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InvestMercados
22/07/2026
5 min

Pedidos de R$ 7,2 bi reforçam 'bom momento' da Embraer, dizem bancos

Pedidos de R$ 7,2 bi reforçam 'bom momento' da Embraer, dizem bancos

A Embraer (EMBJ3) desembarcou nesta semana no Farnborough International Airshow, no Reino Unido, principal evento da indústria aeroespacial e de defesa, com uma sequência de anúncios. Em apenas dois dias, a fabricante brasileira anunciou novos pedidos de aeronaves comerciais, acordos estratégicos nas áreas de defesa, manutenção e cadeia de fornecedores, além de parcerias voltadas à expansão de sua atuação global.

O volume de anúncios chamou a atenção de analistas de grandes bancos, que veem as novidades como mais umaevidência do fortalecimento da Embraer em diferentes frentes de atuação.

Para BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), Itaú BBA e Santander, os novos contratos confirmam o avanço da Embraer na aviação regional, ampliam a visibilidade da carteira de pedidos e consolidam a companhia como uma das principais vencedoras do atual ciclo da indústria aeronáutica.

Em meio aos anúncios, as ações da fabricante de aeronaves brasileira subiram 1,88% na segunda, 20, chegaram a cair 0,77%, na terça, 21, mas, nesta quarta, 22, elas voltaram a avançar e perto das 16h subiam 1,44%. Apesar da sucessão de notícias positivas e do consenso favorável entre analistas, no ano, porém, os papéis acumulavam queda de mais de 5%.

Entre os principais anúncios está o pedido do Grupo Abra — controlador de Gol, Avianca e Wamos Air — para a compra de 20 aeronaves E195-E2, além de opções para outras 15 unidades e direitos de compra de mais 10, elevando o potencial do acordo para até 45 aviões. A companhia também anunciou a venda de cinco E195-E2 para a espanhola Binter, três E190-E2 para a Luxair e dois E175 para a japonesa Fuji Dream Airlines.

Na área de carga, a fabricante fechou acordo com a Azorra para a conversão de 20 aeronaves de passageiros em cargueiros E-Freighter, com direitos de compra para outras dez unidades. Em serviços, renovou um contrato de manutenção de longo prazo com a SkyWest para atender uma frota de 271 aeronovaes E175 nos Estados Unidos.

No segmento de defesa, a empresa assinou um memorando de entendimento com a Anduril para estudar a integração do míssil Barracuda-500M ao cargueiro militar C-390 Millennium e anunciou um acordo com a Saab que estabelece as bases para a potencial produção de 20 caças Gripen adicionais no complexo industrial de Gavião Peixoto (SP).

Além disso, firmou uma parceria estratégica com a Mubadala para ampliar sua presença nos Emirados Árabes Unidos em áreas como manutenção, pesquisa e desenvolvimento e formação de mão de obra especializada, além de iniciar uma colaboração com a Strata Manufacturing para avaliar o fornecimento de aeroestruturas em materiais compostos para a família de jatos E2.

Liderança regional

Na avaliação do BTG Pactual, o anúncio envolvendo o Grupo Abra é o mais relevante da feira até agora. Os analistas afirmam que a entrada da Gol na base de clientes da Embraer tem um significado estratégico porque faz com que a fabricante passe a atender as três maiores companhias aéreas brasileiras, nesse caso, Azul, Gol e LATAM.

"O pedido é um símbolo do domínio da Embraer na aviação regional na América do Sul e, mais importante, na aviação brasileira", escreveram os analistas.

Para o banco, o E2 se consolidou como "a plataforma regional vencedora na América do Sul", ao permitir que grandes companhias operem rotas regionais e secundárias com maior eficiência, preenchendo um espaço entre os jatos regionais tradicionais e os aviões de corredor único maiores.

O BTG também afirma que cada novo contrato firmado com grandes grupos reduz os riscos de crédito e de demanda do programa E2 e reforça a tese de investimento da companhia. "O pedido reforça a narrativa comercial construída ao longo do último ano, na qual o E195-E2 vem conquistando uma base cada vez maior de clientes de primeira linha em diferentes geografias".

Na visão da instituição, os anúncios do Farnborough confirmam a expectativa de uma feira forte para a Embraer. "O entusiasmo do Farnborough começa a gerar resultados", destacam os analistas, acrescentando que a companhia continua entre suas principais recomendações por combinar momento operacional favorável e valuation considerado atrativo.

Pedidos reforçam carteira

O Itaú BBA também classificou os anúncios como positivos. O banco estima que os pedidos firmes anunciados durante o Farnborough somem aproximadamente US$ 1,3 bilhão, considerando um desconto de 50% sobre os preços de tabela.

Segundo os analistas, os contratos deverão ser incorporados à carteira de pedidos da companhia no terceiro trimestre de 2026, com entregas previstas para começar já em 2027.

Na avaliação do banco, as notícias ajudam a manter o otimismo do mercado em torno da Embraer durante toda a feira e devem sustentar o bom sentimento dos investidores. O Itaú BBA afirma ainda que a fabricante brasileira segue sendo sua principal recomendação dentro do setor de transportes e bens de capital.

Expansão além da aviação comercial

Para o Santander, embora alguns anúncios individuais sejam de menor porte, o conjunto das iniciativas reforça diferentes pilares da estratégia da companhia.

Os analistas estimam que o pedido de dois E175 da Fuji Dream Airlines possa adicionar cerca de US$ 80 milhões ao backlog da Embraer. Já o acordo com a Azorra, segundo o banco, amplia a vida útil dos E-Jets de primeira geração ao convertê-los em cargueiros, criando potencial para receitas recorrentes da divisão de Serviços & Suporte por um período mais longo.

Na frente de defesa, o Santander avalia que o acordo firmado com a Saab também pode contribuir para a rentabilidade da companhia. "Além disso, com os gastos globais com defesa atualmente em alta, não descartamos a possibilidade de que a Embraer possa receber pedidos adicionais de jatos Gripen no futuro", afirmou o banco.

AutorClara Assunção
FonteExame
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