Paramount concorda em pausar fusão com a Warner após ordem do Judiciário

Um juiz federal dos Estados Unidos prorrogou nesta quinta-feira, 23, por mais 14 dias, a ordem que impede a conclusão da fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Com a decisão, o acordo não poderá ser fechado antes de 18 de agosto. A compra, avaliada em US$ 111 bilhões, foi bloqueada nesta segunda-feira, 20, por uma decisão da juíza distrital dos EUA Araceli Martínez-Olguín, em Oakland, na Califórnia.
No entanto, a Paramount informou nesta sexta-feira, 24, que concordou em adiar a conclusão da fusão até junho de 2027, enquanto a ação movida por um grupo de estados americanos continua tramitando na Justiça. A decisão foi comunicada pela empresa em um documento judicial e amplia significativamente o prazo inicialmente imposto pela liminar.
Com a medida, Paramount e Warner Bros. terão de aguardar a análise do processo antes de concluir a transação. A fusão recebeu aprovação do governo do presidente Donald Trump em 12 de junho e, na quarta-feira, 22, também foi aprovada de forma condicional pela União Europeia, mas segue enfrentando contestação judicial nos Estados Unidos.
O processo foi aberto, em 13 de julho, pela Califórnia e outros 11 estados, que tentam impedir a fusão entre as companhias. A contestação sustenta que a combinação de dois dos cinco maiores estúdios de Hollywood reduziria a concorrência na distribuição de filmes e de conteúdo destinado à TV por assinatura.
Justiça ainda analisará pedido de liminar
A Writers Guild of America também entrou com uma contestação separada contra a operação. O sindicato argumenta que a fusão poderia pressionar os salários de roteiristas e resultar em uma maior uniformização de conteúdos.
A ordem inicial de bloqueio havia sido emitida na segunda-feira e suspendia temporariamente o avanço do negócio enquanto a Justiça analisava o pedido de liminar. A juíza Araceli Martínez-Olguín marcou para 3 de agosto a audiência que discutirá se a suspensão deve ser mantida por tempo indeterminado.
Na decisão, a magistrada afirmou que os estados apresentaram "questões sérias relacionadas ao mérito" da ação. A Paramount defende uma audiência mais ampla para ouvir testemunhas, enquanto os procuradores-gerais pedem uma decisão mais rápida sobre o pedido de liminar.
Fusão colocaria 27% do mercado sob controle da nova empresa
Segundo a ação judicial, a companhia formada pela união de Paramount e Warner Bros. passaria a controlar 27% do mercado de filmes com amplo lançamento nos cinemas.
Os dois estúdios também concentrariam, segundo as alegações apresentadas no processo, mais de 30% dos blockbusters, produções de grande orçamento destinadas a alcançar ampla distribuição e público.
Com a conclusão da operação, quatro empresas concentrariam mais de 90% desse mercado: a companhia resultante da fusão, Walt Disney, Universal e Sony Pictures Entertainment.
Se for concluído, o negócio, avaliado em cerca de US$ 110 bilhões, deverá redesenhar a indústria global de entretenimento e mídia, criando um dos maiores conglomerados do setor.
Paramount pode pagar taxa diária à Warner
O acordo de fusão estabelece que a Paramount tem até 4 de junho de 2027 para concluir a aquisição — prazo que agora coincide com o adiamento aceito pela companhia durante o processo judicial.
A partir de 30 de setembro, a Paramount deverá pagar à Warner Bros. uma taxa diária de US$ 7 milhões caso a operação continue pendente, conforme previsto no contrato firmado entre as empresas.
