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Sacre Investimentos
Exame INACS
02/10/2026
7 min

Pé no freio ou no acelerador? Os planos dos maiores CEOs do Brasil para 2027

Em entrevista EXAME Insight durante o Melhores e Maiores, líderes de EMS, Havan, Gerdau e Rede D’Or detalham planos de aquisições, expansão internacional e novos hospitais — e o que pode mudar o ritmo dos investimentos

Pé no freio ou no acelerador? Os planos dos maiores CEOs do Brasil para 2027
RESUMO +

Em 2027, a varejista Havan definirá o ritmo de expansão após as eleições, enquanto a farmacêutica EMS priorizará a incorporação da Medley e novas aplicações para sua plataforma de peptídeos. A siderúrgica Gerdau manterá investimentos no Brasil e nos Estados Unidos. A rede hospitalar Rede D’Or abrirá unidades em São Paulo por meio da Atlântica D’Or, parceria com o banco Bradesco.

Havan espera o resultado das eleições para definir a velocidade de expansão em 2027. A EMS quer incorporar a Medley, ampliar sua presença internacional e transformar a tecnologia das canetas emagrecedoras em uma plataforma para novos medicamentos. A Gerdau seguirá investindo no Brasil e nos Estados Unidos, com prioridades diferentes em cada mercado. Já a Rede D’Or tem um calendário de novos hospitais em São Paulo, apoiado na parceria com o Bradesco.

Nas entrevistas ao EXAME Insight durante o Melhores e Maiores, os principais empresários do país expuseram decisões que vão orientar o próximo ano. Há projetos em construção, aquisições sob análise e mercados ainda em prospecção. O ponto de encontro entre as estratégias é a preocupação com o retorno do capital: quando investir, onde crescer e quanto tempo esperar até que uma nova operação comece a se pagar.

As respostas também mostram que a disposição de acelerar depende do setor. Enquanto a Havan vincula o ritmo de abertura de lojas ao cenário político, a Rede D’Or avança com obras que já têm previsão de inauguração. Na indústria, a EMS aposta em investimentos iniciados há mais de uma década, e a Gerdau busca conciliar o fortalecimento da operação americana com a recuperação da competitividade brasileira.

https://youtu.be/4z5aQsmu4pg

Havan: expansão à espera das urnas

Luciano Hang condiciona o ritmo de expansão da Havan em 2027 ao resultado das eleições. O empresário atribui a posição financeira da varejista à contenção dos investimentos e à redução do endividamento nos últimos anos — medidas que, segundo ele, permitiram atravessar o período de juros altos mantendo a capacidade de financiar clientes e executar projetos.

O balanço de 2025 mostra lucro líquido de R$ 1,49 bilhão, o maior da história da companhia, e a quitação das dívidas com bancos. Neste ano, em que completa 40 anos, a Havan prevê faturar R$ 22 bilhões e inaugurar 15 lojas, encerrando dezembro com 203 unidades. O número supera a meta de chegar a 200 lojas, mas ainda está abaixo do potencial estimado por Hang: entre 300 e 400 unidades no Brasil.

A velocidade dessa expansão permanece em aberto. Questionado sobre acelerar ou frear no próximo ano, o empresário respondeu: “Depende das eleições”. “A gente tem que estar muito ligado à hora de acelerar e à hora de frear”, afirmou.

Fora do Brasil, a Havan estuda entrar no Paraguai, onde Hang se reuniu com autoridades do governo, e no Uruguai, com Montevidéu entre as possibilidades. 

EMS: primeiro a Medley, depois novas aquisições

Para Carlos Sanchez, presidente do conselho do Grupo EMS, a prioridade imediata é concluir a compra da Medley, anunciada em março. O negócio, estimado em cerca de R$ 3,2 bilhões, ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em setembro, a área técnica do órgão declarou a operação complexa e decidiu aprofundar a análise concorrencial, especialmente em medicamentos contra enxaqueca e estimulantes da ovulação.

