Petrobras (PETR4): Itaú BBA sobe preço-alvo e vê novos destinos para o capex da estatal
De olho no capex, o Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da Petrobras (PETR4) em R$ 1, de R$ 63 para R$ 64 no final de 2027. O novo preço-alvo implica em um potencial de valorização de 33% sobre o preço de fechamento da última segunda-feira (21), e incorpora a projeção de Brent a […]

De olho no capex, o Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da Petrobras(PETR4) em R$ 1, de R$ 63 para R$ 64 no final de 2027.
O novo preço-alvo implica em um potencial de valorização de 33% sobre o preço de fechamento da última segunda-feira (21), e incorpora a projeção de Brent a US$ 80 em 2026 e em US$ 75 no ano seguinte.
O banco também reiterou a recomendação de compra para PETR4. A estatal também continua sendo a principal escolha do BBA entre as empresas de Petróleo e Gás, mesmo diante das discussões sobre uma possível expansão dos investimentos para além do segmento de exploração e produção (E&P).
Em relatório, a equipe de analistas liderada por Monique Greco destaca que a petroleira destinou mais de 83% dos investimentos dos últimos dois anos ao segmento de exploração e produção (upstream) e pretende manter mais de 76% de seu plano de investimentos de cinco anos direcionado ao segmento.
Além disso, os analistas chamam a atenção para a retomada das discussões sobre potenciais investimentos para fortalecer a autossuficiência do Brasil em diesel e ampliar a presença da Petrobras no segmento de distribuição de combustíveis.
“Como resultado, potenciais movimentos de alocação de capital passaram a estar cada vez mais no centro de nossas discussões com investidores, levantando questionamentos sobre quais iniciativas são de fato capazes de alterar a tese de investimento da Petrobras”, destacaram.
Para o banco, o debate de alocação de capital da Petrobras também ganhou mais relevância recentemente, com os temas de autossuficiência em diesel, a distribuição de combustíveis, etanol, GLP, petroquímica, fertilizantes e minerais críticos no radar.
Onde a Petrobras pode colocar dinheiro?
Nas contas do Itaú BBA, o capex da estatal deve alcançar US$ 22,7 bilhões em 2027 e US$ 22,0 bilhões em 2028, acima dos US$ 21,0 bilhões e US$ 20,5 bilhões, respectivamente, previstos no Plano Estratégico atual.
No caso de Mataripe, os analistas afirmam que a Petrobras deixou clara a atratividade estratégica do ativo, mas somente a um preço adequado. A estimativa de valor para a refinaria fica entre US$ 1,5 bilhão e US$ 3 bilhões, considerando que a estatal vendeu o ativo em 2021 por US$ 1,65 bilhão.
Já em E&P, a prioridade continua sendo maximizar a recuperação dos ativos existentes e recompor reservas. O Itaú BBA espera que Búzios 12 e a Revitalização de Albacora sejam os próximos grandes projetos aprovados, com capex combinado de US$ 11,5 bilhões, considerando a participação da Petrobras.
Na exploração, a Margem Equatorial permanece como principal fronteira, enquanto os investimentos internacionais, sobretudo na África, ganham força.
“Dada sua atual base baixa de gastos com exploração, a expansão da posição em áreas e a necessidade de sustentar a produção para além da próxima década, é mais provável que o capex de exploração aumente do que diminua ao longo do tempo”, destacam os analistas.
Segmentos não essenciais
A companhia tem avançado em iniciativas de capex em segmentos não essenciais, incluindo fertilizantes e biocombustíveis.
Recentemente, a Petrobras reiterou a meta de atender 100% da demanda brasileira por diesel até 2030 por meio de expansões brownfield (com uma estrutura de que já existe) e modernizações de refinarias. Isso, nas contas do BBA, exigiria aproximdamente 175 mil barris por dia de produção adicional de diesel além do Plano de Estratégico da companhia para 2026-2030.
“Embora seja difícil alcançar esse objetivo exclusivamente por meio de remoção de gargalos e modernizações, fazê-lo exigiria apenas cerca de US$ 2 bilhões em capex incremental, contra US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões para uma refinaria greenfield“, destacam os analistas.
