Para Itaú BBA, Equatorial (EQTL3) está mal precificada

As ações da Equatorial(EQTL3) estão no zero a zero no acumulado do ano e para o Itaú BBA, o papel está mal precificado.
Em relatório, os analistas Filipe Andrade e Lucas Guimarães avaliam que um dos motivos para a performance fraca e inferior à dos pares no último ano é a dinâmica de rotação setorial, com investidores utilizando a Equatorial como fonte de recursos pra aumentar exposição a empresas com maior sensibilidade à volatilidade dos preços de energia.
Um tom mais pessimista em torno das discussões regulatórias do segmento de distribuição ao longo do último ano e a dificuldade do mercado em precificar a companhia após a transação envolvendo a Sabesp também são apontados como fatores que pressionaram EQTL3 recentemente.
Apesar do fraco desempenho dos papéis, os analistas do Itaú BBA consideram que a companhia continuou fortalecendo seus fundamentos – o que sustenta a visão positiva do banco.
“A Equatorial melhorou seu balanço patrimonial e perfil de alavancagem, criando espaço adicional para investimentos orgânicos no segmento de distribuição, ao mesmo tempo em que preservou uma posição confortável para perseguir futuras oportunidades inorgânicas”, escreveram os analistas em relatório.
O banco elevou o preço-alvo das ações de R$ 48,70 para R$ 53,30 no fim de 2026, o que implica um potencial de valorização de 40,2% sobre o preço de fechamento da última quarta-feira (27). A recomendação de compra foi mantida.
Nesta quinta-feira (28), EQTL3 opera em alta. Por volta de 15h15 (horário de Brasília), as ações da companhia subiam 1,55%, a R$ 38,58.
Por que compra EQTL3?
Para os analistas do Itaú BBA, o valuation atual da companhia abriu uma “janela de oportunidade” para os acionistas.
“O valuation atual é uma oportunidade de adquirir uma plataforma de distribuição de alta qualidade e geração composta de valor, operada por uma das melhores equipes de gestão do setor, além de uma exposição indireta à Sabesp negociada com desconto”, avaliaram Filipe Andrade e Lucas Guimarães.
Em relatório, o banco destaca que a tese de investimento da Equatorial se apoia em dois pilares: o potencial de geração de valor composto do portfólio de distribuição e a exposição indireta à Sabesp(SBSP3).
Juntos, os pilares sustentam tanto novo preço-alvo quanto a Taxa de Interna de Retorno (TIR) real implícita de 12%, segundo o Itaú BBA.
O banco ainda avalia que a Equatorial se destaca por sua capacidade comprovada de navegar junto ao regulador, tanto em situações de estresse quanto na captura de valor incremental por meio de melhores condições regulatórias.
“A Equatorial é amplamente reconhecida como uma das operadoras mais fortes do segmento de distribuição no Brasil e como uma das alocadoras de capital mais disciplinadas e geradoras de valor do setor”, diz o relatório.
Além disso, os analistas consideram que a participação da Equatorial na Sabesp representa uma das oportunidades de arbitragem ‘mais atraentes’ do setor de utilities brasileiro.
“Nos preços atuais, o mercado implica que a Equatorial é ou uma das ações mais baratas do setor brasileiro de utilities ou o veículo listado mais barato para investidores obterem exposição à Sabesp”, acrescentam os analistas.
Sabesp ‘contamina’ valuation
Ainda em relatório, a dupla de analistas do Itaú BBA destaca que desde o anúncio da Equatorial como acionista de referência da Sabesp, em 28 de junho de 2024, as ações EQTL3 acumulam queda de 21%, excluindo a marcação a mercado da SBSP3, mesmo com uma melhora relevante no desempenho operacional e financeiro.
Isso porque, segundo os analistas, a participação na Sabesp introduz dois principais efeitos nos resultados financeiros da Equatorial: equivalência patrimonial, que corresponde a 15% do lucro líquido da Sabesp, além de dividendos de juros sobre capital próprio (JCP) do investimento.
“Na nossa visão, isso cria distorções relevantes em algumas das principais métricas de valuation da companhia”, avaliam Filipe Andrade e Lucas Guimarães.
Segundo a dupla, um dos exemplos da “contaminação” é o dividend yield [rendimento do dividendo, em tradução livre]. “Dadas as restrições sobre distribuição de dividendos da Sabesp até 2030, a Equatorial reconhece equivalência patrimonial que não será totalmente convertida em distribuição de caixa nos próximos anos e, como resultado, lucro contábil e geração efetiva de caixa podem divergir de forma relevante”, explicam os analistas.
Outra distorção também ocorre na métrica de valor de mercado sobre a linha de lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (EV/Ebitda). Nesse caso, a equivalência patrimonial geralmente é excluída do Ebitda por muitos investidores, segundo os analistas.
Para eles, uma das principais complexidades do caso da Equatorial é que a Sabesp não deve ser vista apenas como uma fonte adicional de fluxo de caixa ou dividendos, mas sim como um ativo listado e líquido, com valuation observável no mercado.
“Mesmo considerando o acordo de lock-up vigente até o fim de 2029, o valor da participação da Equatorial deveria acompanhar ao longo do tempo o valuation de mercado da Sabesp”, diz o relatório.
Nas contas do banco, a Sabesp negocia a cerca de 8 vezes EV/EBITDA, enquanto empresas globais comparáveis do setor de saneamento costumam negociar mais próximas de 10 a 12 vezes EV/EBITDA.
“Qualquer reprecificação do múltiplo da Sabesp poderia, portanto, se traduzir em uma valorização relevante do valor implícito da participação da Equatorial, reforçando a assimetria atualmente observada no valuation da companhia”, acrescenta a equipe.
