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01/07/2026
5 min

Petrobras (PETR4) corta preço do diesel e do querosene de avião; XP vê janela para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3)

Petrobras (PETR4) corta preço do diesel e do querosene de avião; XP vê janela para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3)

A Petrobras (PETR4) mexeu nos preços dos combustíveis em meio ao alívio do petróleo no mercado internacional, mas nem todos os reajustes devem chegar da mesma forma à cadeia de consumo.

Nesta quarta-feira (1), a estatal anunciou uma redução de 14,5% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. A queda equivale a R$ 0,81 por litro e levou o novo preço do combustível nas refinarias da companhia para uma faixa entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.

Foi o segundo recuo seguido no preço do QAV, que é reajustado sempre no início de cada mês. Segundo a Petrobras, a nova redução foi possível pela “atenuação” dos efeitos que o conflito no Oriente Médio impôs ao preço internacional dos derivados do petróleo.

Apesar da queda em julho, o combustível usado por aviões e helicópteros ainda acumula forte alta no ano. O QAV está 40,5% acima do nível registrado no fim de 2025, o equivalente a um acréscimo de R$ 1,39 por litro.

Diesel fica estável nas distribuidoras

No caso do diesel, a Petrobras anunciou na terça-feira (30) uma redução de R$ 0,3515 por litro no preço vendido às distribuidoras. Mas o corte veio acompanhado da suspensão de um desconto temporário no mesmo valor, concedido no âmbito do subsídio governamental.

Com isso, o efeito final será neutro para as distribuidoras.

“Dessa forma, os preços de venda de óleo diesel A, de uso rodoviário, da Petrobras para as distribuidoras permanecerão inalterados, com o valor médio de R$ 3,30 por litro”, disse a companhia em nota.

O anúncio ocorreu depois de o governo informar que eliminaria, a partir desta quarta-feira (1), a subvenção de R$ 0,35. A decisão foi atribuída ao recuo da cotação do petróleo, em meio à redução das tensões no Oriente Médio, conforme declarou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Durigan afirmou ainda que outras subvenções de combustíveis atualmente em vigor estão em avaliação para retirada gradual.

A decisão confirma uma sinalização dada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à Reuters em meados do mês.

Na ocasião, ele afirmou que o Brasil encerraria medidas de subsídios aos preços de combustíveis, incluindo diesel e gasolina, caso a cotação do petróleo se acomodasse em torno de US$ 80 por barril.

O Brent — referência internacional do mercado de petróleo —fechou cotado a US$ 72,95 o barril na terça-feira (30), depois de ter atingido um pico de cerca de US$ 120 no fim de março, quando as tensões relacionadas ao conflito no Irã estavam mais elevadas.

Separadamente, a Petrobras informou que já recebeu cerca de R$ 2 bilhões referentes aos subsídios do diesel.

O que muda para Petrobras, Vibra e Ultrapar

O analista da XP Investimentos, Regis Cardoso, avalia que o fim da subvenção aproxima significativamente os preços do diesel da Petrobras da paridade de importação.

Segundo ele, a medida reduz a competitividade do diesel importado e melhora as condições de mercado para as distribuidoras Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3).

De acordo com a XP, após o fim dos subsídios, o preço do diesel da Petrobras passa a estar com desconto de apenas 2% em relação à paridade de importação, considerando a subvenção remanescente.

Antes da medida, os preços da estatal operavam com prêmio de cerca de R$ 0,28 por litro frente à paridade. Caso todos os subsídios fossem eliminados, porém, a paridade subiria para R$ 4,49 por litro, ampliando o desconto da Petrobras para R$ 1,19 por litro, ou 27%.

No caso da gasolina, a XP destaca que o preço da Petrobras nas refinarias, de R$ 2,61 por litro, está 20% abaixo da paridade de importação. Considerando o subsídio ainda vigente de R$ 0,44 por litro, esse desconto cai para 7%.

Assim, uma eventual redução ou eliminação desse benefício ampliaria novamente a diferença entre os preços domésticos e os internacionais.

Itaú BBA vê diesel acima da paridade

A equipe do Itaú BBA liderada por Monique Greco também chama atenção para os próximos passos do governo.

O banco destaca que o imposto sobre a exportação de petróleo bruto continua em vigor. No entanto, o governo afirmou que tanto esse tributo quanto os subsídios remanescentes aos combustíveis seguem sendo monitorados à luz da evolução dos preços internacionais.

Essas medidas poderão ser ajustadas ou encerradas antes do prazo previsto, caso as condições de mercado justifiquem.

  • Leia também: Magda Chambriard revela nova meta da Petrobras (PETR4) — e tem a ver com o diesel

Segundo as estimativas do BBA, os preços do diesel praticados pela Petrobras estão atualmente 14% acima da paridade de importação, enquanto os preços da gasolina estão alinhados à paridade de exportação.

O Itaú BBA ressalta, porém, que a Petrobras pode avaliar os parâmetros de sua estratégia comercial de forma diferente das premissas adotadas pelo banco.

Guerra no Oriente Médio pressionou os combustíveis

A alta dos combustíveis nos últimos meses esteve ligada aos efeitos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, sobre a cadeia logística da indústria do petróleo.

O principal impacto veio do bloqueio do Estreito de Ormuz, ao sul do Irã. Antes da guerra, 20% da produção internacional de óleo e gás passava pela região. Com a oferta global mais apertada, os preços subiram.

Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o produto e seus derivados seguem a lógica das commodities, matérias-primas negociadas em grandes volumes e com preços definidos no mercado internacional.

AutorLarissa Bernardes
FonteSeu Dinheiro
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