Passaporte brasileiro é o 49º mais 'poderoso' do mundo, diz ranking

O Brasil avançou uma posição no Global Passport Index 2026 e passou a ocupar o 49º lugar no ranking dos passaportes mais "poderosos" do mundo. Na América Latina, o país aparece em segundo lugar, atrás apenas do Chile.
O levantamento foi divulgado nesta terça-feira, 29, pela consultoria internacional Global Citizen Solutions (GCS). Diferentemente de classificações que consideram apenas o acesso a outros países, o índice avalia fatores como mobilidade internacional, oportunidades de investimento e qualidade de vida dos países.
O Brasil alcançou nota geral de 82,4, em uma escala de até 100 pontos, enquanto o Chile ficou com 83,1 pontos.
Segundo o estudo, a posição brasileira é impulsionada pelo desempenho em mobilidade internacional e pelos indicadores de qualidade de vida.No entanto, os critérios relacionados às oportunidades econômicas e de investimento ainda limitam uma colocação mais elevada, cenário observado em diversos países latino-americanos.
Mobilidade internacional
Entre os pilares analisados, a mobilidade internacional é o principal destaque do passaporte brasileiro. O país lidera a América Latina nesse indicador e ocupa a 43ª colocação mundial, com nota 90,7. O relatório atribui esse resultado à política de reciprocidade diplomática adotada pelo Brasil.
Em janeiro de 2026, a retomada definitiva da exigência do e-Visa para cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália foi estendida também a países como México, França e Argentina.
No mesmo período, o governo brasileiro ampliou acordos de facilitação de entrada. Em maio de 2026, entrou em vigor a isenção recíproca de vistos para estadias de até 30 dias entre Brasil e China. Antes disso, em fevereiro, o país passou a permitir a entrada sem visto para portadores de passaportes comuns de oito nações, entre elas Irlanda, Dinamarca, Hungria, Jamaica, Santa Lúcia e Bahamas.
O estudo ressalta, porém, que a futura implementação do sistema ETIAS, na Europa, deverá acrescentar custos e uma etapa de autorização prévia para viagens ao continente, fator que pode influenciar a percepção sobre a força do passaporte brasileiro.
Os 20 passaportes menos poderosos do mundo; Brasil está na lista?Cenário econômico
No quesito investimentos e oportunidades econômicas, o Brasil aparece na 81ª posição mundial, com nota 43,9, mantendo a segunda melhor colocação da América Latina, atrás apenas da Guiana.
O levantamento destaca o desempenho intermediário em acesso a mercados, onde o país ocupa a 50ª posição global, e em riqueza financeira, na 78ª colocação. O Brasil também apresenta o melhor índice de inovação entre as maiores economias latino-americanas.
Por outro lado, a tributação sobre a pessoa física, posicionada na 89ª colocação e baseada em uma alíquota de 27,5%, e a Renda Nacional Bruta per capita, na 85ª posição, são apontadas como os principais fatores que reduzem a atratividade econômica do Brasil no índice.
Na dimensão de qualidade de vida, o Brasil alcançou a 37ª colocação mundial, com nota 75. O resultado foi impulsionado pelos indicadores de custo de vida e satisfação pessoal, ambos na 36ª posição global. Já os índices relacionados ao desempenho ambiental e ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aparecem nas 53ª e 63ª colocações, respectivamente, embora permaneçam acima da média registrada pelos demais países da América Latina.
O relatório também aponta para uma evolução dos fundamentos brasileiros ao longo dos últimos cinco anos. Nesse intervalo, a Renda Nacional Bruta per capita utilizada pelo modelo passou de US$ 14.900 para US$ 18.900, indicando melhora nesse indicador.

Critérios avaliados pelo índice
De acordo com o Global Passport Index 2026, o Brasil obteve desempenho superior à média latino-americana em todos os critérios analisados. Apesar da evolução nos pilares de mobilidade, investimentos e qualidade de vida, a posição do país ainda acompanha o desempenho geral da região, que permanece concentrada na metade inferior do ranking global.

