Pesquisa do BofA revela o campeão da Copa no bolão dos investidores — e os ativos que estão perdendo espaço nas carteiras

Os gestores de fundos globais continuam apostando na alta dos mercados, mas começaram a demonstrar sinais de maior cautela após meses de forte valorização dos ativos de risco. É o que mostra a edição de junho da Global Fund Manager Survey (FMS), tradicional pesquisa mensal do Bank of America (BofA).
O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 11 de junho com 198 participantes que, juntos, administram US$ 540 bilhões em ativos.
Segundo o BofA, os investidores permanecem firmemente otimistas, mas o sentimento positivo perdeu um pouco de força em relação a maio. Um dos sinais dessa moderação, de acordo com a pesquisa, foi o aumento do nível médio de caixa nas carteiras, que passou de 3,9% para 4,1%.
Para os estrategistas do banco, o histórico da pesquisa sugere que esse movimento ainda não caracteriza um grande topo para os ativos de risco. Em vez disso, o resultado indica que parte dos investidores aproveitou o início do verão no hemisfério norte para reduzir posições e realizar lucros.
Investidores apostam na Espanha para a Copa do Mundo
Como tradicionalmente ocorre em algumas edições da pesquisa, o BofA incluiu uma pergunta fora do universo financeiro.
Questionados sobre quem vencerá a Copa do Mundo de 2026, 22% dos gestores apontaram a Espanha como favorita ao título.
Já a França apareceu em segundo lugar, com 19% das respostas.
Brasil, Argentina e Inglaterra empataram com 8% cada, seguidos por Portugal, com 6%, e Alemanha, com 3%.
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Crescimento global volta a ganhar força
Fora do tema de futebol, a pesquisa do BofA mostrou melhora significativa das expectativas para a economia mundial.
A parcela líquida de investidores que espera uma desaceleração da atividade nos próximos 12 meses caiu para apenas 1%, ante 14% registrados em maio.
As perspectivas para crescimento econômico e lucros corporativos alcançaram os níveis mais elevados dos últimos três meses, reforçando a visão de que a atividade global continua resiliente.
Mesmo assim, os gestores não enxergam um cenário econômico livre de desafios.
A maioria dos participantes, equivalente a 58%, ainda acredita que o mundo caminha para um ambiente de estagflação, caracterizado por crescimento abaixo da tendência histórica e inflação acima do normal.
O percentual, porém, diminuiu em relação aos 69% observados pelo BofA no mês anterior.
Ao mesmo tempo, aumentou o grupo que aposta em um cenário de expansão econômica acompanhada de inflação elevada. Essa visão foi compartilhada por 36% dos entrevistados, ante 25% em maio.
Já os cenários considerados mais favoráveis continuam minoritários. Apenas 2% dos gestores projetam uma combinação de crescimento acima da tendência e inflação controlada, enquanto somente 1% espera crescimento e inflação abaixo da média histórica.
Mercado passou a enxergar juros mais altos, diz BofA
As expectativas para inflação continuam elevadas, embora tenham recuado na comparação mensal.
A pesquisa mostrou que 45% dos gestores acreditam que os índices globais de preços estarão mais altos daqui a um ano, contra 66% no levantamento anterior.
Apesar desse recuo, as apostas em juros mais elevados aumentaram.
As expectativas para taxas de juros atingiram o maior nível desde setembro de 2022, com 40% dos gestores prevendo novas altas nos próximos 12 meses. Em maio, esse percentual era de apenas 16%.
Em relação à política monetária dos Estados Unidos, 55% dos entrevistados esperam que o Federal Reserve (Fed) mantenha uma postura dura no encontro desta semana, enquanto 33% apostam em uma manutenção dos juros acompanhada de um discurso mais favorável a cortes futuros.
Segunda onda de inflação segue como principal ameaça
Quando questionados sobre os maiores riscos para os mercados, os gestores mantiveram a inflação como principal preocupação.
A possibilidade de uma segunda onda inflacionária foi apontada por 34% dos participantes como o maior risco de cauda para os ativos financeiros.
