Paramount considera vender canais infantis para viabilizar fusão com Warner

A possível fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery enfrenta um dos seus últimos testes regulatórios na Europa. Para evitar entraves à aprovação do negócio de US$ 110 bilhões, a Paramount sinalizou que pode abrir mão de ativos ligados à TV infantil caso a União Europeia entenda que a operação reduz a concorrência no setor.
Segundo fontes familiarizadas com as negociações ouvidas pela Bloomberg, a companhia ainda espera concluir a transação sem precisar vender ativos.
A análise da Comissão Europeia, que tem até 7 de julho para aprovar a operação ou abrir uma investigação aprofundada, tornou-se uma das etapas decisivas para a concretização do acordo. Se concluída, a transação colocará sob o mesmo grupo algumas das marcas mais influentes da indústria global de entretenimento, mídia e streaming.
TV infantil em análise
Uma das principais preocupações regulatórias envolve a combinação de ativos como Nickelodeon, da Paramount, e Cartoon Network, da Warner Bros. Discovery. As duas estão entre as marcas de conteúdo infantil mais conhecidas da Europa, mercado em que aproximadamente metade dos canais voltados ao público infantil pertence a grupos americanos.
Para especialistas, esse segmento pode se tornar o principal foco da análise antitruste. Segundo Jennifer Rie, analista da Bloomberg Intelligence, a Comissão Europeia deverá examinar especialmente a atuação conjunta das empresas na distribuição de canais infantis para operadoras e plataformas da região.
"Haveria preocupações se as participações de mercado combinadas ultrapassassem 40% em qualquer país", explicou.
Cinemas também acompanham o caso
Além da TV infantil, a fusão desperta atenção da indústria cinematográfica. Operadores de cinema têm defendido garantias sobre as chamadas janelas exclusivas de exibição — período em que os filmes permanecem apenas nas salas antes de chegarem aos serviços de streaming.
De acordo com fontes próximas ao processo, autoridades europeias consultaram recentemente exibidores para avaliar os possíveis impactos da união entre os estúdios sobre o setor.
O catálogo da fusão
Vale lembrar que a aquisição reúne ativos de grande relevância na indústria do entretenimento. Sob o mesmo controle ficariam estúdios responsáveis por franquias e produções como Harry Potter, Missão Impossível e Casablanca, além de marcas como HBO Max, CNN, CBS, Nickelodeon e Cartoon Network.
O negócio também representa uma vitória estratégica para o CEO da Paramount, David Ellison, que superou concorrentes, principalmente a Netflix, ao longo de meses de negociações. Caso receba sinal verde dos reguladores globais, a transação dará à família Ellison o controle de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.
Próximos passos
Pelas regras europeias, eventuais problemas concorrenciais precisariam ser apresentados nas próximas semanas para serem avaliados ainda durante a fase inicial da análise. Caso as preocupações não sejam resolvidas, a Comissão poderá abrir uma investigação de segunda fase, prolongando a decisão por cerca de três meses.
Enquanto isso, o negócio também segue sob escrutínio no Reino Unido e nos Estados Unidos. Embora reguladores americanos pareçam inclinados a aprovar a operação, procuradores-gerais de estados liderados pela Califórnia continuam avaliando possíveis medidas para contestar a fusão.
A Paramount afirmou que segue colaborando de forma "construtiva e transparente" com os órgãos reguladores e não comentou detalhes da investigação em andamento.
