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Mundo
27/06/2026
4 min

Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz após nova troca de ataques entre EUA e Irã

Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz após nova troca de ataques entre EUA e Irã

A escalada militar entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo neste sábado, 27, com ataques iranianos contra alvos ligados às forças americanas e um novo incidente envolvendo a navegação no Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte global de petróleo.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, as ações militares foram uma resposta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos na sexta-feira, 26, contra instalações iranianas na costa sul do país. Teerã classificou a ofensiva americana como uma violação do acordo provisório de cessar-fogo firmado na semana passada e afirmou que os ataques dos EUA também infringiram a Carta das Nações Unidas.

O governo iraniano não informou quais foram os alvos atingidos, limitando-se a dizer que as operações tiveram caráter "defensivo". Até o momento, Washington não confirmou e nem comentou oficialmente as alegações iranianas.

A troca de ataques ocorreum dia após os Estados Unidos bombardearem instalações militares iranianas. A ofensiva foi justificada pelo presidente Donald Trump como uma resposta ao lançamento de drones iranianos contra embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz, episódio que, segundo Washington, representou uma quebra do cessar-fogo.

Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz

A tensão também voltou a atingir a navegação na região. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou neste sábado que um navio-tanque foi atingido por um projétil enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz.

De acordo com a agência, a embarcação sofreu danos na ponte de comando, mas não houve feridos entre os tripulantes. Após o incidente, o Centro Conjunto de Informações Marítimas (Joint Maritime Information Center), formado por uma coalizão internacional de forças navais, elevou o nível de alerta para embarcações que operam na região.

O episódio ocorreu apenas dois dias depois de um navio cargueiro ter sido atacado próximo à costa de Omã, incidente que desencadeou a atual escalada entre Washington e Teerã.

O Irã não assumiu responsabilidade direta pelo ataque ao petroleiro. No entanto, a televisão estatal informou que a Guarda Revolucionária realizou "disparos de advertência" contra embarcações que estariam utilizando rotas consideradas não autorizadas por Teerã. Segundo a emissora, alguns navios passaram a solicitar autorização das autoridades iranianas antes de atravessar o estreito.

Disputa pelo controle da principal rota de petróleo

Além da ofensiva militar, o governo iraniano voltou a defender maior controle sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo.

Teerã afirma que o acordo provisório firmado com os Estados Unidos lhe concede autoridade para regulamentar a navegação na região e passou a exigir que embarcações utilizem corredores definidos pelo país. O governo também advertiu os Estados do Golfo contra qualquer apoio às operações militares americanas.

Os Estados Unidos rejeitam essa interpretação. Após reuniões com aliados da região, o secretário de Estado Marco Rubio divulgou uma declaração conjunta com o Conselho de Cooperação do Golfo defendendo a manutenção da liberdade de navegação no estreito, sem restrições ou tentativas de controle por qualquer país.

Bahrein denuncia ataque e acusa Irã de violar acordo

O Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha americana, informou ter sido alvo de um ataque com drone iraniano neste sábado. O governo classificou a ação como uma grave violação de sua soberania e afirmou que se reserva o direito de responder para proteger seu território.

Em comunicado, Manama acusou Teerã de comprometer os esforços internacionais de desescalada e de descumprir tanto o memorando de entendimento firmado em junho quanto resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Mercado acompanha risco para o abastecimento global

Os novos confrontos voltam aelevar as preocupações sobre a segurança da principal rota de exportação de petróleo do mundo.

Nas últimas semanas, parte dos navios retidos no Golfo Pérsico havia retomado as operações, contribuindo para a queda dos preços internacionais do petróleo. Antes da nova escalada, a commodity acumulava recuo de cerca de 3% na sexta-feira, refletindo a expectativa de normalização gradual do tráfego marítimo.

Analistas, porém, avaliam que a recuperação completa da circulação de petroleiros dependerá da redução das tensões militares e da percepção de segurança pelas empresas de transporte marítimo. Enquanto Washington incentiva o uso de rotas ao sul, próximas à costa de Omã, o Irã insiste que as embarcações utilizem corredores sob sua supervisão.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que Washington continua comprometido com o cessar-fogo e responsabilizou o Irã por qualquer retomada mais ampla do conflito. "O Irã assinou um acordo de cessar-fogo. Nós o respeitamos. Se houver divergências sobre sua implementação, existem canais diplomáticos. Mas violência será respondida com violência", declarou.

AutorDa redação, com agências
FonteExame
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