Ações de IA ainda dividem opiniões
O destaque da pesquisa ficou para a rápida ascensão das preocupações com uma possível bolha ligada à inteligência artificial (IA).
O percentual de investidores que considera esse o principal risco para os mercados saltou para 28%, ante apenas 5% registrados dois meses atrás.
Por outro lado, os temores relacionados a conflitos geopolíticos perderam relevância. A parcela dos gestores que apontam esse fator como principal ameaça caiu para 12%, após atingir 44% há apenas dois meses.
Questionados se as ações de IA estão em uma bolha, 45% responderam que não, enquanto 43% acreditam que sim.
Já sobre o estágio atual do ciclo de investimentos em IA, 56% classificaram o momento como um "boom", indicando que ainda há entrada de novos compradores impulsionando os preços.
Outros 21% acreditam que o mercado já entrou em uma fase de euforia, período em que as avaliações começam a se distanciar dos fundamentos econômicos.
O entusiasmo dos investidores também aparece no ranking das operações mais populares do mercado.
Pela primeira vez na história da pesquisa, 80% dos gestores apontaram a posição comprada em fabricantes globais de semicondutores como a operação mais congestionada do mercado, estabelecendo um recorde histórico para o levantamento.
O problema com a IA não é o que você imagina | Ruy Alves, co-gestor da Kinea
Gestores reduzem exposição a ações globais e tecnologia
Apesar do otimismo com a economia, os investidores diminuíram a exposição a alguns dos segmentos que lideraram os ganhos recentes.
A posição líquida em ações globais caiu de 50% para 38%. Já a exposição ao setor de tecnologia recuou de 33% para 26%, embora continue acima da média histórica.
As ações da Europa sofreram uma redução ainda mais intensa, levando os gestores ao maior nível de posição abaixo da referência desde dezembro de 2024.
Em contrapartida, os participantes aumentaram as alocações em ações do Japão, empresas de materiais básicos e bancos.
O levantamento também mostrou aumento das posições em setores defensivos, como bens de consumo básico.
Atualmente, os bancos, tecnologia e serviços de comunicação aparecem entre os setores com maior sobrealocação dos investidores, enquanto consumo discricionário, consumo básico e seguradoras permanecem entre os menos favorecidos.
Dólar ganha espaço e ouro deixa de parecer caro
No mercado de câmbio, os investidores reduziram parte do pessimismo em relação ao dólar.
A posição líquida abaixo da referência na moeda norte-americana caiu para 3%, o menor nível desde março de 2025.
Além disso, apenas 34% dos gestores consideram o dólar sobrevalorizado, contra 50% observados no mês anterior.
O ouro também passou por uma mudança relevante de percepção.
Somente 1% dos participantes classificaram o metal precioso como sobrevalorizado em junho, ante 16% em maio. Trata-se do menor percentual desde fevereiro de 2024.
Segundo o BofA, esta é a primeira vez desde o início de 2024 que o ouro é visto pelos investidores como um ativo negociado próximo de seu valor justo.
Operações contrárias ao consenso ganham destaque
A pesquisa também identificou quais ativos oferecem as melhores oportunidades para investidores dispostos a contrariar o posicionamento predominante do mercado.
Entre as principais apostas contrárias ao consenso aparecem títulos de renda fixa, ações europeias, empresas de consumo e fundos imobiliários.
Do outro lado, os gestores enxergam pouco espaço para posições compradas em commodities, semicondutores, empresas de materiais básicos e bancos.
Segundo os estrategistas do BofA, ações ligadas ao consumo despontam como a principal aposta para um cenário de maior estabilidade e redução das tensões globais.
Petróleo pode subir mais de 40% em 2026
Antes do acordo entre Estados Unidos e Irã e da perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, os gestores consultados pelo BofA projetavam que o petróleo encerraria 2026 cotado em média a US$ 86 por barril.
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A estimativa representa uma alta de aproximadamente 41% em relação aos US$ 61 por barril registrados pelo Brent – referência internacional do mercado de petróleo – no início do ano.
A projeção ficou praticamente estável em relação à pesquisa de maio, quando a expectativa média era de US$ 85 por barril.
