Payroll: EUA criam 162 mil vagas em agosto, quase 3 vezes o esperado
Serviços e educação puxaram as contratações, enquanto setor de informação perdeu vagas

O mercado de trabalho americano surpreendeu em agosto e contrariou o enfraquecimento observado nos meses anteriores. A economia dos Estados Unidos criou 162 mil vagas fora do setor agrícola, quase três vezes as 55 mil previstas por analistas.
A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, exatamente em linha com o consenso, com 7 milhões de pessoas ainda sem trabalho, segundo dados do payroll divulgados nesta sexta-feira, 4, pelo Bureau of Labor Statistics (BLS).
O payroll de julho, que havia sido divulgado com perda de 23 mil vagas e alimentado receios sobre o mercado de trabalho, foi revisado para uma criação de 21 mil postos. Junho também foi revisado para cima, de 20 mil para 31 mil empregos.
Com as revisões, a criação de vagas em junho e julho ficou 55 mil postos acima do que havia sido informado anteriormente, alterando a leitura sobre o ritmo de contratações no início do terceiro trimestre. O próximo payroll, referente a setembro, será divulgado em 2 de outubro.
Payroll reforça aposta sobre próximos passos do Fed
O coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita, disse que o resultado reforça a percepção de resiliência do mercado de trabalho americano. "Resultado (veio) bastante acima da expectativa do mercado", e a revisão positiva dos dados de julho "também melhora a leitura sobre o mercado de trabalho."
O economista destaca ainda a importância do dado para a próxima decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, sobre os juros. "Os dados ganham ainda mais relevância porque, neste mês, o Federal Reserve terá uma nova decisão de política monetária, e tanto o mercado de trabalho quanto a inflação seguem entre os principais vetores acompanhados pelo banco central."
Após a divulgação do payroll, a reação dos mercados refletiu a percepção de que a economia americana segue apresentando força. "Houve uma leve abertura da curva de juros americana, refletindo a leitura de um mercado de trabalho ainda forte em um cenário de inflação resiliente", na avaliação do especialista.
Para Yamashita, o movimento também teve impacto sobre o câmbio. "Esse movimento também contribuiu para o fortalecimento do dólar, com o índice da moeda americana avançando cerca de 0,3% pela manhã. Frente ao real, o dólar subia aproximadamente 0,46%, negociado na casa de R$ 5,12."
Serviços e educação puxam contratações
Bares, restaurantes e a educação do governo local puxaram a geração de empregos em agosto. O setor de alimentação e bebidas respondeu sozinho por 59 mil vagas, quase cinco vezes a média mensal do último ano, enquanto a educação do governo local contratou 42 mil pessoas.
A indústria também teve desempenho positivo, com a manufatura acumulando 58 mil vagas desde o ponto mais baixo, registrado em dezembro de 2025, e adicionou mais 16 mil postos em agosto. Fábricas de máquinas e de produtos metálicos responderam pela maior parte do avanço, com 6 mil contratações cada.
A construção civil teve crescimento mais discreto, com 22 mil vagas, concentradas em empreiteiras de obras não residenciais principalmente.
A saúde, setor que vinha sustentando boa parte das contratações nos últimos meses, perdeu força relativa. Foram 13 mil vagas em agosto, abaixo da média de 32 mil postos mensais do último ano. Os serviços de home care e os hospitais responderam pela maior parte das contratações.
Setor de informação registra perda de vagas
Na ponta negativa, o setor de informação foi o único a registrar perda relevante de empregos. Foram fechadas 23 mil vagas em agosto, acima da média de 8 mil perdas mensais do último ano.
As reduções ocorreram entre provedores de infraestrutura de computação e processamento de dados, editoras e empresas de radiodifusão e conteúdo.
Mineração e extração de petróleo e gás, comércio, transporte e armazenagem, atividades financeiras, serviços profissionais e empresariais e assistência social tiveram pouca ou nenhuma variação relevante no mês.
Salários sobem dentro do esperado
Os salários avançaram em linha com as projeções do mercado, e a remuneração média por hora chegou a US$ 37,75, alta de 0,3% ante julho, exatamente como o consenso previa. Em 12 meses, o avanço foi de 3,1%, um pouco acima da expectativa de 3%.
Entre trabalhadores de produção e não supervisores, o ganho médio chegou a US$ 32,53, também com alta de 0,3% no mês.
A jornada de trabalho teve leve alta, para 34,4 horas semanais em média. Na indústria, a jornada ficou em 40,5 horas, enquanto as horas extras permaneceram estáveis em 3,1 horas.
Desemprego tem diferenças entre grupos
Por trás da taxa geral estável, a pesquisa domiciliar do BLS mostra diferenças entre grupos, com o desemprego caindo entre trabalhadores de origem asiática, para 3,2%, mas subiu entre adolescentes, para 14,1%.
As taxas entre negros (6%) e hispânicos (4,8%) ficaram acima da média nacional, enquanto a de trabalhadores brancos ficou em 3,7%. Entre adultos, a taxa foi de 4% para homens e 3,5% para mulheres.
O grupo de desempregados de longo prazo, sem trabalho há 27 semanas ou mais, somou 1,9 milhão de pessoas, equivalente a 27% de todos os desempregados do país.
Outro dado foi a queda de 414 mil no número de trabalhadores em regime parcial por razões econômicas, grupo que passou a somar 4,4 milhões de pessoas. São profissionais que prefeririam trabalhar em período integral, mas tiveram a jornada reduzida ou não encontraram vagas de tempo integral.
A taxa de participação da força de trabalho subiu de 61,4% para 61,6%, embora ainda esteja 0,5 ponto percentual abaixo do nível de janeiro. A relação entre emprego e população ficou em 59,1%.