Na entrevista, Sanchez afirmou que a empresa está disposta a abrir mão das moléculas que suscitaram preocupações. Uma delas, segundo o empresário, exige uma solução mais elaborada porque envolve um produto da Medley licenciado à Organon. A conclusão dessa discussão será determinante para que a farmacêutica possa passar da negociação à integração. “No primeiro momento, nós temos que incorporar a Medley. Esse é o nosso grande foco”, disse. A aquisição se soma a uma operação que encerrou 2025 com receita líquida de R$ 9,3 bilhões e lucro líquido de R$ 546 milhões. Para 2027, a EMS trabalha com crescimento orgânico de 20%, antes de incorporar a Medley.

Ao mesmo tempo, Sanchez mantém duas frentes internacionais no radar. No México, o grupo já tem uma pequena empresa e está registrando medicamentos na autoridade sanitária local. A intenção é preparar o portfólio enquanto procura oportunidades para ampliar sua presença. Na Sérvia, onde atua por meio da Galenika, busca aquisições para avançar da segunda posição no mercado, segundo o empresário, para a liderança.

A aposta tecnológica vai além dos medicamentos para emagrecimento. Sanchez vê as canetas como a primeira aplicação de uma plataforma de peptídeos que poderá dar origem a novas drogas e indicações. A EMS informa ter investido mais de R$ 1,2 bilhão em dez anos nesse projeto, cuja fábrica em Hortolândia tem capacidade inicial para produzir até 20 milhões de canetas por ano. “A caneta emagrecedora é a ponta do iceberg”, afirmou. “Muitas novas drogas e novas aplicações virão dos peptídeos.”

Gerdau: fortalecer os Estados Unidos e ganhar competitividade no Brasil

Na Gerdau, a decisão para 2027 passa por duas operações que vivem condições distintas. Gustavo Werneck, CEO da companhia, pretende continuar fortalecendo o negócio nos Estados Unidos e investir em competitividade no Brasil. “As duas geografias são importantes”, afirmou. “Nos Estados Unidos, a gente está muito bem e vai seguir fortalecendo a nossa operação. Aqui no Brasil, investimentos para seguir continuamente buscando competitividade.”

Os resultados ajudam a explicar essa divisão de prioridades. No segundo trimestre de 2026, a Gerdau registrou Ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, com margem de 19,2%, e lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. O plano de investimentos para o ano é de R$ 4,7 bilhões.

A operação americana tem sustentado boa parte do desempenho. No segundo trimestre, seu Ebitda chegou a cerca de R$ 2,6 bilhões, enquanto o negócio brasileiro gerou R$ 705 milhões, apesar da melhora em relação aos três meses anteriores. A concorrência do aço importado continua entre as preocupações da administração no Brasil.

Em entrevista, Werneck concentrou a discussão nas condições para investir. Defendeu a redução da burocracia e dos custos de operar no país, usando o ambiente de negócios americano como referência. Também apontou a implementação da reforma tributária como uma agenda que deve avançar independentemente de quem vencer as eleições.

Rede D’Or: novos hospitais e retorno mais rápido

Na Rede D’Or, escolhida empresa do ano no Melhores e Maiores, o próximo ciclo já tem obras e cidades definidas. Jorge Moll, fundador e controlador do grupo, destacou a expansão da Atlântica D’Or, parceria com o Bradesco, sobretudo no estado de São Paulo. Segundo Moll, o hospital de Ribeirão Preto deve ser inaugurado no fim de 2026. Para 2027, a previsão é abrir Taubaté no meio do ano e, possivelmente, Sorocaba no fim do ano. Jundiaí também integra a próxima etapa de expansão.

O avanço ocorre em uma companhia que registrou receita líquida de R$ 14,91 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 5,6% sobre um ano antes. O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,28 bilhão, e os investimentos somaram R$ 888,3 milhões, crescimento de 31,4%.

Para Moll, a parceria com o Bradesco ajuda a enfrentar uma das principais despesas de abrir um hospital: o período entre a inauguração e o momento em que a operação alcança o equilíbrio financeiro. O credenciamento junto às operadoras e o acesso aos pacientes permitem ocupar os hospitais mais rapidamente. Segundo o empresário, as unidades construídas pela Atlântica D’Or têm atingido esse equilíbrio em menos de seis meses. “Você abre o hospital e, às vezes, gasta quanto gastou no hospital até ele alcançar o breakeven”, afirmou.

AutorPedro Gil
FonteExame
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