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29/09/2026
4 min

Petrobras pode cair na eleição, mas dividendo de 14% deve segurar a ação, diz BTG

Banco vê volatilidade, mas avalia que fundamentos e geração de caixa devem permanecer fortes

Petrobras pode cair na eleição, mas dividendo de 14% deve segurar a ação, diz BTG

A proximidade das eleições brasileiras costuma colocar a Petrobras no centro das discussões sobre risco político, e o atual ciclo eleitoral não é diferente. Mas, para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), uma eventual pressão sobre as ações da estatal não necessariamente virá acompanhada de uma deterioração dos fundamentos da companhia.

Os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha afirmam que o principal debate para a Petrobras no ciclo eleitoral deve estar menos ligado à operação da empresa e mais à percepção de risco do mercado, que pode provocar oscilações relevantes no preço das ações.

O banco mantém recomendação de compra para a Petrobras e a considera sua principal escolha no setor de óleo e gás brasileiro. O preço-alvo é de US$ 26 para os ADRs negociados em Nova York e R$ 65 por ação no mercado local. 

Segundo o BTG, uma queda entre 10% e 15% nas ações levaria a Petrobras para um patamar de valuationconsiderado atrativo para muitos investidores. Em um cenário de correção de 15% a 20%, o retorno estimado sobre o fluxo de caixa ao acionista poderia chegar a cerca de 20% a 21,2% nos próximos 12 meses.

A tese do banco é que a Petrobras entra no período eleitoral em uma posição operacional mais forte do que em ciclos anteriores. O BTG estima um FCFE Yield (percentual do caixa pode ser distribuído ao acionista) de aproximadamente 14% para 2027.

No cenário-base, o banco projeta também um dividend yield (caixa que de fato é distribuído) próximo de 10% para 2027. 

Caso a ação sofra uma correção por causa do ambiente político, o retorno potencial em dividendos aumenta. Na simulação do banco, uma queda de 15% no preço elevaria o dividend yield dos próximos 12 meses para 14%, enquanto uma queda de 20% levaria o indicador para 14,8%.

Para o BTG, esse nível de remuneração pode funcionar como um fator de sustentação para o papel, "considerando premissas de geração de caixa essencialmente inalteradas”, afirmam os analistas. 

Apesar de períodos eleitorais trazerem volatilidade para as ações, principalmente pela percepção de risco sobre decisões futuras de gestão, política de preços e alocação de capital, o BTG avalia que os principais motores operacionais da companhia não devem sofrer mudanças abruptas no curto e médio prazo.

Fatores como investimentos (capex), custos operacionais, produção, política de preços de combustíveis e distribuição de capital devem permanecer relativamente estáveis, preservando a geração de caixa e os dividendos.

Nesse cenário, a variável mais sensível para o investidor seria o múltiplo atribuído à empresa, e não necessariamente sua capacidade operacional.

A avaliação do banco é que a Petrobras chega ao ciclo eleitoral com uma base operacional diferente de períodos anteriores, sustentada por produção acima das projeções, menor custo de extração, maior utilização das refinarias e balanço financeiro mais saudável. 

A melhor entre petroleiras globais

Outro ponto destacado pelo BTG é a comparação da Petrobras com grandes empresas internacionais do setor. Segundo as estimativas do banco, a estatal brasileira apresenta o maior FCFE Yield projetado para 2027 entre as companhias analisadas, com 14,5%.

Na comparação, aparecem empresas como Repsol (13,5%), Shell (12,3%), Eni (10,7%), TotalEnergies (9,2%), Chevron (9%) e ExxonMobil (7,8%).

O banco também aponta a Petrobras como líder em shareholder yield, indicador que mede o retorno total ao acionista, incluindo dividendos e outras formas de distribuição de capital, com 10,7% estimados para 2027.

Em uma simulação mais negativa, com aumento de despesas administrativas, maior custo de capital, investimentos adicionais e menor aderência dos preços de combustíveis aos valores internacionais, o BTG estima que a companhia ainda manteria umdividend yieldmédio próximo de 9% entre 2027 e 2028 — sendo 8,9% em 2027 e 9,2% em 2028.

O que pode mudar a percepção do mercado

Apesar da visão positiva, o BTG destaca que alguns pontos continuarão sendo acompanhados pelos investidores. Entre eles estão a disciplina de capital, a previsibilidade da política de preços, o ritmo de produção e decisões sobre investimentos fora do portfólio principal.

No cenário mais otimista, o banco estima que uma combinação de melhor execução operacional, maior previsibilidade de preços e controle de custos poderia elevar o preço-alvo para R$ 83 por ação. Já em uma projeção pessimista, o preço-alvo calculado pelo BTG seria de R$ 42. Texto colado

A eleição pode provocar oscilações no valor de mercado da Petrobras, mas a capacidade de geração de caixa da companhia deve continuar sendo o principal elemento observado pelos investidores.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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