Eles acreditam ainda que os projetos greenfield (construção de novas refinarias) não façam parte dos planos da gestão e nem que as alternativas brownfield continuem sendo a rota mais atraente.
Além disso, a pressão para que a Petrobras retorne à distribuição de combustíveis também ganhou força desde o início deste ano e a retomada desse segmento ainda está em avaliação da estatal. Para os analistas, tal movimento dependeria do vencimento de acordo de não concorrência com a Vibra (VBBR3), em meados de 2029.
No caso do etanol, a petroleira retornou à produção por meio de parcerias estratégicas há quase dois anos. Para Itaú BBA, a aquisição de uma participação minoritária em uma empresa já estabelecida e/ou a parceria no desenvolvimento de projetos greenfield atualmente em construção ou em fase de planejamento são possíveis alternativas para a atuação no setor.
A Petrobras também está avaliando retornou ao negócio de distribuição de gás de cozinha (GPL), após vender a divisão em 2020 por R$ 4 bilhões. “Caso isso se concretize, acreditamos que a Petrobras provavelmente retornaria ao segmento por meio de uma aquisição, em vez de um investimento greenfield“, afirmaram os analistas.
Como referência de ordem de grandeza, o BBA estima que a Ultragaz valha aproximadamente R$ 7 bilhões — com a participação de 19% do mercado de GLP.
Fertilizantes e metais críticos
Para o Itaú BBA, fertilizantes e metais críticos também são avaliados como potenciais ‘destinos’ dos investimentos da Petrobras.
No caso de fertilizantes, a companhia afirmou que está estudando expansões de capacidade em suas plantas existentes, mencionando inclusive a possibilidade de eventualmente “dobrar” a capacidade de suas instalações atuais e da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), com estudos preliminares indicando que o Brasil poderia potencialmente atender entre 70% a 75% de sua demanda doméstica por fertilizantes nitrogenados.
Nas contas do banco, o investimento necessário seria de aproximadamente US$ 4,8 bilhões para a expansão “hipotética” para 2,95 milhões de toneladas por ano.
Já em minerais críticos, a estatal declarou interesse em avaliar oportunidades relacionadas a minerais críticos, particularmente aqueles associados a baterias e armazenamento de energia (lítio, sódio, grafite, níquel e cobalto) e fertilizantes (potássio e fosfato).
“A Petrobras não possui um objeto social que permita à companhia atuar em atividades de mineração. Portanto, a entrada no setor de mineração exigiria uma alteração estatutária”, destacam os analistas.
Refino como proteção das margens
Para o Itaú BBA, as margens internacionais de refino em níveis elevados representam uma proteção importante para a geração de caixa da Petrobras.
Isso porque margens mais fortes podem permitir preços domésticos de combustíveis mais elevados por mais tempo, compensando parcialmente um eventual impacto negativo de preços menores do petróleo caso os riscos riscos geopolíticos diminuam e as interrupções em importantes rotas de transporte de petróleo, incluindo o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb, se normalizem.
Com isso no radar, o banco espera um dividend yield de dois dígitos.
No cenário-base, com Brent a US$ 75 por barril e as curvas futuras atuais da Bloomberg para diesel e gasolina — com crack spreads de US$ 73 e US$ 29 por barril, respectivamente — a Petrobras poderia entregar um dividend yield de aproximadamente 15% em 2027.
O BBA estima ainda um rendimento de Fluxo de Caixa Livre ao Acionista (FCFE yield) de cerca de 25% em 2027, sendo 22% recorrente e 3% relacionado a subvenções governamentais provisionadas no fim de 2026, mas com impacto no caixa esperado apenas em 2027.
Diante disso, os analistas avaliam que a geração de caixa poderia proporcionar maior flexibilidade para novas iniciativas de alocação de capital e/ou distribuições extraordinárias aos acionistas.
O cenário-base do banco, porém, é de que as distribuições aos acionistas serão compostas exclusivamente por dividendos ordinários.
