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05/06/2026
4 min

Parasita ameaça rebanho já escasso dos EUA, mas pode abrir caminho para importações de gado do México, vê BTG

Parasita ameaça rebanho já escasso dos EUA, mas pode abrir caminho para importações de gado do México, vê BTG

O avanço da mosca-da-bicheira-do-novo-mundo (New World Screwworm – NWS) nos Estados Unidos representa uma nova ameaça para um mercado de gado que já enfrenta oferta restrita e margens pressionadas, avalia o BTG Pactual.

Segundo os analistas do banco, a confirmação da presença do parasita a cerca de 40 quilômetros da fronteira do Texas — além de um caso suspeito reportado dentro do estado — pode agravar ainda mais a escassez de bovinos para abate no país.

Após a notícia, as ações da JBS e da Tyson Foods passaram a operar sob pressão. Na visão do banco, o cenário é negativo para ambas as companhias, já que uma eventual disseminação da doença pode reduzir a disponibilidade de animais, elevar os preços do gado e pressionar ainda mais as margens de um setor que já atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história.

O Texas concentra o maior rebanho bovino dos Estados Unidos e respondeu por 17% do abate nacional nos últimos 12 meses. Tanto a JBS quanto a Tyson possuem unidades de grande porte no estado, localizadas a cerca de 500 quilômetros da fronteira mexicana.

Segundo o BTG, embora essa distância reduza o risco imediato de contaminação, ela não elimina os efeitos indiretos de uma oferta menor de gado na região.

No caso da Tyson, a preocupação é ainda maior porque a companhia já reduziu a atividade de sua planta no Texas para apenas um turno no início deste ano, diz o banco. Mesmo operando abaixo da capacidade total, a unidade ainda representa cerca de 15% da capacidade de abate da empresa. A situação é semelhante para a JBS, cuja planta de Cactus, no Texas, responde por aproximadamente 15% de sua capacidade de abate nos Estados Unidos.

Já a National Beef, controlada pela MBRF, deve sentir impactos limitados, uma vez que não possui operações no Texas, segundo o BTG. Por outro lado, a Pilgrim’s Pride pode ser beneficiada indiretamente, já que uma eventual alta dos preços da carne bovina tende a aumentar a competitividade do frango frente à proteína vermelha, ainda conforme o banco.

Os analistas destacam que a NWS não representa risco para a segurança alimentar, pois não contamina a carne. O principal problema está na disponibilidade dos animais. O parasita deposita larvas em feridas abertas dos bovinos e, quando não tratado, pode levar os animais à morte entre sete e 14 dias. Além disso, os primeiros sinais da infestação podem passar despercebidos durante os primeiros dias, dificultando o controle da doença.

Embora existam tratamentos disponíveis, eles exigem isolamento individual dos animais e remoção manual das larvas. A única estratégia considerada comprovadamente eficaz para erradicação da doença é a Técnica do Inseto Estéril (Sterile Insect Technique), processo que levou nove anos para eliminar a praga dos Estados Unidos na década de 1960.

O ‘fator positivo’

Apesar dos riscos, o BTG vê um possível fator positivo no episódio. Caso a presença da doença seja confirmada em território americano, o argumento utilizado para manter suspensas as importações de gado mexicano perde força. Como os animais importados passam por inspeções na fronteira, a continuidade das restrições poderia ser questionada, diz o banco.

Uma eventual reabertura da fronteira com o México poderia adicionar cerca de 1,5 milhão de cabeças de gado ao mercado americano, volume que, segundo o banco, seria mais do que suficiente para compensar os efeitos de uma infestação da NWS no Texas. Esse cenário ajuda a explicar a queda recente dos preços do gado nos Estados Unidos após a divulgação da notícia.

Ainda assim, o banco ressalta que a medida não resolveria o problema estrutural enfrentado pelos frigoríficos. As margens do setor seguem próximas das mínimas históricas e a retenção de novilhas — etapa importante para a reconstrução do rebanho — continua ocorrendo em ritmo mais lento do que o esperado. Com isso, o ambiente de rentabilidade pressionada deve persistir por mais alguns anos.

Diante desse cenário, o BTG continua considerando o setor de proteína bovina nos Estados Unidos pouco atrativo do ponto de vista de alocação de capital.

A JBS segue como a única recomendação de compra do banco, principalmente por apresentar uma avaliação mais atrativa em relação aos pares. Ainda assim, os analistas ponderam que a empresa não se destaca como uma forte tese de geração de alfa, devido à pressão persistente sobre as margens de seus principais negócios.

O banco mantém recomendação neutra para MBRF e Pilgrim’s Pride e segue com recomendação de venda para Tyson Foods.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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