Petrobras fecha acordos de longo prazo para importação de gás natural dos EUA
Estatal busca blindar portfólio contra volatilidade de preços, enquanto mercado debate regras de desconcentração e expansão térmica

A Petrobras firmou novos contratos de longo prazo para a importação de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos. Segundo a estatal, a estratégia visa blindar seu portfólio contra a volatilidade do mercado de curto prazo (spot), fortalecer a gestão de riscos e garantir segurança no abastecimento nacional.
Entre os acordos recentes está o contrato de 22 anos com a Cheniere Marketing, subsidiária da Cheniere Energy, para a aquisição de 800 mil toneladas anuais do insumo. A medida soma-se a outro contrato de longo prazo firmado com a Sempra Infrastructure para a compra de 800 mil toneladas por ano ao longo de duas décadas.
O suprimento da Sempra virá do Terminal de Liquefação de Port Arthur, no Texas, empreendimento em fase de expansão que tem projeções de se tornar um dos maiores polos exportadores na próxima década, cuja primeira fase tem operação comercial prevista para 2027 e a segunda para 2030.
Cenário de demanda
A corrida da Petrobras por contratos de longo prazo ocorre em um momento de transformações estruturais e regulatórias no setor energético brasileiro. O País tem registrado aumento na expectativa de demanda por gás natural, impulsionado por leilões de reserva de capacidade que contrataram gigawatts em usinas termelétricas flexíveis.
Sobre a diversificação das fontes, a gerência de comunicação da empresa pontuou que "a Petrobras tem atuado na diversificação de seu portfólio de suprimento de GNL para reduzir a exposição ao mercado spot, combinando contratos de diferentes prazos e modalidades, de forma a aumentar a flexibilidade e a segurança de atendimento às demandas dos seus negócios", acrescentando que "eventuais destinações de volumes contratados, alternativas ao mercado brasileiro, compõem o processo de otimização do portfólio e são avaliadas caso a caso".
O GNL importado (resfriado até o estado líquido para viabilizar o transporte marítimo por navios sem a necessidade de gasodutos transfronteiriços) atende a mercados estratégicos no Brasil, servindo como insumo industrial, combustível para residências e suporte essencial para a geração termelétrica.
