rapidamente. A tendência é a ampliação da capacidade computacional disponível no Brasil e o fortalecimento da indústria que produz a infraestrutura necessária para sustentar esse crescimento", afirma.

O que ainda falta para o Brasil competir

Apesar de considerar o Redata um avanço relevante, Rotenberg afirma que o incentivo tributário não resolve sozinho todos os desafios para atrair grandes projetos de data centers.

"Para competir globalmente, o país precisa combinar competitividade tributária com energia disponível e competitiva, boa conectividade, segurança jurídica, profissionais qualificados e agilidade para colocar os projetos em operação", diz.

O executivo afirma que o Brasil já reúne parte desses ativos e vê uma oportunidade de crescimento nos próximos anos para data centers, servidores e infraestrutura de inteligência artificial.

"Acredito que os próximos cinco anos podem ser muito fortes para os data centers no Brasil e, consequentemente, para o mercado de servidores. Se houver avanços nessas outras frentes com a mesma determinação, será possível atrair novos investimentos e ampliar a infraestrutura de inteligência artificial no país", afirma Rotenberg.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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