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InvestMercados
02/10/2026
4 min

Payroll nos EUA, indústria e eleição no Brasil: o que move os mercados

As negociações nesta sexta-feira, 2, marcam a última sessão antes do primeiro turno das eleições presidenciais, que acontece no domingo, 4

Payroll nos EUA, indústria e eleição no Brasil: o que move os mercados

A agenda econômica desta sexta-feira, 2, concentra as atenções dos investidores no mercado de trabalho dos Estados Unidos, com a divulgação do payroll de setembro.

O dado é especialmente relevante para os mercados porque ajuda a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve em relação aos juros. No Brasil, a produção industrial de agosto também entra no radar, enquanto a Europa divulga a leitura preliminar da inflação de setembro.

O pano de fundo, porém, é de cautela. O Ibovespa encerrou a sessão anterior em alta de 0,46%, aos 187.197 pontos, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, que acompanharam a forte alta do petróleo. No exterior, os juros longos americanos e a escalada das tensões no Oriente Médio limitaram o apetite por risco. O dólar avançou 0,89%, para R$ 5,22, enquanto o Brent fechou acima de US$ 102 por barril.

O que acompanhar

O principal evento da agenda acontece às 9h30, quando o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulga os dados do mercado de trabalho de setembro. O payroll, que mede a criação de empregos fora do setor agrícola, será acompanhado junto com a taxa de desemprego e o salário médio por hora.

Em agosto, os Estados Unidos criaram 162 mil postos de trabalho. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, enquanto o salário médio por hora avançou 0,3% na comparação mensal e 3,1% em 12 meses.

O conjunto dos números será observado pelos investidores em busca de sinais sobre a força da economia americana e, principalmente, sobre o espaço para novos movimentos de juros pelo Federal Reserve (Fed). Um mercado de trabalho mais aquecido pode reforçar a preocupação com pressões inflacionárias, enquanto uma eventual perda de força tende a alimentar as discussões sobre a trajetória da política monetária.

Às 11h, a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, discursa em um evento. A fala também pode ser acompanhada pelos mercados em busca de indicações sobre a avaliação dos dirigentes do banco central americano para a economia e os juros.

Antes dos dados americanos, às 6h, o Eurostat divulga a leitura preliminar da inflação ao consumidor da zona do euro em setembro.

Em agosto, o índice havia avançado 0,4% na comparação mensal e 3,2% em 12 meses. O novo dado entra no radar dos investidores em um momento em que os mercados acompanham a trajetória dos preços e seus possíveis efeitos sobre a política monetária europeia.

No Brasil, o principal indicador do dia será divulgado às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção industrial de agosto dará uma nova fotografia sobre o ritmo da atividade econômica.

Em julho, a indústria cresceu 0,2% na comparação mensal, mas registrou queda de 0,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado de agosto será acompanhado pelos investidores para avaliar a evolução da atividade doméstica.

Mais cedo, às 5h, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulga o IPC-Fipe de setembro. O indicador havia registrado alta de 0,01% em agosto.

A agenda econômica desta sexta-feira chega em um ambiente de forte pressão no mercado de petróleo. Na quinta-feira, o Brent para dezembro subiu 4,37%, a US$ 102,31 por barril, enquanto o WTI avançou 2,71%, para US$ 92,87.

Eleição entra na reta final

Além da agenda econômica, o mercado brasileiro chega à última sessão antes do primeiro turno das eleições presidenciais, que acontece no domingo, 4. A proximidade da votação mantém o cenário eleitoral no radar dos investidores e deve aumentar a sensibilidade dos ativos às pesquisas e às notícias políticas ao longo do dia.

No sábado, estão previstas novas pesquisas eleitorais da CNT/MDA, Palver, Quaest e AtlasIntel. Os levantamentos serão divulgados na véspera da votação.

No calendário do Banco Central, o presidente Gabriel Galípolo tem duas reuniões institucionais em São Paulo. Pela manhã, entre 11h e 12h, ele recebe Marcelo Noronha, diretor-presidente do Bradesco, além de executivos do banco. À tarde, das 14h às 15h, reúne-se com Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank. As duas agendas são fechadas à imprensa.

Também nesta sexta-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) discute a inclusão de 11 novos setores na Plataforma Continental Estendida, na Margem Equatorial brasileira. A área poderá se tornar uma nova província petrolífera do país.

AutorClara Assunção
FonteExame
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