Paraguai pede revisão de cotas do acordo Mercosul-UE

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, defendeu nesta segunda-feira uma revisão da distribuição das cotas de exportação previstas no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE).
Segundo ele, os países dobloco sul-americano precisam adotar uma postura mais flexível para garantir uma participação considerada mais equilibrada ao Paraguai.
Durante a abertura oficial da Expo Paraguai 2026, principal feira agropecuária, industrial e comercial do país, Peña afirmou que as condições logísticas enfrentadas pelos exportadores paraguaios justificam um tratamento diferenciado na divisão das cotas.
Segundo o presidente, cada contêiner exportado pelo Paraguai percorre centenas de quilômetros adicionais até chegar aos portos de embarque, o que aumenta os custos em relação aos demais integrantes do Mercosul.
Em seu discurso, o presidente afirmou que uma participação mais equilibrada nas cotas de exportação não representa um privilégio, mas um direito do Paraguai.
Peña também respondeu às críticas de que o governo paraguaio estaria adotando uma posição inflexível nas negociações.
Segundo ele, o Paraguai demonstrou disposição para o consenso ao apoiar a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia após mais de duas décadas de negociações. Agora, afirmou, espera que os demais países do bloco adotem a mesma postura para atender às reivindicações paraguaias.
Acordo entrou em vigor de forma provisória
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passou a vigorar de forma transitória em maio, após ser concluído em janeiro deste ano, encerrando um processo de negociação que se estendeu por cerca de 25 anos.
Segundo Peña, o apoio do Paraguai foi decisivo para a conclusão das negociações e, por isso, o país espera participar de forma mais equilibrada dos benefícios previstos no tratado.
"Não emprestamos nosso voto para que o bloco ganhasse e o Paraguai ficasse olhando", afirmou o presidente.
*Com EFE
