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28/07/2026
4 min

Petrobras tem produção recorde no 2º trimestre e exportações dobram

Companhia extraiu 3,34 milhões de barris por dia e mais que dobrou a exportação líquida em um ano

Petrobras tem produção recorde no 2º trimestre e exportações dobram

A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou nesta terça-feira, 28, o relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026 (2T26). A companhia bateu recorde de extração de petróleo e de vendas para o exterior. O número antecede o balanço financeiro completo, marcado para o dia 6 de agosto, que vai mostrar quanto disso virou lucro e dividendo.

A produção total da companhia, somando petróleo e gás, no Brasil e no exterior, chegou a 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia no trimestre. Foi um recorde, com alta de 14,1% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,4% ante o primeiro trimestre.

O crescimento veio do pré-sal, e mais especificamente do campo de Búzios, na Bacia de Santos. A plataforma P-79 começou a produzir em 1º de maio, com três meses de antecipação sobre o cronograma. Somada ao ganho de ritmo de outras plataformas recém-instaladas, a produção de Búzios chegou a um patamar histórico. Em junho, o campo bateu a média de 1,2 milhão de barris por dia e, pela primeira vez, superou a marca de 1 milhão de barris de média mensal.

Búzios é o campo com maior volume de reservas da Petrobras e responde por cerca de metade da produção que cabe à estatal. Estão previstas mais quatro plataformas no campo, além das oito que já operam.

Na Bacia de Campos, a região mais antiga e madura, a produção de óleo foi de 559 mil barris por dia, a segunda maior desde o fim de 2023. Campos vinha em tendência de queda natural e a estatal reverteu esse movimento com investimento e gestão dos poços.

Refinarias rodando no limite

No refino, o fator de utilização chegou a 101,2%, recorde histórico que superou a marca anterior, de 2014. Esse indicador mede o quanto as refinarias estão sendo usadas em relação à sua capacidade de referência. Passar de 100% significa as refinarias operaram acima do ritmo considerado padrão, aproveitando ao máximo a estrutura para produzir mais combustível.

A produção de derivados subiu para 1,92 milhão de barris por dia, com recordes de diesel e de querosene de aviação. Como o país fabricou mais combustível internamente, precisou importar menos. A importação de derivados caiu para o menor volume trimestral já registrado, e a de petróleo recuou para 89 mil barris por dia, o menor patamar desde a pandemia.

No mercado interno, as vendas ficaram praticamente estáveis. O avanço do diesel e do gás de cozinha (GLP), favorecido pelo frio e pela sazonalidade, compensou a queda da gasolina (que perdeu espaço para o etanol, mais competitivo em vários estados) e do querosene de aviação.

Exportação disparou

Com mais petróleo saindo dos poços e menos combustível precisando ser importado, a exportação líquida saltou 26,2% ante o trimestre anterior e mais que dobrou na comparação com um ano atrás. As exportações de petróleo se aproximaram de 1 milhão de barris por dia.

O mapa dos compradores mudou. A China, que costumava ser de longe o principal destino do petróleo brasileiro, caiu de 62% das exportações no primeiro trimestre para 35% agora.

A Petrobras atribui a mudança a uma redução nas compras chinesas diante do cenário de preços. O espaço foi ocupado por Índia, Europa e outros países da Ásia, e a companhia conquistou cinco novos clientes, entre refinarias de Taiwan, Omã, Polônia, Suécia e África do Sul. Ainda assim, a China segue absorvendo mais da metade do petróleo exportado pelo Brasil.

Os números operacionais vieram, no geral, em linha com o que os bancos esperavam. Casas como JPMorgan, Goldman Sachs e Santander projetavam um trimestre forte para a estatal, apoiado no crescimento da produção e num preço do petróleo mais favorável.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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