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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
01/10/2026
3 min

Para cofundador da Apple, falta de filhos (e não de empregos) é o risco da IA

Enquanto o cofundador da Apple ironiza a troca de relacionamentos humanos por robôs, estudos apontam como a busca por companhia e validação em chatbots tem gerado dependência afetiva

Para cofundador da Apple, falta de filhos (e não de empregos) é o risco da IA
RESUMO +

Steve Wozniak, cofundador da Apple, publicou uma provocação sobre como a inteligência artificial poderia substituir humanos: pessoas se apaixonariam por chatbots, com os quais não podem ter filhos. A mensagem, publicada no X em 29 de setembro, termina com “humor?”. O comentário se relaciona ao debate sobre vínculos afetivos com IA, mas não apresenta evidências de efeitos sobre a natalidade.

A inteligência artificial poderia substituir humanos por um caminho diferente da automação do trabalho: fazendo as pessoas se apaixonarem por chatbots, com os quais não podem ter filhos. Essa é a provocação de Steve Wozniak, cofundador da Apple, em uma publicação no X (antigo Twitter) na terça-feira, 29.

O comentário aproxima o debate sobre o futuro da IA de um fenômeno já documentado: os vínculos românticos que usuários desenvolvem com sistemas de conversa. Wozniak apresenta a ideia como sua perspectiva sobre a substituição de humanos e encerra a mensagem com “humor?”, entre parênteses.

A publicação não apresenta dados ou uma previsão demográfica. A sugestão de que relacionamentos com máquinas poderiam afetar a continuidade da população aparece como uma brincadeira, não como conclusão de pesquisa.

A paixão pelo chatbot já existe

A relação afetiva com a tecnologia, porém, vai além da provocação. Como a EXAME mostrou no relato de uma usuária brasileira, conversas frequentes com o ChatGPT podem assumir um sentido de companhia e intimidade. A entrevistada afirma manter consciência de que interage com uma inteligência artificial.

Uma publicação da Universidade Northeastern, de 28 de setembro, também aborda os riscos desse tipo de vínculo. O trabalho discutido pela instituição relaciona o uso de chatbots para companhia e apoio emocional a problemas como apego semelhante à dependência e reforço de crenças prejudiciais.

Segundo os pesquisadores, a tendência dos modelos de concordar com o usuário pode alimentar essas relações. Respostas acolhedoras e validação constante dão a impressão de compreensão, embora não demonstrem que o sistema sinta empatia.

A equipe ressalta que os efeitos não são iguais para todos: vulnerabilidade, apoio social e motivos para procurar um companheiro digital podem variar. O trabalho não comprova a hipótese sugerida por Wozniak sobre pessoas deixarem de ter filhos por se apaixonarem por chatbots.

“Mesmo que simulem acolhimento, validação e apoio, eles na verdade não sentem isso”, afirma Andreia Sofia Teixeira, pesquisadora da Northeastern, em entrevista ao veículo da universidade.


AutorTamires Vitorio
FonteExame
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