Peru: segundo turno das eleições conta com filha de Fujimori

O segundo turno das eleições gerais do Peru terá neste domingo, 7, um duelo entre o esquerdista Roberto Sánchez e a representante da direita Keiko Fujimori, filha do controverso presidente peruano Alberto Fujimori, considerado por muitos um ditador, que governou o país de 1990 a 2000. Os concorrentes obtiveram, no primeiro turno, 12,03% e 17,17% dos votos, respectivamente.
Essa é a quarta tentativa de Fujimori, agora com 51 anos, nas corridas eleitorais. Na última vez, em 2021, foi derrotada por pouco pelo esquerdista Pedro Castillo, que foi posteriormente removido do cargo e preso por tentar dissolver o Congresso. Mesmo da prisão, Castillo endossa Sánchez, que foi seu ministro de Comércio Exterior e Turismo durante seu breve mandato, contra Fujimori.
E o endosso não é necessariamente uma diferença ideológica entre a esquerda e a direita. O Peru segue dividido sobre a candidata, apesar de ela ter obtido uma maioria relativamente confortável dos votos, o que reflete uma tendência à direita política em toda a América Latina. Mesmo assim, a memória do governo de Alberto Fujimori permanece fresca na mente de muitos eleitores, e o duelo pode resultar em mais votos para Sánchez.
Anti-Fujimorismo
Pessoas protestam contra a candidata Keiko Fujimori em Lima, Peru. (Guadalupe Pardo / Reuters)
Em todo o país, o legado da família Fujimori divide os eleitores. Protestos enchem as ruas pelo país à medida que peruanos se mobilizam contra a candidatura de Keiko Fujimori, temendo o retorno do autoritarismo no Peru e pedindo o fim do Fujimorismo, como ficou conhecido o modo de governança de seu pai.
Os manifestantes consideram Keiko como herdeira direta do regime, cuja ideologia, segundo eles, ainda molda as instituições e a vida pública do país, segundo apuração do TeleSur, um projeto pan-americano financiado por muitos governos da América do Sul que cobre a geopolítica da América Latina. O slogan dos manifestantes é simples e direto: "Nem vazio nem estragado, Fujimori nunca mais."
Esses protestos unem eleitores de todo o espectro político, inclusive direitistas, especificamente contra o legado de Fujimori — para muitos, a eleição não é apenas um duelo entre dois candidatos de ideologias opostas, mas uma luta pela democracia do país. As eleições atuais são especialmente importantes: o Peru enfrenta uma forte crise política e viu nove presidentes nos últimos 10 anos.
Armados com a memória do governo de Alberto Fujimori, que, após sair do cargo, foi condenado a 25 anos de detenção por crimes contra a humanidade, os manifestantes revivem as atrocidades cometidas pelo ex-presidente e fazem conexões entre o regime e a atualidade: acusam Keiko de estar conectada com a repressão recente sob a presidente Dina Boluarte, citando a morte de 50 manifestantes pelo país.
Mesmo assim, Keiko Fujimori tem, nessas eleições, suas melhores chances de vencer, devido às tendências geopolíticas e à alta insatisfação popular com o governo. Além de ser um nome conhecido no país, o que torna sua campanha muito mais suave — apesar das muitas conotações negativas —, Keiko também é vista como uma opção mais concreta e resoluta, diante das preocupações do povo com os altos índices de crime.
Para esse fim, baseia sua campanha em uma única palavra: ordem.
“Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos anti-Fujimori”, disse ela à mídia, fazendo uma única exceção para Alan García, presidente direitista que serviu dois termos não consecutivos, de 1985 a 1990, e de 2006 a 2011. “Todos os outros se concentraram em insultos e em gerar ódio e divisão entre os peruanos”, argumenta.“Acredito que os peruanos querem um Fujimori”, disse ela. “E aqui estou eu.”