Payroll, varejo na Europa e balança comercial do Brasil: o que move os mercados
O principal destaque da agenda econômica desta sexta-feira, 4, é o relatório de emprego (Payroll) de agosto dos EUA

Os mercados chegam à última sessão da semana com os olhos voltados para os Estados Unidos. O principal destaque da agenda econômica desta sexta-feira, 4, é o relatório de emprego (Payroll) de agosto, que pode influenciar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed) em relação aos juros.
Na Europa, os investidores acompanham dados de atividade, enquanto, no Brasil, a balança comercial encerra a agenda econômica do dia.
O que acompanhar
Às 9h30 (horário de Brasília), o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulga os dados do Payroll e da taxa de desemprego referentes a agosto.
Em julho, a economia americana registrou uma perda de 23 mil postos de trabalho, e o mercado espera agora a criação de 55 mil vagas. A taxa de desemprego avançou para 4,1% no mês anterior, e a expectativa é de manutenção nesse nível.
Além da criação de vagas, os investidores estarão atentos ao comportamento dos salários. O salário médio por hora subiu 0,1% em julho na comparação mensal e 3,2% em 12 meses. O dado é relevante para as perspectivas de inflação e, consequentemente, para a trajetória dos juros americanos.
O mercado chega ao Payroll depois de uma sessão em que as apostas sobre a política monetária do Fed foram alteradas por declarações de Christopher Waller, diretor da autoridade monetária. Os investidores reduziram as apostas em uma alta dos juros americanos neste mês, movimento que ajudou as bolsas de Nova York a fecharem em alta na quinta-feira.
O Dow Jones subiu 1,18%, enquanto o S&P 500 avançou 1,06% e o Nasdaq ganhou 1,40%. A leitura dos dados de emprego desta sexta-feira, portanto, pode ajudar a definir o tom dos mercados ao longo do dia.Antes dos dados americanos, a agenda internacional começa na Alemanha, às 3h, com a divulgação das encomendas à indústria de julho pelo Destatis. Em junho, o indicador havia registrado alta de 3,1% na comparação mensal.
Às 6h, o Eurostat divulga as vendas no varejo da zona do euro em julho. Na leitura anterior, as vendas recuaram 0,3% na comparação mensal, mas avançaram 0,7% em 12 meses. Para julho, a projeção é de alta de 0,3% na comparação mensal.
No mesmo horário, Philip Lane, membro do Comitê Executivo do Banco Central Europeu (BCE), fará um pronunciamento. As falas de autoridades monetárias também entram no radar dos investidores em busca de sinais sobre os próximos passos da política de juros na região.
Nos Estados Unidos, às 14h, a Baker Hughes divulga a contagem de sondas ativas no país. O indicador é acompanhado pelo mercado de petróleo por refletir o nível de atividade do setor de óleo e gás.
Na última divulgação, foram registradas 447 sondas de perfuração e 588 plataformas na contagem total. Uma mudança relevante nesses números pode oferecer sinais sobre a produção futura de petróleo e gás nos Estados Unidos.
No Brasil, o principal indicador da agenda será divulgado às 15h. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apresenta os dados da balança comercial de agosto.
Em julho, o país registrou superávit de US$ 7,07 bilhões. Para agosto, a expectativa do mercado é de saldo positivo de US$ 7,14 bilhões. O resultado será acompanhado pelo mercado de câmbio e também pode ajudar a medir o desempenho do setor externo brasileiro.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também estará em Basileia, na Suíça, onde participa pela manhã de uma reunião bilateral com Benoit Mojon, chefe de Análise Econômica do Banco de Compensações Internacionais (BIS). O encontro será fechado à imprensa. À tarde, Galípolo terá despachos internos.
Ibovespa interrompe sequência de altas
No mercado doméstico, a sexta-feira começa depois de uma sessão de forte volatilidade. Após 11 pregões consecutivos de alta, o Ibovespa interrompeu a sequência nesta quinta-feira, em um movimento de realização de lucros.
O principal índice da B3 chegou a subir quase 2% durante a manhã, aos 188.891,50 pontos, mas perdeu força ao longo do dia e encerrou em ligeira queda de 0,01%, aos 185.188,13 pontos. O volume financeiro somou R$ 26,2 bilhões.
A interrupção veio depois de uma alta de 3,05% na quarta-feira, a maior valorização diária desde março. No acumulado das 11 sessões anteriores, o Ibovespa havia avançado pouco mais de 11%.
No exterior, o dólar recuou diante de outras moedas e o índice DXY caiu 0,65%. No Brasil, o dólar à vista terminou a sessão em queda de 0,07%, a R$ 5,105, na quarta queda consecutiva.
O petróleo, por sua vez, fechou praticamente estável após acumular alta de aproximadamente 7% na semana. O Brent para novembro caiu 0,12%, a US$ 95,52 por barril, enquanto o WTI para outubro avançou 0,32%, a US$ 91,30. O mercado continua monitorando as tensões envolvendo o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais da commodity.
