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InvestMercados
27/07/2026
4 min

Pedido dos Emirados coloca avião militar no centro de novo recorde da Embraer

Pedido dos Emirados coloca avião militar no centro de novo recorde da Embraer

A Embraer (EMBJ3) fechou o segundo trimestre com a maior carteira de pedidos de sua história: US$ 34,5 bilhões, alta de 16% em um ano. É o tipo de manchete que a companhia já vinha repetindo — foi o sétimo recorde na sequência. Mas, para os analistas que abriram os números divulgados na noite da última sexta-feira, o dado mais revelador não é o tamanho do backlog. É o preço.

Bastou um único contrato para mudar a leitura: a compra de 10 cargueiros C-390 Millennium pelos Emirados Árabes Unidos, anunciada em maio e agora incorporada à carteira. Foi ele que fez a divisão de Defesa & Segurança saltar de US$ 4,4 bilhões para US$ 6,1 bilhões em três meses — um avanço de 39% no trimestre — e levou o book-to-bill do segmento (a razão entre pedidos captados e entregas) a 2,6x, ante 1,2x no primeiro trimestre.

A conta que os bancos fizeram

Ao dividir o aumento da carteira de Defesa pelo número de aviões firmes encomendados pelos Emirados, dá para estimar quanto a Embraer conseguiu cobrar por unidade. E o resultado surpreendeu.

O BTG Pactual chegou a um valor implícito de aproximadamente US$ 170 milhões por aeronave. A XP, que na sua conta também considerou a estimativa de receita da divisão de Defesa no trimestre, calculou uma faixa um pouco acima: entre US$ 180 milhões e US$ 190 milhões por avião. As metodologias diferem, mas apontam para a mesma direção, um preço por aeronave que ambas as casas classificam como sinal de rentabilidade sólida.

Para o BTG, esse preço embutido é "um vento favorável relevante para as margens" da Defesa no médio prazo. A XP faz a mesma leitura: o valor por unidade reforça a tração internacional e o posicionamento competitivo do C-390, cargueiro que, com os Emirados, entra pela primeira vez no Oriente Médio.

É uma mudança de patamar para um negócio que, historicamente, foi o menos glamouroso do portfólio da Embraer. A Defesa passou anos como coadjuvante de uma carteira dominada pela aviação comercial. O contrato dos Emirados sugere que a companhia não só está vendendo mais cargueiros lá fora como também está conseguindo preço.

O que o recorde ainda não conta

Há um segundo detalhe que ajuda a entender por que os dois bancos mantêm recomendação de compra mesmo com a ação já tendo subido. O backlog de US$ 34,5 bilhões ainda não inclui a onda de encomendas anunciada na semana passada no Farnborough Airshow, na Inglaterra.

Pela contagem do BTG, foram mais de 50 aeronaves fechadas no salão. A XP menciona 28 pedidos comerciais que devem entrar na carteira no terceiro trimestre. Ou seja, o recorde deste trimestre já nasce defasado, e o próximo tende a ser ainda maior, puxado pela aviação comercial.

O trimestre, divisão por divisão

Todas as divisões terminaram o período com book-to-bill acima de 1,0x nos últimos doze meses — ou seja, entrou mais pedido do que saiu entrega em toda a linha.

A aviação comercial ficou praticamente estável, em US$ 15,1 bilhões (ante US$ 15 bilhões no trimestre anterior), sustentada pelo pedido da Azorra de 15 jatos E195-E2. O book-to-bill comercial recuou de 3x para 1,8x, refletindo uma janela de pedidos menos intensa no período. A aviação executiva subiu para US$ 7,8 bilhões, com o indicador em 1,1x. E a área de serviços e suporte marcou US$ 5,5 bilhões, seu próprio recorde, com alta de 8% no trimestre.

Nas entregas, a Embraer despachou 65 aeronaves entre abril e junho — 20 comerciais e 45 executivas. Não houve entregas de defesa no trimestre. Segundo a XP, as entregas comerciais no primeiro semestre atingiram 36% do ponto médio do guidance da companhia, em linha com a média histórica, enquanto a executiva veio acima do usual, com 45% do ponto médio, ante uma média de 35%.

Redutor de riscos

Tanto BTG quanto XP mantêm recomendação de compra para EMBJ3. O argumento comum é que a carteira de pedidos funciona como um redutor de risco. Com contratos fechados que dão visibilidade de receita até o fim da década, a Embraer fica menos exposta às incertezas geopolíticas e à volatilidade do preço dos combustíveis que costumam assombrar o setor aéreo.

O que os dois relatórios acrescentam à história já noticiada do "recorde" é a leitura de que, desta vez, o número diz menos sobre volume e mais sobre a capacidade da Embraer de cobrar caro pelo que vende.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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