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Mundo
01/07/2026
4 min

PCC é a maior organização criminal internacional do hemisfério, segundo os EUA

PCC é a maior organização criminal internacional do hemisfério, segundo os EUA

Os Estados Unidos disseram considerar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a maior organização criminal transnacional do Hemisfério Ocidental, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 1.

"O PCC é atualmente a maior organização criminosa transnacional (OCT) do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão", disse o Departamento do Tesouro, em comunicado, ao anunciar sanções contra brasileiros acusados de lavarem recursos do grupo.

"Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a alvo desta investigação se envolvem em tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fluxos de receita para o PCC˜, afirma o comunicado.

Em outro trecho do comunicado, o governo americano chama o PCC de "maior gangue criminal da América Latina".

Sanções a brasileiros

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1, que aplicou sanções contra empresas e pessoas por ligação com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital).

A lista de alvos tem o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, de Santos, SP e Stella Nunes Henrique de Oliveira, que é sua parente, foi sua secretária e é sócia de uma empresa com ele. As seguintes empresas também foram sancionadas:

  • Pixwave Soluções de Pagamentos LTDA
  • Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia LTDA
  • Wave Construções Inteligentes
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal LDA (baseada em Portugal)

Os alvos das sanções são acusados pelo governo americano de operar uma rede de lavagem de dinheiro que teria recebido mais de US$ 190 milhões em sete meses.

A rede atuaria principalmente na Flórida e em São Paulo, segundo o Departamento do Tesouro, que impõe as sanções. Em janeiro de 2026, o FBI prendeu na Flórida seis pessoas acusadas de participar do esquema, que teriam ligação com o grupo de criminosos em São Paulo. Shimada é apontado como chefe do esquema.

A lavagem teria sido feita por meio de um esquema envolvendo uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico, além de criptoativos. Com isso, o dinheiro obtido com o tráfico nos Estados Unidos era trazido de volta ao Brasil, em benefício do PCC. Stella é apontada como colaboradora do esquema. Os dois foram alvo de sanções, assim como as empresas utilizadas no esquema.

“Essa designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”, disse Gene Lange, subsecretário interino para Terrorismo e Inteligência Financeira. “Não podemos permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade.”

Esta é a primeira designação de sanções a pessoas ou empresas brasileiras por ligação com facções desde que os grupos PCC e Comando Vermelho foram designados como terroristas, no final de maio.

O governo brasileiro foi contrário à medida, por entender que essa designação abriria espaço para medidas dos Estados Unidos contra o Brasil, com risco para o ambiente de negócios no país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, defendeu a medida e fez um pedido direto ao presidente Donald Trump, em maio, para que ela fosse adotada.

Entenda as sanções

As sanções são punições aplicadas pelos Estados Unidos a pessoas e empresas no exterior, por uma série de razões. Neste caso, elas estão relacionadas ao combate ao crime organizado e ao terrorismo. Os americanos consideram que o tráfico de drogas é uma forma de terrorismo.

Quem é colocado na lista de sanções baseadas nesta lei fica impedido de entrar nos Estados Unidos e tem seus bens no país congelados, inclusive recursos em contas bancárias.

Ao mesmo tempo, essas pessoas não podem realizar transações financeiras com empresas sediadas ou com negócios nos EUA. Isso dificulta o acesso a cartões de créditos ou viajar com companhias aéreas americanas, por exemplo.

Empresas que desrespeitarem a regra e fizerem negócios com pessoas sob sanção podem ser punidas pelo governo americano.

A aplicação dessas sanções depende apenas de um ato administrativo do governo americano, sem a necessidade de um processo judicial. A decisão é feita pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), parte do Departamento do Tesouro. A punição tem início imediato, após ser anunciada, e duração indeterminada.

A retirada da lista de sanções pode ser feita se ficar comprovado que a pessoa atingida deixou de participar de atividades irregulares, foi processada de forma adequada por seus crimes ou se o fim da punição atende aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.

AutorRafael Balago
FonteExame
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