Petrobras segura Ibovespa na estabilidade, mas índice cai 2,33% na semana; dólar sobe

O mercado acionário brasileiro encerrou o pregão desta sexta-feira, 17, praticamente estável, mas no campo negativo, em um dia marcado pela aversão ao risco nos mercados globais, escalada das tensões no Oriente Médio e repercussão das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O Ibovespa fechou em ligeira baixa de 0,06%, aos 173.714 pontos, após oscilar entre a mínima de 173.285,28 pontos e a máxima de 174.504,63 pontos. O volume financeiro somou R$ 23,6 bilhões. Na semana, o principal índice da bolsa brasileira acumulou queda de 2,33%.O dólar comercial acompanhou o movimento global de fortalecimento da moeda americana e encerrou o dia em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,111, após oscilar entre R$ 5,105 e R$ 5,133. Na semana, a divisa acumulou leve valorização de 0,05%, praticamente estável.
O desempenho dos ativos refletiu uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, investidores buscaram proteção diante da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, enquanto o anúncio de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras aos EUA continuou alimentando preocupações sobre os impactos para a economia e o comércio exterior.
Segundo Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o mercado de câmbio encerrou a semana consolidando um movimento de valorização do dólar diante do aumento das incertezas.
"O mercado seguiu buscando proteção diante da ausência de sinais de trégua diplomática e da possibilidade de uma escalada protecionista entre Brasil e Estados Unidos. A perspectiva de uma eventual resposta brasileira por meio da Lei da Reciprocidade elevou o receio de uma disputa tarifária que possa prejudicar o comércio bilateral", afirma.
A especialista ressalta que o fortalecimento da moeda americana também foi impulsionado pelo ambiente global de maior aversão ao risco.
"O aumento da cautela penalizou moedas de países emergentes e exportadores de commodities, intensificando o fluxo para ativos considerados mais seguros. Esse movimento consolida o dólar em patamares mais elevados e indica que o prêmio de risco ligado às tensões comerciais deve continuar influenciando o câmbio no curto prazo", diz.
Na avaliação de Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital, a combinação entre fatores externos e indicadores domésticos manteve o mercado pressionado ao longo da semana.
"A bolsa encerrou a semana com bastante volatilidade e próxima da estabilidade. Além do tarifaço e das indefinições sobre o conflito no Oriente Médio, o IBC-Br mostrou que a economia brasileira segue aquecida, reduzindo as chances de uma nova flexibilização da política monetária. Esse conjunto de fatores pressionou novamente o Ibovespa e favoreceu a alta do dólar, à medida que investidores reduziram a exposição a mercados emergentes", afirma.
Para Bento, o conflito entre Washington e Teerã segue sendo o principal vetor para o câmbio. "A alta do dólar nesta sexta reflete principalmente a falta de perspectiva de uma trégua entre Estados Unidos e Irã. Esse cenário adiciona um risco importante para os mercados globais e reforça a busca por ativos considerados mais seguros", diz.
O especialista também observa que a curva de juros refletiu um cenário misto. "Os contratos de curto prazo recuaram após uma semana de altas, enquanto os vencimentos mais longos avançaram levemente, acompanhando a elevação dos rendimentos dos Treasuries americanos e a percepção de que a inflação poderá permanecer elevada por mais tempo", explica.
Entre as ações, Petrobras voltou a sustentar o índice com a disparada do petróleo, enquanto bancos e Vale limitaram uma recuperação mais consistente da bolsa. Segundo Bento, o movimento das commodities explica os principais destaques positivos do pregão.
"As maiores altas refletiram justamente a valorização do petróleo e do aço, beneficiando empresas como Petrobras e Usiminas. Já na ponta negativa ficaram companhias mais sensíveis aos juros, como as varejistas, mostrando que o ambiente de taxas elevadas continua pesando sobre esses papéis", afirma.
O especialista acrescenta que os principais eventos da semana foram a volta das tensões geopolíticas e o anúncio das tarifas americanas. "Esses fatores provocaram uma saída importante de capital estrangeiro da bolsa brasileira. Ao mesmo tempo, o risco fiscal doméstico continua presente e segue sendo um ponto de atenção para os investidores", diz.
Petróleo dispara com escalada da guerra
O petróleo encerrou a sessão em forte alta, impulsionado pelo agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte da commodity.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), as forças americanas concluíram a sexta noite consecutiva de ataques contra alvos militares iranianos. Em resposta, Teerã afirmou ter atingido instalações militares americanas na Síria e no Bahrein e informou que voltou a fechar o Estreito de Ormuz. A tensão aumentou ainda mais após a Guarda Revolucionária do Irã anunciar que atacou um navio que teria ignorado alertas para não atravessar a região.
Com isso, o contrato do petróleo Brent para setembro fechou em alta de 4,59%, a US$ 88,10 por barril, enquanto o WTI para agosto avançou 4,48%, a US$ 82,49 por barril. Na semana, as altas acumuladas chegaram a 15,9% e 15,5%, respectivamente, refletindo o temor de interrupções no fornecimento global da commodity.Bolsas de Nova York recuam
As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta sexta-feira em queda, pressionadas principalmente pelas ações de empresas de tecnologia, com destaque para fabricantes de chips e semicondutores.
No fechamento, o Dow Jones caiu 0,77%, aos 52.146,42 pontos. O S&P 500 recuou 1,01%, para 7.457,69 pontos, enquanto o Nasdaq, mais sensível às empresas de tecnologia, perdeu 1,40%, encerrando aos 25.520,24 pontos. Na semana, as perdas acumuladas foram de 0,93% para o Dow Jones, 1,55% para o S&P 500 e 2,90% para o Nasdaq.
