Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
MercadosACSCMDT
11/09/2026
4 min

Petrobras (PETR4): Como chega a estatal nas eleições?

A Petrobras (PETR3;PETR4) voltou ao centro das discussões dos investidores nas últimas semanas com a proximidade das eleições à Presidência. O ciclo eleitoral começou há cerca de um mês, em meio a disparada dos preços do petróleo, e o BTG Pactual avalia que a estatal, desta vez, apresenta uma posição operacional e financeira consideravelmente “mais […]

Petrobras (PETR4): Como chega a estatal nas eleições?

A Petrobras (PETR3;PETR4) voltou ao centro das discussões dos investidores nas últimas semanas com a proximidade das eleições à Presidência.

O ciclo eleitoral começou há cerca de um mês, em meio a disparada dos preços do petróleo, e o BTG Pactual avalia que a estatal, desta vez, apresenta uma posição operacional e financeira consideravelmente “mais forte” na comparação com períodos anteriores.

Na visão dos analistas, a Petrobras segue “com um perfil de produção de baixo custo e crescente, um balanço patrimonial conservador e um arcabouço de governança mais robusto, amparado pela lei das estatais brasileira e por um estatuto social aprimorado”.

“Embora esses argumentos não eliminem totalmente os riscos políticos e de alocação de capital, acreditamos que o longo prazo de maturação dos projetos; um pipeline extenso de projetos; e projetos robustos tornam menos provável uma deterioração súbita na alocação de capital”, avaliaram os analistas Rodrigo Almeida, Gustavo Cunha e Marcel Zambello, em relatório divulgado nesta sexta-feira (11).

Petrobras sob perspectivas

Na perspectiva operacional, o trio destaca que a produção da companhia já está acima do guidance no acumulado do ano e os resultados de refino são ‘robustos’.

A companhia vem produzindo cerca de 2,68 milhões de barris por dia (MMbpd) no acumulado do ano, acima do intervalo de 2,4 milhões a 2,6 milhões de barris por dia previsto no guidance atual, sustentada por uma produtividade mais forte dos poços do pré-sal, FPSOs operando acima da capacidade nominal e a expansão de novas unidades.

A Petrobras também realiza o refino a aproximadamente US$ 135 por barril para o diesel, podendo subir para US$ 167 por barril com a nova subvenção, e US$ 101 por barril para a gasolina.

Com isso, o BTG estima um fluxo de caixa ao acionista de cerca de US$ 22 bilhões, enquanto os dividendos poderiam somar aproximadamente US$ 15 bilhões, o equivalente a rendimentos (yields) de 16% e 11% respectivamente.

Já do ponto de vista de capex, a equipe avalia que os projetos de upstream e refino parecem oferecer retornos sólidos, e a administração pode simplesmente decidir dar continuidade à sua estratégia focada em upstream, especialmente diante do potencial da Margem Equatorial.

Dúvidas no radar

Em relatório, os analistas do BTG Pactual também observaram que os movimentos recentes na formação de preços de combustíveis geraram ruídos e enfraquceram a credilidade da companhia junto aos investidores.

Nesta semana, a estatal anunciou um aumento adicional de R$ 0,19 por litro de gasolina, mas voltou atrás da decisão horas depois.

Ao mesmo tempo, o governo determinou uma subvenção adicional de até R$ 1 por litro de diesel por meio de Medida Provisória (MP). A medida, na visão dos analistas, pode gerar um ganho “relevante” nos resultados, a depender da regulamentação final e da parcela capturada pela Petrobras.

“Acreditamos que a administração continua coordenando de perto com o governo para preservar uma rentabilidade adequada, ao mesmo tempo em que limita o impacto dos preços internacionais sobre os consumidores, embora isso necessariamente reduza a previsibilidade das decisões comerciais”, afirmaram os analistas.

Para o banco, há pelos menos duas questões-chave agora: se a Petrobras aumentará os preços de combustíveis após as eleições e se o governo manterá os mecanismos de subvenção durante o período eleitoral.

Na visão dos analistas, um ajuste de preços pós-eleitoral é possível, apesar de não ser o cenário-base. “Também mantemos premissas conservadoras e normalizadas de preços de combustíveis, reconhecendo que é pouco provável que a Petrobras realize de forma consistente os preços plenos de paridade de importação, mesmo quando os crack spreads internacionais permanecerem elevados”, afirmaram.

O que fazer com as ações?

Com a visão otimista para a petroleira, o BTG Pactual reiterou a companhia como a a preferida (top pick) do setor de Óleo & Gás e ajustou para cima os preços-alvos das ações.

Agora, o banco prevê PETR4 a R$ 65 no fim de 2027, o que implica em um potencial de valorização de % sobre o preço de fechamento anterior. O preço-alvo anterior era de R$ 56.

Para os papéis negociados na Bolsa de Nova York (Nyse), sob o ticker PBR, o preço-alvo é de US$ 26, o que representa um potencial de valorização de % até dezembro do próximo ano, ante os níveis atuais.

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
Distribuído por