Para Goldman Sachs, IA impacta 1 em cada 10 empregos nos EUA

A revolução da inteligência artificial (IA) generativa deve redesenhar o mercado de trabalho dos Estados Unidos e colocar a maior economia do mundo diante de uma mudança de grande escala, que pode repercutir para outros países ao redor do mundo à medida que a tecnologia avança.
Projeções que circulam entre investidores indicam que cerca de 15 milhões de trabalhadores podem ser deslocados de suas funções atuais. Esse número representa, aproximadamente, 9% da força de trabalho nos EUA, segundo dados do Goldman Sachs divulgados pelo Business Insider (BI).
Ao que o banco indica, o movimento não significa uma perda permanente de empregos, mas sim uma reorganização das funções. Em outros momentos, como no avanço da internet nos anos 2000, mudanças parecidas também foram vistas, seguidos por novas vagas em outros setores.
IA pode deslocar 15 milhões de trabalhadores nos EUA
O chefe da equipe de economia global do Goldman Sachs Research, Joseph Briggs, vê que o impacto da IA deve ser entendido mais como uma redistribuição de trabalhadores do que como uma eliminação de vagas. Ele lembra que, ao longo dos últimos 80 anos, cerca de 85% do crescimento do emprego veio da criação de novas funções na área.
Esse movimento de renovação constante também aparece nos dados atuais do mercado de trabalho dos EUA. Todos os anos, o país cria cerca de 30 milhões de empregos e elimina outros 29 milhões. O impacto da IA poderia, assim, ser absorvido caso o ritmo de criação de vagas avance apenas 5% acima do padrão atual.
Só que os primeiros efeitos da automação já começam a aparecer em setores mais expostos. Áreas como tecnologia, consultoria de gestão e design gráfico já registram impacto estimado de 10 mil a 15 mil empregos a menos por mês em relação ao crescimento potencial, conforme indicam os dados.
Adoção da IA nas empresas ainda enfrenta barreiras
Apesar do avanço rápido das ferramentas de IA, a adoção nas empresas tende a ser mais lenta. O pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Neil Thompson, destaca que a existência da tecnologia não significa aplicação imediata em larga escala. A tendência é de uma automação parcial.
Os principais obstáculos, na visão dele, são os do acesso a dados sensíveis e restrições de privacidade, especialmente em áreas como a medicina. Além disso, o custo dessas soluções ainda precisa cair para tornar viável a substituição de tarefas humanas em grande volume.
IA deve transformar funções, não apenas eliminar empregos
Um exemplo citado para ilustrar esse processo é o impacto do GPS sobre motoristas de táxi. A tecnologia reduziu a vantagem do conhecimento local, pressionou rendimentos no início, mas também ampliou o número total de motoristas e abriu novas formas de atuação, de acordo com as fontes.
Thompson, por exemplo, descreve a IA como uma "maré crescente", algo que pode ser observado com antecedência e para o qual trabalhadores e empresas podem se adaptar. A ideia é de uma convivência gradual entre pessoas e sistemas automatizados, com a produtividade ganhando mais peso.
Dados dos EUA mostram desaceleração do mercado de trabalho
Esse cenário de transformação tecnológica acontece ao mesmo tempo em que os dados do mercado de trabalho estadunidense mostram sinais de desaceleração. Em junho, a economia dos EUA criou 57 mil vagas, cerca de metade do esperado pelos analistas na divulgação do Payroll.
Além disso, os números de abril e maio foram revisados para baixo em 74 mil postos, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,2%. Os economistas parecem não saber ainda se os dados já indicam os primeiros efeitos da inteligência artificial sobre o emprego ou se tratam de algo pontual.
