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09/07/2026
3 min

Patente verde da Marcopolo transforma resíduos industriais em insumos para produção

Patente verde da Marcopolo transforma resíduos industriais em insumos para produção

A Marcopolo, fabricante de carrocerias para ônibus, acaba de obter a sua primeira patente verde. Trata do desenvolvimento da Massa Hefesto, uma tecnologia aplicada como material de vedação na fabricação de ônibus.

A solução substitui insumos convencionais por uma composição que reaproveita resíduos industriais e incorpora sílica extraída da casca de arroz, um resíduo agrícola utilizado como matéria-prima renovável.

A tecnologia foi desenvolvida entre 2024 e 2025 em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Polímeros (ISI Polímeros) e a Ciaflex, companhia de borracha, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Segundo a companhia, o projeto buscou criar uma alternativa para reduzir o desperdício de materiais, ampliar a circularidade dos insumos utilizados na produção e diminuir a dependência de matérias-primas de origem fóssil.

De acordo com Felipe Biondo, coordenador de Confiabilidade do Produto da Marcopolo, a iniciativa surgiu da necessidade de encontrar uma destinação para resíduos gerados na própria operação da empresa. "A Massa Hefesto nasceu da busca por uma destinação mais sustentável para resíduos gerados em nosso processo produtivo. Conseguimos transformar esse desafio em uma solução inovadora, que combina reaproveitamento de materiais, uso de matéria-prima renovável e desempenho técnico", conta.

Patente verde da Marcopolo: cerca de duas toneladas de resíduos industriais ao ano devem deixar de ir para aterro sanitário (Marcopolo/Divulgação)

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Bionde afirma que a conquista da primeira patente verde da Marcopolo representa um importante reconhecimento do trabalho e da estratégia de inovação sustentável da fabricante.

Durante o desenvolvimento da tecnologia, a empresa realizou estudos que apontaram redução superior a 50% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao material. Segundo os dados divulgados, as emissões passaram de cerca de 1,7 tonelada para aproximadamente 831 quilos de dióxido de carbono equivalente (CO₂e). A companhia também afirma que houve redução superior a 50% no consumo de recursos fósseis empregados na composição do produto.

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Além do impacto ambiental, a Marcopolo destaca efeitos operacionais. A estimativa é que aproximadamente duas toneladas de resíduos industriais por ano deixem de ser destinadas a aterros por meio do reaproveitamento incorporado à Massa Hefesto.

Em uma das linhas produtivas avaliadas, o potencial de redução dos custos com descarte é estimado em cerca de R$ 27 mil por ano.

Para João Gheller Junior, gerente de Operações do Instituto SENAI de Inovação em Polímeros, o projeto evidencia o papel da colaboração entre empresas e centros de pesquisa no desenvolvimento de soluções para resíduos industriais. "Conseguimos desenvolver e validar uma solução capaz de reaproveitar resíduos industriais e incorporar matérias-primas renováveis sem comprometer o desempenho do produto, gerando benefícios ambientais, econômicos e tecnológicos para a cadeia produtiva", afirma.

A patente verde representa o primeiro registro desse tipo obtido pela Marcopolo e marca a incorporação de uma tecnologia voltada ao reaproveitamento de resíduos dentro da produção da fabricante de ônibus.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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