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Sacre Investimentos
Mundo
19/06/2026
4 min

Pentágono pede US$ 80 bi ao Congresso para custear gastos no Irã, diz jornal

Pentágono pede US$ 80 bi ao Congresso para custear gastos no Irã, diz jornal

A situação das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã está incerta nesta sexta-feira, 19, a data em que os detalhes do acordo deveriam ser divulgados. Em meio a essa indefinição, as consequências econômicas do conflito para os EUA estão pressionando o governo americano.

De acordo com o Wall Street Journal, o Departamento de Defesa do país precisará de US$ 80 bilhões para cobrir os custos da guerra no Irã e outras despesas do Pentágono. Esse valor suplementar não está incluso no orçamento anual de defesa do país de US$ 961,6 bilhões, então precisa ser aprovado pelo Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca antes de ser encaminhado ao Congresso.

Durante a semana, o Secretário Adjunto de Defesa, Stephen Feinberg, fez telefonemas a diversos parlamentares para pressionar essa pauta, segundo o que pessoas familiarizadas com as discussões contaram ao jornal. Ele afirmou que o Pentágono pode começar a ficar sem dinheiro para operações a partir do meio do ano, a menos que o legislativo aprove um projeto de lei de gastos para guerra.

Quanto o Pentágono gastou no Irã?

Ainda no início da guerra, o Departamento de Defesa repassou ao Congresso que os seis dias iniciais de operações custaram ao menos US$ 11,3 bilhões. A partir daí, o Pentágono passou a estimar um ritmo de US$ 1 bilhão por dia em gastos operacionais contínuos.

Em 12 de maio, a Reuters reportou que um alto funcionário do departamentoinformou ao Congresso que o custo total acumulado havia chegado a US$ 29 bilhões, uma alta de US$ 4 bilhões em relação à estimativa de US$ 25 bilhões divulgada apenas duas semanas antes, em 29 de abril.

Caso os US$ 80 bilhões pedidos ao Congresso sejam comprovados e aprovados, juntamente com os US$ 29 bilhões declarados em maio, o gasto do Pentágono relacionado à guerra no Irã será de aproximadamente US$ 109 bilhões.

Custo real pode chegar aos US$ 210 bi

Analistas independentes apontam que as estimativas oficial provavelmente subestima o custo real. Omodelo Penn Wharton projeta entre US$ 40 bilhões e US$ 95 bilhões em custos orçamentários diretos para um conflito de até dois meses, com impacto econômico total podendo chegar a US$ 210 bilhões.

O Centro para o Progresso Americano, usando a metodologia de ciclo de vida da Universidade de Brown, estimou mais de US$ 5 bilhões apenas nos quatro primeiros dias. É média de US$ 1,25 bilhão por dia, incluindo obrigações com veteranos e juros sobre a dívida de guerra, que os números do Pentágono tendem a excluir.

Ao longo dos 108 dias de conflito registrados até 16 de junho, o rastreador Iran War Cost Tracker estima um total de US$ 113,3 bilhões em gastos militares americanos, baseados no valor reportado pelo Pentágono de US$ 1 bilhão por dia.

Como os próprios pesquisadores reconhecem, mesmo esse número captura apenas uma fração do custo real. Programas classificados, reposição de equipamentos destruídos, e décadas de cuidados com veteranos ainda estão por vir na conta.

Impacto de US$ 60,4 bilhões ao consumidor norte-americano

Desde o início dos combates, em 28 de fevereiro, consumidores americanos gastaram US$ 60,4 bilhões a mais com gasolina e diesel do que gastariam em um cenário sem guerra.

O cálculo é do Climate Solutions Lab da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, que mantém um rastreador público atualizado diariamente.

Ele considera apenas oimpacto dos preços de gasolina e diesel, comparando o valor efetivamente pago pelos consumidores com uma estimativa de quanto os combustíveis custariam caso a guerra não tivesse acontecido.

A metodologia dos pesquisadores compara os preços reais de combustível com uma projeção do que seriam esses preços sem o conflito, o chamado "contrafactual sem guerra".

Para calcular o impacto, os pesquisadores criaram um cenário hipotético sem guerra, usando a média dos preços nos 30 dias anteriores ao conflito e ajustes sazonais baseados em dados históricos da Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA).

Os preços reais são coletados diariamente do sistema da AAA, que agrega dados de cerca de 130 mil postos em todo o território norte-americano.

Para cada dia desde o início do conflito, os pesquisadores multiplicam a diferença entre o preço real e o preço estimado sem guerra pelo volume de combustível consumido naquele período. O resultado acumulado é o custo extra imposto ao consumidor.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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