Pesquisador diz que IA pode quebrar criptografia do blockchain em 'meses'
Especialista do Ethereum recomendou que os investidores migrem seus ativos para 'carteiras virgens'

O pesquisador do Ethereum, Justin Drake, fez um alerta pelas redes sociais e pediu para que a comunidade cripto entre em "modo bunker". Na opinião de Drake, a criptografia que protege os blockchains não enfrenta mais um cenário em que pode ser quebrada em anos, e sim em meses.
"Na minha opinião, é razoável agora preparar-se para a possibilidade de o ECDSA [Algoritmo de Assinatura Digital de Curva Elíptica] ser quebrado antes do "q-day" — na pior das hipóteses, em questão de meses, e não anos", escreveu na rede social X (antigo Twitter).Today I call upon the blockchain industry to calmly begin planning for "bunker mode". My personal recommendation is to set in motion a controlled mass migration of assets to fresh addresses, i.e. addresses whose pubkeys remain hidden behind a hash.
Holders, starting with large and sophisticated ones, should consider moving the bulk of their funds to addresses that have never signed a transaction. And when they do sign one, they should also move remaining funds to a new address (possibly generated from the same seed phrase).
Don't rush. While I believe there is cause for action a rushed migration would do more harm than good. Don't panic either. Moving assets to protected addresses is a simple, preventative step which does not require new cryptography or new wallets.
IMO it is now reasonable to brace for the possibility that ECDSA breaks before qday, in the worst case in months not years. By "break" I mean fast private key recovery (e.g. in one week) on available hardware (e.g. a large GPU cluster).
Recent days have been humbling for human mathematical intuition. Long-held, unquestioned hypotheses have fallen. This includes the n log(n) bound for integer multiplication and the 3SUM conjecture. In hindsight, May's unexpected disproof of the Erdős unit distance conjecture was our warning shot.
Yesterday's OpenAI drop made it clear that mathematical superintelligence is upon us. They say there are weeks where decades happen. We are about to live through weeks where centuries of mathematical progress happen. Could our magic 64-byte ECDSA signatures be too good to be true? Was it just security through obscurity all this time?
Elliptic curves feel especially vulnerable to superintelligence. Curves carry rich structure, with room for fancy tricks like Schoof, Frobenius, pairings. (By contrast, hashes are designed to minimise algebraic structure.)
Separately, as Ewin Tang can attest, an efficient quantum algorithm sometimes foreshadows an efficient classical one. We should be open to the possibility of a classical counterpart to Shor that breaks elliptic curves and RSA at once.
Also noteworthy is the striking under-representation of cryptographic breakthroughs among the 722 mathematical results OpenAI published. I've witnessed first-hand the US government censoring academic quantum cryptanalysis results. Backroom interventionism is my base case.
I urge large, sophisticated actors to lead by example. Project11's "risq list" (bitcoin-risq-list.projecteleven[.]com) is a great tracker of exposed BTC pubkeys. Binance, Bitbank, Robinhood, Bitfinex, and Tether have an opportunity to harden their cold storage. Next month I'll address institutions in London in a live Q&A (forum.ethereuminstitutional[.]org/london-2026).
Again, please do not rush. Wallets holding under 50 BTC enjoy partial cover from "Satoshi's shield", i.e. his 20K exposed addresses that hold 50 BTC each. Load-bearing signers like oracles and L2 security councils should consider rotating ECDSA pubkeys with every signed message and/or multi-signing with a hash-based schemes like SPHINCS.
Exiting bunker mode safely will require post-AI cryptography. My inclination is to go all-in on hash-based cryptography and avoid structured mathematical assumptions entirely, whether from curves, lattices, or isogenies. A single battle-tested hash (e.g. from the SHA or BLAKE families) yields plausible post-AI security.
The Ethereum roadmap on strawmap[.]org fully embraces hash-based cryptography with end-to-end formal verification as a response to the quantum threat. Those timelines must now be revisited and accelerated in light of mathematical superintelligence. I'll be pushing for maximum defensive acceleration.
— Justin Drake (@drakefjustin) October 7, 2026
Vale lembrar que Q-Day é a data hipotética em que um computador quântico conseguiria quebrar a criptografia do blockchain e acessar fundos de carteiras de criptomoedas ao fazer engenharia reversa para descobrir a chave privada a partir dos endereços públicos dessas carteiras.
| Possível ameaça | O que já sabemos | O que falta |
|---|---|---|
| Computação quântica | Existe um algoritmo conhecido, o de Shor, capaz de recuperar a chave privada a partir da pública usando um computador quântico adequado. | Um computador quântico capaz de executá-lo na escala necessária para atacar as chaves utilizadas por essas redes. |
| Descoberta matemática auxiliada por IA | A hipótese é que a IA encontre um atalho executável em computadores convencionais. | Demonstrar que esse atalho existe, funciona nos sistemas utilizados e torna o ataque viável. |
Para o pesquisador, a razão do aumento do risco é que a intuição matemática humana está cada vez mais sendo ameaçada pela inteligência artificial. "Hipóteses de longa data, inquestionáveis, caíram. A queda do OpenAI de ontem deixou claro que a superinteligência matemática está sobre nós", comentou. As curvas elípticas que protegem criptomoedas como o Bitcoin, segundo o especialista, são especialmente vulneráveis a essa superinteligência.
Migração para carteiras 'virgens' no blockchain
Drake recomenda, então, que os investidores migrem para carteiras que nunca assinaram uma transação e, portanto, nunca revelaram sua chave pública. "Investidores de longo prazo, começando pelos grandes e sofisticados, deveriam considerar mover a maior parte de seus fundos para endereços que nunca assinaram uma transação. E quando eles assinarem uma, também deveriam mover os fundos restantes para um novo endereço (possivelmente gerado a partir da mesma seed phrase)", afirmou.
O pesquisador, apesar do alerta, disse que isso não precisaria ser feito com pressa, pois "uma migração apressada causaria mais mal do que bem". Para ele, a saída do modo "bunker" só deveria ser realizada quando a criptografia pós-IA for implementada nas redes.
Em resposta a ele, o criador do Ethereum, Vitalik Buterin, afirmou que não recomenda que ninguém corra para transferir seus fundos para novas carteiras hoje, mas admitiu que os riscos que a matemática acelerada por IA representam não podem ser ignorados.
"Até agora, a maioria das pessoas tem pensado no modo 'curvas elípticas quebradas, hashes seguros, retículos seguros'. Mas há uma boa chance de que a segurança concreta dos retículos sofra golpes sérios nos próximos dois anos de matemática de IA", apontou Buterin.
O head de Research de ativos digitais do BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME), Matheus Parizotto, afirma que o episódio da discussão entre os desenvolvedores do Ethereum reforça a importância de preparação, mas não sustenta a conclusão de uma emergência iminente.
"O prazo de “meses” citado por Drake representa um cenário extremo, sem demonstração técnica que permita tratá-lo como previsão. Para o investidor, o ponto central é acompanhar evidências concretas e a evolução das proteções, sem transformar uma hipótese de risco em certeza de perda", defende Parizotto.
