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InvestMercadosACS
06/11/2026
4 min

Payroll e reação de Wall Street dão fôlego ao Ibovespa; dólar sobe

Mercado reage a emprego forte nos EUA e pausa do Copom, enquanto tecnologia ensaia recuperação no exterior nas cotações do futuro

Payroll e reação de Wall Street dão fôlego ao Ibovespa; dólar sobe

O Ibovespa operava perto da estabilidade com viés de alta nesta sexta-feira, 6, em meio à forte aversão a risco no exterior e às dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro. Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice da B3 subia 0,21%, aos 166.404 pontos. Na quinta-feira, 5, o indicador havia recuado 0,82%, aos 166.191 pontos, acompanhando a forte onda de aversão a risco que levou o Nasdaq a despencar mais de 5%.

O dólar comercial também registrava leve alta de 0,27%, a R$ 5,504, no mesmo horário.

Entre as ações de maior peso, Vale (VALE3) opera estável com ligeira queda de 0,11%, assim como Petrobras, que opera perto da estabilidade, com PETR4 em baixa de 0,24% e PETR3 recuando 0,31%. O Itaú (ITUB4) registra alta de 0,63%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) avança 0,24% e BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) sobe 0,69%.

Cosan (CSAN3) lidera as principais altas, com avanço de 5,60%, seguida por Sabesp (SBSP3), que sobe 4,67%, Allos (ALOS3), alta de 2,99%, e Yduqs (YDUQ3) e MRV (MRVE3), com ganhos de 2,65% e 2,44%, respectivamente.

Na ponta negativa, Vivara (VIVA3) despenca 8,36%, Fleury (FLRY3) cai 3,55% e Localiza (RENT3) cai 2%. O ranking é seguido or Lojas Renner (LREN3), que recua 1,78%, após divulgação do balanço, na noite de quinta, e Vibra (VBBR3), com queda de 1,57%.

No Brasil, investidores continuam digerindo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 13,75% ao ano e interromper uma sequência de cinco cortes. A piora das expectativas para inflação e a depreciação do real após a eleição reduziram o espaço para novas flexibilizações.

O mercado também repercute um payroll muito acima do esperado nos Estados Unidos, que criaram 165 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em outubro, bem acima das 65 mil esperadas por economistas consultados pela imprensa internacional. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%.

Os números mostram um mercado de trabalho mais resistente do que o previsto e podem reforçar a cautela do Federal Reserve (Fed), banco central americano, diante de novos ajustes de juros.

Copom e fiscal limitam recuperação do Ibovespa

A Monte Bravo avalia que o cenário doméstico permanece desafiador diante da combinação de atividade mais fraca, inflação esperada mais alta e falta de medidas concretas para as contas públicas de 2027.

"A decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% reforça que a preservação da credibilidade monetária passou a ser prioritária. Sem uma melhora relevante das expectativas, possivelmente associada a um ajuste fiscal consistente, a tendência é de manutenção dos juros nas próximas reuniões", afirma a casa.

A instituição também chama atenção para a indefinição fiscal após a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com economistas ontem, 5. Segundo a Monte Bravo, a ausência de anúncios prolonga a incerteza sobre a política econômica do próximo mandato.

Nasdaq futuro tenta reação após tombo de 5,5%

Nos Estados Unidos, os futuros de tecnologia tentam recuperar parte das fortes perdas da véspera. Antes do payroll, o Nasdaq 100 futuro subia cerca de 1,6% e o S&P 500 futuro avançava 0,3%, enquanto o Dow Jones futuro caía aproximadamente 0,9%.

Micron avançava perto de 9% no pré mercado depois de cair 17% na quinta-feira, enquanto Nvidia ganhava cerca de 3% após recuar 9% na sessão anterior.

A recuperação ocorre depois que o Nasdaq despencou 5,5% e entrou em território de correção, pressionado pelas dúvidas sobre os investimentos bilionários em inteligência artificial e infraestrutura de centros de dados.

Bolsas da Europa caem com tecnologia sob pressão

As bolsas europeias operam em queda hoje. O Stoxx 600 recua 1,69%, enquanto o DAX, de Frankfurt, perde 2,35%. O FTSE 100 cai 1,99%, o CAC 40 cede 1,69% e o FTSE MIB recua 1,28%.

O movimento acompanha a aversão a risco global após o forte tombo das empresas de tecnologia em Wall Street e na Ásia, com investidores reavaliando o ritmo dos investimentos ligados à inteligência artificial (IA).

Bolsas da Ásia caem com Nikkei despencando quase 6%

Na Ásia, o Nikkei 225 caiu 5,96%, enquanto o Hang Seng perdeu 1,27% e o índice de Xangai recuou 1,10%. O S&P ASX 200, da Austrália, caiu 0,49%. Na direção contrária, o Nifty 50, da Índia, avançou 2,01%.

Petróleo opera perto da estabilidade

Já os preços do petróleo apresentam variações moderadas nessa sexta-feira. O West Texas Intermediate (WTI, referência de preços dos EUA) sobe 0,30%, a US$ 90,79 por barril, enquanto o parâmetro global Brent avança 0,12%, a US$ 98,41.

A commodity continua sensível aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, mas acumula forte correção na semana após ter negociado acima de US$ 100 por barril.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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